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	<title>após a vírgula, é infinito. antes, irrelevante</title>
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		<title>alfa.</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 17:47:49 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Ela tinha dezessete anos, mas podia passar por vinte e poucos sem levantar suspeitas. Um metro e setenta e três, cinquenta e seis quilos, embora quando a encontraram pesasse pouco mais de trinta. Seu corpo se encontrava em um estágio &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2012/01/21/alfa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=888&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ela tinha dezessete anos, mas podia passar por vinte e poucos sem levantar suspeitas. Um metro e setenta e três, cinquenta e seis quilos, embora quando a encontraram pesasse pouco mais de trinta. Seu corpo se encontrava em um estágio avançado de decomposição. O cheiro forte e a presença de aves carniceiras rodeando o local levantaram suspeitas nos vizinhos do terreno, mas não houve nenhum chamado para a polícia até uma tarde de abril, quando uma criança correra atrás de sua bola de futebol e encontrou o corpo.</p>
<p style="text-align:justify;">Identificaram-na e a polícia entrou em contato com sua família, que havia entrado com uma queixa em relação ao desaparecimento da filha havia um mês, mas nada fora realizado e tomaram o caso como fuga do lar, muito comum nessa idade. As fotos que a família divulgou encantaram os policiais e causaram comoção na mídia e no povo. O caso teve repercussão nacional, matérias e matérias em todos os meios de comunicação foram produzidas sobre os acontecimentos – um canal de televisão chegou a exibir, em uma semana, seis programas sobre o assunto, sempre exibindo as imagens da jovem sorrindo, feliz, evocando toda a vida que teria pela frente não fosse o trágico destino que a esperava; um jornal chegou a imprimir um pôster em página dupla, estampando sob seu sorriso letras vermelhas que diziam: “ONDE ESTÁ O MONSTRO?”.</p>
<p style="text-align:justify;">O corpo apresentava severas escoriações, eram claras as lesões em seu crânio – uma rachadura no osso frontal, achatamento no parietal -, os ossículos das mãos e pés se encontravam esmigalhados e alguns dentes quebrados, três costelas estavam quebradas. Seus órgãos internos não passavam de uma papa e os testes patológicos eram inconclusivos. A morte ocorrera há cerca de três semanas, mas a causa era não esclarecida: podia ter morrido de um ataque cardíaco ou ter sangrado até a morte.</p>
<p style="text-align:justify;">A polícia começou a investigação buscando possíveis assassinos com depoimentos de seus pais, mas eles disseram que até onde sabiam sua filha nunca relatara qualquer confronto entre algum colega e ela. Revistaram seu computador pessoal à procura de qualquer registro de conversas que pudessem indicar um caminho a ser seguido na investigação, mas nada estava guardado em seu disco rígido, que continha apenas músicas ilegalmente adquiridas, filmes e seriados idem e fotos de sua câmera digital, que revelavam a morta como uma adoradora de paisagens, pássaros e pôres do sol. Seu nome era Andrea e, de acordo com depoimentos colhidos de colegas da escola que frequentava, era uma boa aluna. No fim do ano, era seu último ano de ensino médio, prestaria vestibular para engenharia ambiental. Sua turma de colégio, um tradicional, religioso, dissera que era uma garota calada em sala, sem perturbar professores ou alunos. Os professores disseram que não era uma aluna que se poderia chamar de genial, tampouco de medíocre. Seus pais também disseram que nunca apresentara um namorado à família, e relatava que nunca houvera caso de briga em família, sendo ela considerada por seu pai “uma menina calma e tranquila, sem rebeldias ou desobediências, a filha que pedi a Deus”. A mãe se apresentava chocada em seus depoimentos, sendo de pouca utilidade. Seus colegas de colégio informaram que era uma garota calada em sala de aula e estava sempre lendo. Quando perguntados sobre interesses românticos de Andrea por algum colega a resposta unânime era que não, que ela nunca se relacionara com nenhum dos colegas e que, para falar a verdade, ela quase não tinha amigos, Duas de suas colegas mais próximas, que freqüentavam a casa de Andrea ocasionalmente, disseram que a vítima estava se relacionando com um jovem de vinte e três anos, que aparecia duas vezes por semana no pátio da escola na hora do último sinal e ficava a conversar e rir. Disseram que a amiga o apresentou como um amigo, não como namorado, em certa ocasião, resultando em mais duas ou três conversas entre o jovem e elas. Ambas choravam muito ao interrogatório, mas ainda revelaram o nome do universitário: Fabrício; disseram também que ele se apresentara como estudante da escola de direito do estado, no entanto, não sabiam onde ele morava. Disseram também que nunca viram Andrea beijá-lo e jamais os ouviram trocar qualquer tipo de carícia em público além de elogios afáveis como “você está linda” e “você é muito interessante”.</p>
<p style="text-align:justify;">A polícia encontrou Fabrício chegando em casa depois de uma quinta feira de aula. Era um tipo pequeno, não mais de um metro e setenta e cinco, com uma certa protuberância abdominal e ainda apresentando espinhas vermelhas na cara branca, a barba pro crescer ajudava a disfarçá-las. Perguntado se poderia reservar um pouco de seu tempo para conversar, reagiu de forma defensiva, e foi preciso insistência da parte policial até um convite para entrar em sua casa. Ao receber a notícia da morte da amiga, pareceu chocado, surpreso com tal informação e seu rosto expressou indignação ao perceber que ali estavam homens que o consideravam um dos principais suspeitos do crime. Disse que de nada sabia e que tinha um apreço enorme por Andrea. Quando questionado em relação a um possível envolvimento sexual entre os dois, sorriu e perguntou: “tudo para vocês é uma grande relação sexual, não é mesmo? no fim de tudo, a vida e a morte se resumem a sexo.” e deixou a pergunta sem resposta por algum tempo, até um dos policiais, eram três que o visitavam, resolver intervir dizendo que Fabrício sabia o quão importante são esses detalhes e que se ele realmente se preocupava com a menina morta, colaboraria com tudo o que pudesse. Ele acenou com a cabeça, encarando cada um dos três visitantes, e disse que sim, que havia um envolvimento sexual entre eles, mas que não era o único. Havia outros dois que ele sabia que iam para a cama com ela, conhecera-nos numa noite em que ela saiu com ele e o dissera que estava trepando com os dois. “Ela era do tipo boêmia, sabe? Adorava homens das artes.” Os nomes que Fabrício entregara eram de Carlos e Maurício, e o que ele sabia sobre os dois é que o primeiro trabalhava como chef de um restaurante e músico numa banda chamada “As sementes ruins”. Perguntado sobre Maurício, soube informar que ele era da mesma banda, e que tinha certo conhecimento sobre pintura, ao menos foi o que Andrea falou ao apresentá-los. “Ela disse que ele era o melhor pintor que ela já tinha visto e que ele sabia de tudo, dos melhores artistas, das melhores tintas e melhores técnicas.” A polícia saiu da casa ao ouvir seu álibi: estava nos estados unidos desde janeiro, tendo retornado há cinco dias, fato provado, enquanto a última vez que alguém a viu com vida foi há quatro semanas, Fabrício estava liberado.</p>
<p style="text-align:justify;">A investigação seguiu, então, para a próxima pista: Carlos e Maurício. A banda faria uma apresentação na noite de sexta feira em “Um buraco qualquer”, uma boate onde drogados, pseudo revolucionários e pretensos artistas iam para desfilar seus egos. Encontraram Maurício primeiro. Ele, um sujeito bonito, de seus vinte e cinco anos, olhos castanhos claros, um queixo quadrado e a barba por fazer, no entanto tinha o aspecto sujo e sua roupa tinha manchas estratégicas de tinta. Ele conversava com uma garota linda, de não mais de dezoito anos, e dizia como adorava o surrealismo e a maneira como Dali expunha seus sonhos sem se preocupar em retratar qualquer coisa lógica, sem se preocupar com os julgamentos dos outros, ou de como a crítica poderia ver suas obras. A garota parecia hipnotizada pela conversa, seus olhos o encaravam com fascínio e adoração, como se dizer aquelas palavras, decoradas de uma revista de sala de espera de consultório médico, fizesse dele um homem interessante e exímio conhecedor das artes plásticas.</p>
<p style="text-align:justify;">Maurício tentou dispensar a conversa com a polícia dizendo que estava acompanhado e ocupado naquele momento e que se quisessem papo com ele teriam de esperar até depois do show, mas logo pareceu se dispor a conversar quando mencionaram que ele era um dos principais nomes na lista de suspeitos do sumiço e assassinato de Andrea e que, se não colaborasse ali, talvez fosse melhor levá-lo para a delegacia, onde alguns colegas fá-lo-iam ajudar com o serviço. Ele deu um beijo nas bochechas da garota com quem falava e disse para ela procurá-lo depois do show, se afastando em seguida com os policiais. Começou a dizer que ficara devastado com as notícias da morte da garota e que sentiria falta dela e “até mesmo das bizarrices dela.”. Quando questionado a que tipos de “bizarrices” se referia, falou: “Cara, aquela guria tinha uns problemas de afeto fodas. Pra começar, ela só me chamava de papai e ao Carlos, meu amigo, o ‘padrasto’,” caiu na risada “a ele ela chamava de painho. Mas ela só chamava a gente assim na hora de trepar, que, na verdade, era a única hora em que ela chamava a gente, sempre os dois, nunca um só. E, acredite, eu tentei ir com ela sozinho, mas ela nunca topou, sempre queria foder com o papai e com o painho juntos. Não sei se o Carlos conseguiu alguma coisa com ela, mas acho que não. Ela só queria os dois pais pra foder com ela. Como dizem os gringos, ela era ‘total fucked up’”. A conversa com ele rondou esse assunto e o número de vezes que fizeram sexo “umas seis ou sete.” Dispensaram-no pedindo que mostrasse onde poderiam encontrar Carlos e, pouco antes de subir ao palco, tomar o microfone e cantar com sua voz grave e fora do tom da música que a banda tocava, ele confirmou tudo o que Maurício dissera, além de afirmar nunca ter feito sexo com Andrea na ausência de seu amigo “Eu até tentei, cara, mas ela dizia: ‘ou com os dois ou com nenhum. ‘” e confirmara o número de relações: “acho que sete”. Quando perguntado se sabia de algum outro possível amante de Andrea, Carlos disse que havia conhecido Fabrício, mas não sabia de nenhum outro, mas que não duvidava nada vindo dela. Em relação a álibis, estavam bem sólidos e válidos, estando em turnê com a banda em outra região à época do ocorrido.</p>
<p style="text-align:justify;">Voltaram as investigações para o lar de Andrea, procuraram destrinchar a relação que ela tinha com o pai, no entanto, nada confirmava qualquer indício de abuso; em conversa com o pai, explicando sobre seu envolvimento com Fabrício e os outros, sem deixar claro seus desejos por sexo grupal e o fato dela chamar dois de seus amantes de pai, e o pai parecia chocado, disse que nunca soubera de nenhum relacionamento de sua filha e, até onde ele sabia, ele juraria que ela era abstêmia. A mãe, no entanto, que não prestara depoimento anteriormente comentou ter conhecimento da existência de Fabrício, mas mostrou-se tão chocada quanto o pai em relação a Carlos e Maurício. A polícia a investigou em particular, com suspeita de obstrução de investigação, mas a hipótese foi retirada da mesa após algumas perguntas, uma análise do perfil por um psiquiatra e muitas horas de choro. A polícia não tinha mais para onde ir.</p>
<p style="text-align:justify;">Um mês se passou, a investigação perdia o foco a cada dia, a mídia já não noticiava mais nada sobre o caso. Havia cada vez menos rastros do assassino, se é que já houve algum, até que se deu o caso como inconclusivo, sendo arquivado e gerando protestos por parte da família, que referia incompetência da parte da polícia. Três meses depois a família apareceu na delegacia trazendo um pacote com fotos de Andrea sendo torturada e morta. Impresso no verso de uma foto, que mostrava o corpo morto de Andrea cheio de sangue, letras negras diziam: “minha primeira vez.”.</p>
<p style="text-align:justify;">Dois dias depois, encontraram o corpo de Bianca.</p>
<p style="text-align:justify;">esse texto foi postado originalmente no blog <a href="http://hallsdecafe.wordpress.com/">Halls de Café</a></p>
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		<title>ódio.</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 15:43:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;nunca achei que fosse odiar tanto assim&#8221; as palavras saíam tranquilas, num fluir leve, como se ele falasse de uma tarde de domingo que brilhava fresca ou o sol refletido no mar azulado, ou do frescor dessa noite de sexta, &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2011/12/09/odio/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=877&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">&#8220;nunca achei que fosse odiar tanto assim&#8221; as palavras saíam tranquilas, num fluir leve, como se ele falasse de uma tarde de domingo que brilhava fresca ou o sol refletido no mar azulado, ou do frescor dessa noite de sexta, ou do sabor de um vinho de safra excelente. &#8220;nunca achei que fosse encontrar uma pessoa que me despertasse tanto asco, tanto nojo e tanta raiva quanto essa.&#8221; o interlocutor, um homem jovem, cabelos cortados rente ao coro cabeludo, a barba feita, falava com amigos na mesa de sua casa, copos em mãos, gelo, whisky, cerveja para alguns. na mesa, além da garrafa de jack daniels, uma tábua contendo queijos e defumados, algumas azeitonas. os amigos mastigavam enquanto ouviam. &#8220;mas aí um dia me descubro pronto para odiar, muito mais do que para amar. não sei se vocês conhecem um texto do neil gaiman, na edição 64 ou 66, no arco &#8216;entes queridos&#8217;, quando ele tem que pagar o preço pelas coisas que fez, enfim&#8230; nesse número ele faz desejo encontrar com sua neta, se não me engano, e essa personagem nos presenteia com um monólogo sobre o amor. alguém já leu? é um texto até famoso, li antes mesmo de ler no quadrinho.&#8221; alguns de seus amigos acenaram, outros balançaram a cabeça em negação, perguntando como era o texto &#8220;eu não saberia dizê-lo todo, sou péssimo com declamações e coisas assim, mas sei que começa &#8216;você já amou? terrível, não é?&#8217;. partindo desse texto eu gostaria de fazer a minha declaração sobre odiar. vocês já odiaram?&#8221; tomou um gole do conteúdo de seu copo, o sabor forte, um tanto adociado, fez com que sentisse seu rosto se contrair numa leve careta, apesar de achar aquele o melhor whisky que já provara, correção, whiskey, como são todos aqueles produzidos fora da escócia. olhou para seus amigos esperando uma resposta, inclinou-se para frente, espetou uma azeitona sem caroço e um cubo de queijo provolone e os pôs na boca de uma vez, mastigando-os e sentindo seus sabores se misturarem em sua língua. alguns dos amigos lhe responderam com sorrisos e piadas, mas é claro que odiavam. esses dias, disse um, odiou um homem por ter estacionado o carro atrás do seu, trancando-o e fazendo com que se atrasasse para um compromisso; outro confirmou o sentimento relatando da vez em que o namorado da sua irmã comeu toda a salada de frango que sobrou do jantar e que guardara para si. todos riam. quando o silencio caiu levemente sobre eles mais uma vez, ele falou: &#8220;todos foram exemplos hilários de sentimentos que nós chamamos de ódio. mas eu me referia ao verdadeiro sentimento de ódio. aquele impulso que se assemelha em muitas coisas ao amor, que ao invés de paixão, há uma sede inexplicável de vingança, de querer não apenas o mal, mas querer que esse mal venha para esse objeto do nosso ódio através das nossas mãos, que sejamos capazes, acima de tudo, de fazê-lo perceber quão inadequado aquele ser é para a vida, quão miserável ele é. e, admito, enquanto esse é um sentimento estimulante, extasiante, é, ao mesmo tempo, algo deprimente, incapacitante, angustiante.&#8221; todos prestavam atenção a ele &#8220;digo isso porque é impossível alcançarmos todos os planos dos nossos desejos de ódio; frustrante saber que nunca seremos capazes de fazer o mundo inteiro ver esse objeto como merecedor de nosso desprezo.&#8221; nesse momento lhe bateu uma sede, levou o copo à boca mais uma vez, daqui a três ou quatro goles, pensou, acharão que estou bêbado, dizendo incoerências, besteiras, mais das mesmas coisas de sempre. sorriu um riso claro, nada afetado pelo álcool, olhou para seus amigos, que o ouviam atentos, como todos sempre ouvem uns aos outros. pensou em como, quando a garrafa chegasse ao fim, as latas de cerveja estivessem amassadas na lata de lixo, estariam mais relaxados, alguns fazendo declarações inesperadas, chamando uns aos outros de mais que amigo, de irmão, dizendo que são eles a família que escolheram, mas ele não precisava do álcool para saber daquilo, ninguém ali precisava. &#8220;e só de pensar nas possibilidades de fazer o mal a esse objeto, só de sonhar em fazê-lo sofrer, diminui-lo, reduzi-lo a menos do que ele merece, a menos que pó, &#8220;mostrou os dedos indicador e polegar bem próximos um do outro &#8220;me enche de uma sensação sádica de prazer e de frustração.&#8221; respirou profundamente. um dos amigos perguntou o porquê da frustração. &#8220;ah, amigo, porque é algo a que se resiste, esse sadismo, algo ao qual não se deve entregar completamente, senão nos perderemos para sempre nele. é frustrante porque sabemos, enquanto sentimos, que odiar algo com todas as nossas forças nos exaure, cansa muito. e também porque nada do que sonhamos sairá disso, nunca se tornará realidade, não pelas nossas mãos, não como tanto gostaríamos que fosse. odiar alguém é esperar. é ter a paciência necessária para observar e torcer que ela cave sozinha seu caminho para essas coisas que tanto desejamos a elas. é frustrante porque não seremos nós que entraremos em contato com um matador de aluguel e pediremos com que pareça um acidente, um assalto ao qual ele reagiu; ou não seremos nós que arrancará cada unha com um alicate, nem nós que cortaremos a carne lentamente, nem quem empalará com uma ponta oca o corpo do nosso objeto, nem nós que amarraremos cada um de seus membros em um cavalo e açoitaremos os quatro, cada um em uma direção, nem nós a amarrá-lo a uma cadeira, em um quarto escuro, e deixá-lo lá com uma gota d&#8217;água a pingar em sua testa pelo tempo que precisar, até que ele implore por sua morte, até que ele ache que morrer é a única coisa que ele deseja. enfim, acho que vocês entenderam meu ponto.&#8221; sorriu para os amigos. alguns ficaram calados, pensativos, outros, no entanto, pareceram empolgados com os métodos de tortura, complementavam o discurso com alguns de seus favoritos como choques, dissecar os testículos ou simplesmente cortá-los fora e dar aos cachorros para se alimentarem. &#8220;o texto do gaiman termina dizendo: &#8216;eu odeio o amor&#8217;. eu queria poder escrever o meu e terminá-lo com &#8216;eu amo o ódio&#8217;, mas não sei se é bem verdade. mas o mais engraçado de todo esse ódio, meus amigos, é que ele só existe por causa de amor.&#8221; e aí um dos amigos que ficara calado boa parte do tempo respondeu: &#8220;mas quando é que não é assim?&#8221;</p>
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		<title>mais daquilo que poderia ter sido e não foi.</title>
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		<comments>http://aposavirgula.wordpress.com/2011/11/25/mais-daquilo-que-poderia-ter-sido-e-nao-foi/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 02:36:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>v.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[no dia 5 de abril fiz uma postagem diferente de todas até então, contendo começos, meios e fins de textos que nunca tiveram um começo, meio e fim. estou há mais de meses sem completar um texto de ficção, estou &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2011/11/25/mais-daquilo-que-poderia-ter-sido-e-nao-foi/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=869&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">no dia 5 de abril fiz uma postagem diferente de todas até então, contendo começos, meios e fins de textos que nunca tiveram um começo, meio e fim. estou há mais de meses sem completar um texto de ficção, estou há mais de um mês sem postar qualquer texto nesse espaço. hoje repito a idéia do dia 5 de abril, com novos textos sem começo, meio e fim.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">******</p>
<p style="text-align:justify;">são quatro horas da manhã quando ele sai de casa, pega o carro e dirige até seu apartamento. a rua escura e deserta o faz pensar.</p>
<p style="text-align:justify;">****</p>
<p style="text-align:justify;">ela disse que havia comunicação no silêncio depois que ele passou meia hora sem emitir um som.</p>
<p style="text-align:justify;">****</p>
<p style="text-align:justify;">hoje li um texto meu de cerca de dois anos atrás. muita coisa mudou, mas quase tudo continua semelhante, se analisarmos tudo de forma distante e capaz de abstrair e interpretar. acredito que a principal diferença desse texto de hoje para o antigo seja o fato de eu já ter assistido a alguns filmes do woody allen e estar menos decepcionado com os estudos, no entanto ainda não é nele que está toda a minha concentração.</p>
<p style="text-align:justify;">eu já não escuto joni mitchel, e não é como se eu escutasse ela tanto assim, anteriormente, mas há cerca de dois anos eu escrevia um texto pessoal como esse ao som dela. hoje estou em uma fase mais erudita, da qual espero não sair por um tempo. ludwig é executado no meu player do computador, um notebook diferente, cujas letras ene e bê e as teclas de interrogação e alt gr não estão funcionando.</p>
<p style="text-align:justify;">é um mundo fantástico, certamente, e muita coisa aconteceu com ele nesses tempos que não tenho escrito. acredito que a mais importante delas, para mim, tenha sido a conclusão da primeira leitura de &#8220;o arco íris da gravidade&#8221; &#8211; o quarto está quente -, há cerca de cinco dias. foi um dos livros que mais levou tempo para concluir sua leitura esse ano, me tomando quase seis semanas para transpor suas densas 785 páginas. acho que o outro livro que me exigiu tanto foi o 2666, do bolaños, lido por volta de abril a maio.</p>
<p style="text-align:justify;">sinto fome agora. sinto um cansaço, mas não do corpo. sinto vontade de parar.</p>
<p style="text-align:justify;">
*****</p>
<p style="text-align:justify;">para o sexo existem as prostitutas, para as conversas e alegrias, os amigos. misturar esses dois parece uma boa idéia que se torna problema.</p>
<p style="text-align:justify;">*****</p>
<p style="text-align:justify;">estava um calor infernal e ele tomava uma bebida gelada, o copo transpirando tanto quanto ele molhava sua mão e o deixava incomodado. por isso tomava tudo rápido. sua camisa colava em seu corpo, mostrando seu corpo, as curvas de sua barriga</p>
<p style="text-align:justify;">******</p>
<p style="text-align:justify;">ela acende o isqueiro bic com a mão tremendo, o líquido no recipiente transparente está no final e o dinheiro que tinha dobrado e enfiado no sutiã foi embora nesses dois pedaços enfiados na ponta do cachimbo. torce para que funcione, enquanto seu polegar pressiona e gira a roldana uma, duas, três vezes, escorregando por ela sem funcionar como deveria, a pedra não gera a faísca, continua tentando até que por volta da décima ou vígesima tentativa desesperada a chama brilha na noite, gerando pouca luz e aquecendo o contúdo do pito. O cheiro leve de borracha queimada começa a tomar o ar e ela suga tudo para seus pulmões. O coração começa a pular na caixa torácica e ela dá um grito, quase uma comemoração, um alívio. Está pronta para trabalhar, pelo menos no começo dessa madrugada. Ainda fumará duas ou três pedras mais essa noite, mas tudo depende da clientela.<br />
Ela trabalha há dois meses nessa esquina, antes trabalhava a quatro ou cinco blocos dali. &#8220;Quando eu tinha mais corpo, era mais gostosona e essas coisa, quando eu topava &#8216;menas&#8217; coisas, &#8216;menas&#8217; safadezas, aí a &#8216;crientela&#8217; era &#8216;menas&#8217;, sabe? Dava pra dois ou três por noite, mas só a frente, a parte de trás só fui começar a dar depois da &#8216;premêra&#8217; &#8216;preda.&#8217;&#8221; Ela disse que fumou a primeira pedra de crack há quatro meses, e foi um antigo namorado que a ofereceu.</p>
<p style="text-align:justify;">*******</p>
<p style="text-align:justify;">“Não entre em pânico!” diz o dispositivo utilizado por Arthur Dent e Ford Prefect para explorar a galáxia. No entanto, em alguns momentos, parece que é tudo o que os personagens criados por Douglas Adams fazem.<br />
Em “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, o autor nos apresenta um cidadão inglês comum, que não quer nada além de tomar seu chá e cuidar de sua vida, mas, num dia como outro qualquer, descobre que sua casa será demolida para a construção de uma autoestrada e que os planos já estavam à disposição na prefeitura há meses. Incapaz de mudar o fato, inconsolável, Arthur Dent, agora sem teto, encontra seu amigo Ford Prefect, um ruivo estranho, que se revela um extraterrestre e começa a falar sobre como devem sair do planeta, pois dentro de momentos ele será destruído. Assim começa a saga do último homem da terra.<br />
O autor, também nativo da Inglaterra, utiliza de um humor ácido e depreciativo para criar uma crítica inteligente e precisa sobre o homem e suas relações com seus semelhantes – ou quase semelhantes, quando tomamos os Vogons como os chatos burocráticos que por vezes parecem dominar o mundo com seus formulários e horas de espera por uma informação – e com a tecnologia que o cerca e é mais frequente e importante com o passar da hora. Mesmo tendo sido concebido pelos idos de 1970, o livro continua atual em suas observações e em seus personagens, especialmente o robô Marvin, que faz astutas observações sobre as raças inteligentes e sua insignificância em relação a sua capacidade de raciocínio.<br />
O Guia, como é chamado, é uma leitura agradável e leve, ao mesmo tempo em que contém uma força de imaginação e abstração que nos leva para os confins da galáxia e além.</p>
<p style="text-align:justify;">********</p>
<p style="text-align:justify;">não sei mais o que é escrever. como colocar uma palavra atrás da outra de maneira gramaticalmente correta, de um jeito que, ao fim, seja agradável, interessante (para mim muito mais que para meu leitor) e que dure mais que meia dúzia de orações? como escrever sem começar a sentir uma angústia por saber que aquele texto iniciado vai ter o mesmo fim que os últimos trinta tiveram? já não tenho esperanças em relação À minha escrita, hoje eu ficaria feliz só por ter sido capaz de completar a minha meta de palavras, mesmo que elas não fossem tão boas, mesmo que elas não se encaixassem tão bem. hoje eu queria mais quantidade a qualidade, porque sei que a qualidade do pouco seria a mesma do do muito: não muito boa. mas eu não faço isso por mal, é que eu só queria escrever. me sinto mal quando não o faço, quando não consigo, quando as palavras fogem de mim como qualquer coisa foge de qualquer outra coisa que queira evitar, já que minha cabeça não está para metáforas, nunca esteve, acredito. queria que tudo fosse diferente, mas não é e isso me angustia. onde estão minhas palavras, onde está minha imaginação, meus personagens, minhas vozes? será que tudo se calou em mim? será que tudo morreu? Às vezes eu acho que sim, que não ouço mais nada, que não há mais nada, nenhuma vontade além das pequenas, de deitar e ler um bom livro, ouvir uma boa música, comer uma boa comida, sozinho, num quarto frio, ou em uma biblioteca climatizada, com controle de umidade, sem traças, com livros convivendo em paz e harmonia entre si e comigo. sonho com essa biblioteca, Às vezes, e ela é minha e somos felizes juntos, eu e ela e nossos livros. hoje vi guerra e paz, pela editora cosac naify, e babei por ela. e desejei ter 198 reais em meu bolso e tempo em vida para poder gastar com os volumes (dois). mas o tempo de vida é curto, o dinheiro não é meu, nunca foi. não sei mais o que dizer sobre coisa alguma. há anos eu sonhava com uma cabana no meio do nada, hoje sonho com uma biblioteca, talvez o paraíso de borges, quem sabe? não acredito em paraísos extra-terrenos, mas o borgiano é demasiado tentador.</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aposavirgula.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aposavirgula.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aposavirgula.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aposavirgula.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aposavirgula.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aposavirgula.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aposavirgula.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aposavirgula.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aposavirgula.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aposavirgula.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aposavirgula.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aposavirgula.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aposavirgula.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aposavirgula.wordpress.com/869/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=869&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>domingos.</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 05:26:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>v.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[já se findou outro dia, um desses que duram vinte e quatro horas e acabam com a semana e destroem o homem de formas irreparáveis exatamente porque, depois deles, começa mais uma vez a labuta. acabou-se o descanso, o tempo &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2011/10/24/domingos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=864&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">já se findou outro dia, um desses que duram vinte e quatro horas e acabam com a semana e destroem o homem de formas irreparáveis exatamente porque, depois deles, começa mais uma vez a labuta. acabou-se o descanso, o tempo para relaxar como se não houvesse nada mais no mundo além do livro que está na cabeceira da cama ou os jogos de futebol na televisão e a comida que foi pedida pelo telefone, as horas e horas de cerveja, pizza e filmes no escuro ao lado de um corpo quente e querido que se enrola ao lado na cama, se protegendo do vento frio que sai do ar condicionado pendurado na parede, e o dormir tarde, ver o sol nascer depois de acompanhar o avanço da noite, cada estrela aparecendo e sumindo, piscando à distância no céu da cidade, tão vazio, tão sem sonhos e sem magia, imerso em poluição, uma camada que separa o firmamento, há tanto cantado, do homem, além do dormir muito, por horas e horas, acordar somente depois que o sol já está descendo seu arco no céu. acabou-se tudo isso. agora é hora de deitar cedo, se por na cama e fechar os olhos e se mover, e só sentir o sono chegando depois de muito tempo e adormecer mais tarde do que o desejado, levantar cedo, com o sol brilhando, subindo no leste, fazer os exercícios da manhã, os alongamentos, os abdominais, tomar um banho frio para lavar o suor e o sono, tomar um café quente para acordar de verdade, para sentir um começo de vida se acendendo dentro de si, comer um pão com um queijo, ou sair de casa às pressas, porque mesmo tendo dormido o que desejou, ainda não foi menos do que o necessário para não chegar atrasado onde quer que tenha que chegar.</p>
<p style="text-align:justify;">tem início, uma vez mais, o ir e vir incessante, as horas de movimentação, somente mais um dentro de outro automóvel, no meio de milhares, indo lento em seu caminho, que por mais diferente que seja do dos outros ao redor, a essa hora todos parecem ter somente um rumo. o sol mal nasceu por completo quando se dá conta de que não importa o quanto se tente, se não sair mais cedo de casa, se não deitar mais cedo, vai ter que se privar de mais horas de sono. as buzinas são altas, o som toca uma das músicas que não saem do carro para que não haja nunca a possibilidade de se escutar rádio. o movimento subitamente melhora e os carros começam a correr, finalmente a terceira marcha, a quarta, os sessenta quilômetros por hora, talvez não chegue atrasado, afinal de contas, talvez tudo dê certo e talvez não tenha que perder os preciosos minutos de sono que tem. alegria, alegria. chega ao trabalho quase no limite do horário, nos últimos minutos de tolerância para bater o ponto, os colegas o olham com cara amarrada, ninguém dá bom dia, ninguém parece gostar de ninguém ali ou em canto algum, mas a vida segue e o trabalho começou, pronto para devorar qualquer momento particular que se venha a ter, qualquer segundo de esperança de que haverá um descanso em breve logo é frustrado por mais trabalho e mais esforço e os chamados ininterruptos.</p>
<p style="text-align:justify;">não é diferente do que acontece aos outros, não é especial, é mais um trabalho, são as mesmas de oito a doze horas diárias, são os desejos de férias e as vontades de que todo dia seja um sábado à noite tranquilo, é a saudade da cerveja forte com pizza quatro queijos do fim de semana anterior, é a frustração por se recordar imediatamente das horas extras prometidas para o próximo sábado, é a exaustão que bate ao fim do dia, mas o sol ainda brilha e o almoço está sendo servido em algum lugar, mas ainda não pode ir porque faltam coisas a serem feitas.</p>
<p style="text-align:justify;">se sente assim todo domingo ao pensar que é segunda feira o dia que se segue, mesmo em férias, mesmo quando não há trabalho, a lembrança que algum dia terá de retornar àquele inferno que só lhe serve de fator de risco para infarto o faz tremer, suar frio, sentir um aperto no peito e fazer com que o coração acelere, hiperventila por alguns momentos até que consegue se acalmar. o terror do retorno ao trabalho, à vida que se repete todo santo dia, num ciclo sem fim e sem variação, vez após vez após vez após vez, à pressão sobre si, às pessoas que dependem dele, aos colegas que despreza por parecerem não se importar com o que acontece ao redor, o faz querer nunca mais pisar ali, o faz querer mudar toda sua vida, fazer sabe lá o que, viver do que conseguiu economizar até agora, morar sozinho sem luxos, com seus livros, suas músicas, sem o terror de ter pessoas dependendo dele para qualquer coisa, sem ter pessoas querendo colocar suas vidas em suas mãos. a interconexão entre todos o faz ter vontade de ficar deitado em sua cama toda manhã, se levantar para urinar, beber água e voltar para a cama e dormir, dormir até que o mundo inteiro mude, até que as pessoas ao seu redor já não sejam as mesmas, até que os filhos dos filhos de seus filhos tenham esquecido quem um dia ele foi. queria poder dormir e encontrar uma paz em seus sonhos e, quando levantasse, que não lembrasse de nada sonhado, porque é assim que ele prefere.</p>
<p style="text-align:justify;">ele sente o peso da existência todo dia, não só aos domingos, e não sabe como conviver com isso, mas ainda acha que existir é a única maneira de encontrar uma solução. a não existência não o seduz, as possibilidade do futuro que se estende à sua frente são, ao mesmo tempo, magníficas e desesperadoras e a certeza de um dia deixar de estar ali e parar de sentir o medo das segundas feiras, o nojo pelo trabalho, as certezas de sua rotina, não lhe parece uma coisa correta, lhe parece absurdamente frustrante. prefere viver com medo a não viver, para o que sente há remédios, há soluções.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aposavirgula.wordpress.com/864/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aposavirgula.wordpress.com/864/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aposavirgula.wordpress.com/864/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aposavirgula.wordpress.com/864/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aposavirgula.wordpress.com/864/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aposavirgula.wordpress.com/864/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aposavirgula.wordpress.com/864/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aposavirgula.wordpress.com/864/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aposavirgula.wordpress.com/864/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aposavirgula.wordpress.com/864/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aposavirgula.wordpress.com/864/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aposavirgula.wordpress.com/864/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aposavirgula.wordpress.com/864/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aposavirgula.wordpress.com/864/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=864&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>a luta.</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 04:04:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>v.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[todo dia eu me pego pensando: eu devia ler mais brasileiros. devia buscar os novos e ler os mais velhos, reler alguns para ver se mudei minha opinião em relação a eles (machado de assis, estou falando de ti, homem!) &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2011/10/20/a-luta/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=859&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">todo dia eu me pego pensando: eu devia ler mais brasileiros. devia buscar os novos e ler os mais velhos, reler alguns para ver se mudei minha opinião em relação a eles (machado de assis, estou falando de ti, homem!) e analisar se, de alguma forma, eles podem me ajudar com os problemas que estou tendo no mometo: não consigo escrever. nada! há um bom tempo me apresento assim, mas o quadro vem se agravando nesse último mês e nem mesmo sinto a paciência necessária para escrever mais de algumas centenas de palavras por vez. e mesmo o pensamento de que algumas centenas de palavras a cada dia fazem um texto em uma quinzena não me ajuda, já que nada do que escrevo parece se conectar, ainda. talvez um dia, quem sabe, mas hoje não. também acho que estou escrevendo pior. estou errando mais, transformando tudo em curtas frases, o meu mau uso da vírgula parece ter se exacerbado aos meus olhos e já não sei se devo ligar as orações coordenadas apenas por uma conjunção ou se a conjunção deve ser precedida de uma vírgula. nesses últimos dias tive dúvidas em relação ao uso da vírgula quando se separa o vocativo. mas ela já passou e fui capaz de superá-la com sucesso, devo admitir. (essa vírgula me causou dúvida, por favor, se você sabe que seu uso é errôneo, corrija-me).</p>
<p style="text-align:justify;">em relação aos meus erros, sei que haverá quem me corrija. sempre existem algumas nobres almas a quem recorro e que revisam os textos com boa vontade, mas e em relação ao meu assunto? só posso dizer que não tenho tido as mais brilhantes das idéias e que contar as velhas histórias de amor narradas em primeira pessoa já não me apetecem mais. gostaria de exercitar mais minha terceira pessoa, meu poder de criar situações que pareçam verossímeis sem a necessidade de um contador necessariamente presente em toda história, no entanto, desde que tomei essa meta para mim, poucos textos têm fluido e menos ainda são aqueles que vêem o ponto final. nada do que pensou ou escrevo me parece algo que eu leria, e se nem eu me leria, como fazer com que outras pessoas o façam? não tenho tamanho desprezo pelos outros quanto digo ter, além do mais, sempre prezo por uma boa história e uma maneira de contá-la que seja natural, orgânica, fluida, me pareceria demasiado ruim se eu fosse aquele a apresentar ao mundo algo qualquer, um texto que não me pareça dentro desses padrões por mim estabelecidos. há outros motivos para a minha não escrita, além da vontade de contornar a primeira pessoa do singular e querer explorar mais a terceira pessoa onisciente ou quase isso. tive muitos problemas com os eu líricos por eles não parecerem tão líricos assim, inclusive disseram as palavras calúnia e difamação, que causaram um medo terrível ao meu bolso e uma ligação ou outra para um dos meus defensores legais. mas nada digno de comentários além dos já tecidos.</p>
<p style="text-align:justify;">todo dia que penso que deveria arranjar para mim alguma leitura desses novos escritores brasileiros elogiados (oi, mutarelli, estou falando de você e do meu pensamento constante de ir à livraria e comprar o teu &#8220;o cheiro do ralo&#8221;), mas então realizo que já tenho livros demais para ler na fila. e por mais que acredite que o livro nacional flua como nenhum outro (esse ano li apenas 4, sendo um deles de péssima poesia, os outros três de prosa boa, quiçá ótima, que foram consumidos em menos de três dias, um tempo que considero excelente para os meus padrões), acredito que é melhor dar prioridade sempre ao que já está a ocupar minha bancada, entretanto há um livro de jorge amado nela, será o próximo que lerei, talvez esse fim de semana, talvez o depois desse, ainda não sei, mas certamente &#8220;a morte e a morte de quincas berro d&#8217;água&#8221; será lido esse ano. fico tentado também pelos clássicos nacionais do século XX, guimarães rosa, que me tenta toda vez que vejo seu grande sertão: veredas, e nelson rodrigues (eternamente confundido por mim com nelson gonçalves), cuja reedição, em formato pocket, de &#8220;a vida como ela é&#8221; me tentou por ser um livro esgotado no catálogo, além de se apresentar num preço acessível e não ter um papel lixo como a edição de estudante do livro guimarães.</p>
<p style="text-align:justify;">no momento me ocupo de um gringo, george r. r. martin, no primeiro livro da sua série de fantasia. os próximos dois livros da lista são dele, também, por coincidência ou não, depois seguimos com outros muitos gringos, que vivem aparecendo em minha vida em traduções e no original &#8211; recentemente a cia. das letras lançou herzog e uma linda edição de henderson, o rei da chuva, ambos do saul bellow e a cosac naify está prometendo pra novembro a tradução direta do russo de &#8220;guerra e paz&#8221;, e logo logo chegarão os livros do roth, do vonnegut e do foster wallace que encomendei pela amazon, além do dickens que me espera desde janeiro para ser lido na língua em que fora escrito, é muito livro e pouco tempo, como sempre. procurarei um tempo entre esses livros para encaixar algumas obras dos compatriotas, mas não garanto nada, já que a maioria dos meus pensamentos morrem antes de alcançarem o mundo real. às vezes por não serem boas idéias, às vezes por pura preguiça de executá-los, mas é desse mal que venho padecendo, como já puderam notar, há mais tempo do que me agrada.</p>
<p style="text-align:justify;">há três meses, acho eu, dei inicio a um texto num caderno. escrevi uma folha inteira, dei início a uma segunda, mas não continuei, preciso voltar a ele, mas me falta a coragem para relê-lo e dar continuidade. sempre tive essa preguiça de me ler, mesmo achando que aquilo escrito pode ser bom. em maio ou abril tive a idéia para um texto que só começou a assumir forma real, mais de cem palavras, em agosto e somente agora, há dois ou três dias, passou das 500. há mais idéias mortas e morrendo ao meu redor do que pulsando em minha mente e não sei o que fazer para salvá-las. gostaria de fazer alguma coisa além de falar sobre isso, gostaria de escrevê-las, mas a mão cansa, a mente fica em branco e a vontade de fazer qualquer coisa que me tome mais de 10 minutos me exaure só ao pensamento. estou sendo derrotado nessa luta que não queria ter começado e, certamente, não gostaria de perder.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aposavirgula.wordpress.com/859/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aposavirgula.wordpress.com/859/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aposavirgula.wordpress.com/859/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aposavirgula.wordpress.com/859/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aposavirgula.wordpress.com/859/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aposavirgula.wordpress.com/859/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aposavirgula.wordpress.com/859/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aposavirgula.wordpress.com/859/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aposavirgula.wordpress.com/859/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aposavirgula.wordpress.com/859/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aposavirgula.wordpress.com/859/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aposavirgula.wordpress.com/859/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aposavirgula.wordpress.com/859/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aposavirgula.wordpress.com/859/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=859&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>o irmão.</title>
		<link>http://aposavirgula.wordpress.com/2011/09/13/o-irmao/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Sep 2011 19:41:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>v.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembro a noite em que ele foi embora. Pediu suas coisas ao pai e foi. Duas sacolas de pano penduradas às costas, seguindo o caminho de terra que levava embora daqui. Ele precisava sair, me explicou; queria saber do mundo, &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2011/09/13/o-irmao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=850&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Lembro a noite em que ele foi embora. Pediu suas coisas ao pai e foi. Duas sacolas de pano penduradas às costas, seguindo o caminho de terra que levava embora daqui. Ele precisava sair, me explicou; queria saber do mundo, descobrir as coisas que havia lá fora e que, aqui dentro, nunca seria capaz de ter. Lembro que foi uma noite fria, fato bastante estranho para um verão, e a lua não era mais que um fino fio amarelado no céu. As estrelas pintavam a noite com sua luz cheia de passado.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai se sentiu mal por dias, sentava-se em sua cadeira e se punha a pensar, o olhar perdido em algum lugar do passado, ou do futuro, imaginando onde errara, se errara, e o que poderia ter feito para ser correto, mas sabia que não podia se dar a esse luxo por tanto tempo e, logo, voltamos ao trabalho. A tarefa na casa ficou mais dura, cuidar de tudo era quase impossível. Trabalhávamos de sol a sol, nossas peles se escurecendo como a dos mouros sob o brilho do céu, ficando seca, com um aspecto de sujo. Algumas vezes íamos além e, vendo a lua nascer, rezando para que houvesse luz o suficiente para fazermos nosso trabalho como o Senhor gostaria que fizéssemos, trabalhávamos até acertar a colheita do dia.</p>
<p style="text-align:justify;">A mãe só fazia chorar e orar e, em suas orações, fazia uma série de promessas vazias a Deus, dizendo que se seu bebê voltasse faria de tudo, jejuaria todos os dias até o sol se pôr por um ano, faria caridade, iria ao templo todos os dias e trabalharia lá como era a vontade do Senhor. Parecia que a mãe tinha perdido o único filho que parira, o único por quem tinha amor. A mãe chorava sempre que se lembrava dele, e era impossível não lembrar todos os dias em que acordávamos e ele não estava lá para fazer o que viria a ser uma barba um dia, mas que agora não passavam de apenas alguns finos fios que cresciam de forma aleatória em seu rosto adolescente; para tomar o leite recém-ordenhado com a nata gorda a flutuar no copo cheio; o café preto quente e forte para acordar, acompanhado do pão dormido do café da manhã, acompanhado do queijo feito por ele mesmo, peças grandes que fazia e que nos servia de alimento por dias. Toda hora do almoço era uma dor, porque todos sentíamos aquela ausência à mesa. Seu lugar ao lado da mãe e mais distante do pai, em frente à nossa irmã, que sentava ao meu lado, parecia gritar por atenção. Por alguns dias, os primeiros, a mãe chegou a encher seu prato com a mistura do dia, o peixe, o frango, a carne, até que ela percebia o erro, pedia desculpas ao pai, se levantava com lágrimas nos olhos, redistribuía a comida para todos e seguia calada em seu lugar, com o olhar marejado, sem dizer uma palavra a ninguém. Era-me impossível não me lembrar dele no arado, carregando a enxada em suas costas, segurando firme no cabo para fazer um bom serviço, para arar muita terra e, ainda que fosse um pesado trabalho, a terra úmida sob seus pés, sujando suas unhas, tornando seus pés negros como carvão, fazendo-o suar e feder, ele conseguia carregar um sorriso de satisfação, ele me confessou um dia, antes de cairmos no sono, por ser aquela a vontade de Deus e do pai, por saber que seu trabalho tem frutos. E quando voltávamos à casa depois de um dia de árduas obrigações, lavávamo-nos bem, retirando dos nossos corpos o cansaço acumulado, arrumávamo-nos para a janta iluminada pelas velhas velas, o pão quente, o café com leite, o queijo e ele sempre era o que mais parecia grato por tudo aquilo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas um dia&#8230; um dia o sorriso que ele carregava ao fazer seus trabalhos já não aparecia mais em seus lábios, fazia tudo o que lhe era de dever, mas sem aquele prazer que um dia teve, somente o rosto sério e grave, uma expressão nunca antes apresentada por ele, até então. Com o tempo, ele começou a ficar distraído, voador, já não trabalhava com a vontade e então&#8230; então ele se foi. Arrumou as coisas que lhe foram dadas ao longo da vida, as roupas, uma túnica bonita, para festas e rituais, que ganhara há dois aniversários, algumas de suas roupas de arado, três túnicas gastas do dia a dia e seu kipá, além de algumas das economias que o pai e a mãe haviam guardado durante anos para um dia realizarem o sonho de possuírem algumas cabeças de animais, deixando-os quase pobres novamente. Ele foi para a vida, onde se perdeu, onde se esqueceu, de onde jamais enviou um mensageiro portando notícias de sua vida, que achamos que tivera um fim, e chegamos ao ponto de quase realizar ritos funerários de tão abalada e certa da morte de seu caçula que a mãe estava. Mas agora ele voltou. Agora voltou pedindo ao pai a oportunidade de trabalhar para nós mais uma vez, a chance de ser um dos nossos poucos empregados. E o pai o toma em seus braços como se esse, agora homem já feito, de barba grossa, cabelos longos, rosto queimado e gasto, mãos calejadas, nunca tivesse abandonado a casa, como se a traição não tivesse sido feita, e faz-lhe uma festa, dá-lhe do nosso melhor e eu, que nunca deixei a casa, jamais pensei em abandonar o lar, porque reconheço sua santidade, eu que sempre estive aqui por ele e pela mãe, eu&#8230; eu nunca ganhei tais coisas.</p>
<p style="text-align:justify;">E se ele estava perdido entre mortos e foi encontrado vivo agora, quero eu também ser encontrado entre os mortos. Deixo a casa, pai, mãe. Deixo-vos porque sinto agora que viver por vós não significa nada, que viver por vós nada acrescentou à minha vida. Deixo-vos e digo que, se agora eu caminho entre mortos, entre mortos hei de deitar-me. Não farei como o irmão que, quando veio o desespero e a morte lhe bateu à porta, lembrou-se de onde sugar mais vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Digo-vos adeus em poucas linhas porque poucas linhas serão o bastante.</p>
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		<title>do começo e da continuidade.</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 05:22:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>v.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[eu não lembro com que idade eu me tornei capaz de identificar letras, formar e unir sílabas lidas e transformar toda essa simbologia em algo lógico, fazendo com que tudo tivesse sentido. sei que desde cedo me vi rodeado por &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2011/09/08/do-comeco-e-da-continuidade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=839&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">eu não lembro com que idade eu me tornei capaz de identificar letras, formar e unir sílabas lidas e transformar toda essa simbologia em algo lógico, fazendo com que tudo tivesse sentido. sei que desde cedo me vi rodeado por figuras que liam: minha mãe devorava livros com tanta frequência e numa velocidade tão grande que eu sinto vergonha hoje de quão lenta minha leitura flui; meu pai sempre comprava gibis da turma da mônica para mim, e quando se deitava depois do almoço para fazer a sesta, sempre levava consigo algumas revistas para ler até dormir; minha tia lia incontáveis romances de banca de revista: julia, sabrina, qualquer nome de mulher cuja história sempre envolvia uma paixão mais fulminante que hepatite, algum moreno misterioso, essas coisas. sempre ganhei livros de presente de natal ou aniversário, mesmo quando eu achava que ganhar livros não era a melhor coisa do mundo, quase comparado a desembrulhar uma meia, um pijama ou uma cueca, mas hoje penso diferente. não lembro qual o primeiro livro que li, o primeiro de todos, mas me recordo perfeitamente qual foi aquele pelo qual dei início de forma consciente à vida de leitor, mas ele não deve ser mencionado agora, talvez mais à frente.</p>
<p style="text-align:justify;">por volta dos oito anos, eu já lera alguns livros paradidáticos (lembro-me de severino faz chover, da ana maria machado, lido na segunda série do ensino fundamental), muitas edições da turma da mônica &#8211; se hoje sou um leitor ativo, devo muito ao maurício de sousa e suas criações, e foi numa tarde de caminhada pelas ruas circunvizinhas à casa da minha avó que dei início a leitura de quadrinhos de super heróis. paramos numa banca de revistas nova, demos uma olhada no que havia por ali, minha avó se interessava por revistas que apresentavam novas receitas de comida ou faça você mesmo sua roupa ou artesanato. foi na prateleira mais próxima ao chão que a vi: uma revista pequena, com uma faixa de papel branco completando a capa, que tinha um homem saindo de chamas, sangrando e com sua roupa rasgada em certos pontos, um rosto raivoso, e acima da figura, seu nome: Batman, e a numeração em destaque: número Zero! achei que seria uma boa hora para se começar. Um ano e meio depois eu ganhei da minha tia a assinatura do pacote da DC.</p>
<p style="text-align:justify;">anos se seguiram e eu continuava com minhas leituras de quadrinhos, expandindo para outras linhas além da do homem morcego, superman, liga da justiça. o primeiro quadrinho da marvel que comprei foi uma edição de &#8220;a teia do aranha&#8221;, número 96, que prometia dizer quem era o verdadeiro homem aranha: peter parker ou ben reiley. até hoje me pergunto como eu pude ser tão tolo de ler todas aquelas edições lixos que eram publicadas, como fui enrolado pela maldita saga do clone. sinceramente me questiono como diabos eu tive coragem de continuar lendo quadrinhos levando em conta a época maldita que foram os anos 90 para eles.</p>
<p style="text-align:justify;">fato é que continuei lendo e em 1999, no brasil, teve início a saga &#8220;massacre&#8221;, com a edição de abertura sendo &#8220;massacre x-men&#8221;. na segunda capa do quadrinho, em edição americana e tudo mais, padrão que se seguia apenas nas minisséries e edições especiais da abril &#8211; e estranhamente, spawn e o selo image/top cow -, havia uma propaganda de um livro:  &#8221;jornada nas estrelas, a nova geração e x-men: planeta x&#8221; e esse foi o primeiro livro lido por mim, já pelo começo de 2000, depois de uma feira de livros que aconteceu em alagoas, na qual meu pai me levou, e pude encontrar esse livro, finalmente.</p>
<p style="text-align:justify;">me levou meses para concluir a leitura, 243 páginas sem ilustrações, um feito nunca antes conquistado por mim, que na época recém quase concluíra a primeira leitura de &#8220;amor de verão&#8221;. hoje, quase 12 anos depois de lido, mal posso esboçar um resumo do que vem a ser a aventura contada no livro. ao fim daquele ano de 2000, ganhei de uma tia, no natal, &#8220;harry potter e a pedra filosofal&#8221;, o primeiro livro da série da j.k. rowling (por que estou explicando o que é harry potter?). até fevereiro de 2001 eu havia lido os três primeiros livros dela.</p>
<p style="text-align:justify;">a lista segue, cada vez mais confusa, quadrinhos indo e vindo, até que cessei a leitura por completo por volta de 2002, mesmo ano em que li &#8220;o hobbit&#8221; pela primeira vez e o senhor dos anéis, além do cálice secreto. depois disso tudo, meu histórico de leituras fica confuso, com lembranças de coleções de fantasia (a sétima torre, a trilogia de dragonlance, discworld), livros de comédia do luís fernando veríssimo, dan brown e, enfim, um sem número de best sellers, aos quais devo muito do meu gosto literário atual, visto que sem eles eu não prosseguiria minhas leituras.</p>
<p style="text-align:justify;">foi quando saí do colégio que comecei a me interessar mais por livros, a lpm estava com um catálogo atraente e preços que eram mais que sedutores. associado a isso, houve a descoberta de vários clássicos da literatura na estante ao lado e o furto de &#8220;o evangelho segundo jesus cristo&#8221; da estante de uma tia. nessa época li kafka, saramago, garcía marquez, douglas adams. mas eu era jovem, impressionável, queria mudar o mundo e chutar a bunda de todo mundo, e o que gostei mesmo naqueles tempos foi de ler jack kerouac, john fante e bukowski, os sonhos doces de viver de bebida e viajar por aí, a leitura sem nada além da leitura, o oco. eu queria mais era xingar alguém e reclamar &#8211; não que eu não queria isso hoje, mas naquela época eu só fazia isso e não era nem um pouco sutil nas coisas que eu escrevia, e não que eu tenha melhorado muito, mas é que hoje em dia, pelo menos, eu tento trabalhar um pouco mais as coisas ficcionais que escrevo, pelo menos o suficiente para eu pensar que elas não são tão embaraçosas assim para se associarem a mim. eu queria era festejar, pegar uma mochila, jogar nas costas e sair por aí.</p>
<p style="text-align:justify;">não digo que o que leio hoje é melhor que o que você lê hoje (provavelmente é, mas não é sempre que será, além de isso não vir ao caso). o valor da leitura, o valor do escritor, da literatura, é o leitor que dá. não é a leitura de best sellers que fará de você um mau leitor, menos ainda a leitura de augusto cury, padre marcelo rossi ou aquele outro padre bonitinho. quer ler tudo sobre vampiros? ótimo! existem coisas muito boas sobre o assunto: drácula é sensacional, anne rice construiu um império e reformulou o mundo da mitologia vampiresca com suas crônicas; quer ler sobre magos e bruxos? ótimo! a fantasia está repleta dele e gandalf, o cinza que virou branco está aí detonando balrogs! todos precisamos de um ponto para começar e não é um livro dito ruim que impedirá a leitura de um dito excelente. o mau leitor não é nenhum desses. o mau leitor é aquele que simplesmente não lê.</p>
<p style="text-align:justify;">
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		<title>de novidades musicais.</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Aug 2011 05:30:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>v.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[há uma semana venho escutado somente as obras de mozart. talvez na esperança de ficar mais inteligente. eu deveria comprar baunilha para cheirar enquanto escuto e leio um livro de cabeça para baixo, li numa das minhas antigas playboys que &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2011/08/31/de-novidades-musicais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=835&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">há uma semana venho escutado somente as obras de mozart. talvez na esperança de ficar mais inteligente. eu deveria comprar baunilha para cheirar enquanto escuto e leio um livro de cabeça para baixo, li numa das minhas antigas playboys que essas são algumas formas de se exercitar o cérebro, criar novas sinapses, estimular as velhas. até agora, creio ter escutado cerca de cinco ou seis sinfonias, seus trios, quartetos e quintetos para piano, seus concertos para flautas, oboé e, agora, enquanto escrevo essas palavras, escuto um duo para violino e viola. devo admitir que é mentira que escutei somente mozart durante todos esses quase sete dias, escutei um pouco de bach, algumas músicas do pop rock mundial e, ao ler bukowski, achei justo buscar qualquer coisa de mahler e brahms, visto que ele citava seus nomes em sua obra. mahler me agradou, no entanto a gravação que tenho da sonata para piano nº1 de brahms não me caiu bem aos ouvidos, soando extremamente artificial e forçado, uma música mecânica, sem alma.</p>
<p style="text-align:justify;">não sou conhecedor ou entendedor de música erudita, nem de qualquer outro tipo de música, na verdade, mas sempre apreciei uma bela execução de instrumentos musicais e tenho muito apreço pela obra de beethoven, cuja nona sinfonia e a ode à alegria me fazem sentir arrepios cada vez que ouço, wagner, que sempre me faz pensar em seres potentes, poderosos, deuses, acima dos homens, subjugando-os, duelando entre si, e chopin, que compôs noturnos que (isso que estou para dizer é engraçado para mim) me fazem pensar em propagandas de margarina e genocídio, guerra, fome, tristeza, no frio e na escuridão se fechando sobre o homem de forma claustrofóbica.</p>
<p style="text-align:justify;">não acredito que mozart me deixará mais inteligente, nem mesmo espero isso como resultado de minhas intercorrências por sua obra. a verdade é que não tenho a concentração necessária para apreciar verdadeiramente a música que toca. não sei seu nome, não sei o que significa e nem seu contexto. apesar de ter assistido à primeira apresentação de ópera no estado de alagoas, no ano de 2006, uma obra de mozart, a flauta mágica, hoje já não me arrisco a isso por não ter domínio da língua alemã e ser incapaz de acompanhar a ação sem esse entendimento.</p>
<p style="text-align:justify;">o que quero, ao escutar as obras eruditas, é ter a possibilidade de novas experiências sensoriais para mim. uma melodia nunca antes ouvida às vezes nos chega aos ouvidos e é capaz de mudar aquilo que achamos de música e de nós mesmos. e descobrir mozart hoje, depois de mais de vinte anos da minha existência e duzentos e vinte anos depois de sua morte, me faz pensar no quão pouco eu sei da vida ao meu redor e na imensidão de coisas que existem, nunca contempladas por mim, nunca ouvidas por mim.</p>
<p style="text-align:justify;">há cerca de três ou quatro anos escutei a obra completa de vivaldi, mas hoje não me recordo de suas melodias e sou incapaz de identificar algum movimento de sua sinfonia das quatro estações ou suas sonatas para violino. além do mais, acho que o italiano não me passa o sentimento que esses germânicos me passam. chego a sentir falta de escutar beethoven depois de algum tempo longe de sua obra, sinto saudade, Sehnsucht, como eles dizem, desejo de mais uma vez escutá-lo, apreciá-lo, escutar suas notas pesadas e poderosas.</p>
<p style="text-align:justify;">apesar de todo o desconhecimento em relação ao assunto, a música clássica está incorporada ao mundo, há poucas pessoas que nunca escutaram um trecho que seja de um dos compositores por mim já citados nesse texto. podem nem mesmo saber o nome &#8211; como eu agora, ao descobrir com imensa surpresa que conheço desde que me entendo como gente Eine kleine Nachtmusik, Allegro -, mas já ouviram em alguma propaganda de margarina com uma família feliz e sorridente, ou em uma de sabonete no qual uma estrela da tv passa o sabonete sobre sua pele de forma delicada, ou mesmo em vinhetas de abertura de programas de televisão, até mesmo comerciais de refrigerante que colocam galinhas de computação gráfica destruindo a ode à alegria enquanto figurantes expressam mal o deslumbramento e interesse que deveriam fingir. tomo como fato que boa parte da população de alagoas já escutou carmina burana em algum momento da vida, afinal, trechos da obra sempre eram executados quando estavam prestes a exibir cenas fortes num programa policial dos idos de 2000. por sorte, minha geração foi privilegiada com a exibição de diversas animações que sempre lançavam mão das obras de vários compositores como trilha sonora em seus programas. lembro-me de rir muitas vezes no episódio de tom &amp; jerry em que nosso amigo gato se apresenta em um recital tocando liszt e o rato &#8211; quando eu era mais novo eu só torcia para o rato, mas hoje em dia, o tom me parece mai legal &#8211; dorme dentro do piano que será utilizado para tocar a rapsódia húngara número 2; recordo-me ainda de um episódio de pica pau em que ele encontra a barbearia do senhor fígaro aberta, mas o dono saíra para almoçar então o pássaro resolve tomar seu lugar e atender a clientela. durante todo o episódio, a trilha sonora é o barbeiro de sevilha, que também está presente em um episódio de pernalonga, onde o coelho massageia o couro cabeludo do hortelino troca letras com suas patas e orelhas. qual animação atual utiliza dos clássicos da música para entreter? temo pelo dia em que as crianças assistirão a desenhos animados cuja trilha será composta por gangsta rap e funk.</p>
<p style="text-align:justify;">há muito para ser conhecido por mim, especialmente, os brasileiros. minha eterna falta de conhecimento em relação à cultura do país onde nasci e fui criado. sou capaz de falar por horas sobre os maiores escritores estadunidenses e alguns da língua inglesa não norte americanos dos últimos cinquenta anos, mas não consigo falar dez minutos sobre qualquer obra contemporânea de literatura brasileira. e uso aqui a literatura porque é um assunto do qual já tenho certo conhecimento e um pouco mais de domínio que a música erudita. a esperança é que da próxima vez que eu resolva falar sobre qualquer coisa de música clássica, eu esteja mais familiarizado com ela. torcer por isso nunca é demais e não fará mal algum.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aposavirgula.wordpress.com/835/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aposavirgula.wordpress.com/835/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aposavirgula.wordpress.com/835/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aposavirgula.wordpress.com/835/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aposavirgula.wordpress.com/835/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aposavirgula.wordpress.com/835/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aposavirgula.wordpress.com/835/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aposavirgula.wordpress.com/835/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aposavirgula.wordpress.com/835/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aposavirgula.wordpress.com/835/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aposavirgula.wordpress.com/835/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aposavirgula.wordpress.com/835/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aposavirgula.wordpress.com/835/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aposavirgula.wordpress.com/835/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=835&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>a história.</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2011 02:42:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>v.</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">no início do dia 30 de dezembro do ano de 2006, um sábado, estávamos, eu e amigos, reunidos para celebrar mais um ano de vida de um dos nossos. o encontro tivera início na noite do dia 29, no térreo do eugênio I, o prédio que recebeu por tantas vezes nossas reuniões alegres e serviu de palco para incontáveis eventos que moldaram a vida de um número alto de pessoas importantes do meu convívio. gostaria de dizer que relembro de cada detalhe daquela noite, mas então eu estaria mentindo, e não me agrada faltar a verdade comigo mesmo. é provável que estivéssemos com alguns instrumentos musicais, porque sei que, ao fim desse dia, saímos da casa com uma das melhores versões da música &#8220;cálice&#8221;, do chico buarque, que já existiram, incluindo entre elas a original (a música que fizemos se perdeu no tempo, e hoje tudo o que tenho dela são as lembranças de quatro ou cinco jovens assistindo ao sol nascer e formando frases absurdas que se encaixassem perfeitamente na melodia já conhecida por todos).</p>
<p style="text-align:justify;">talvez tivéssemos conosco um filme. acho bastante provável que depois que recebemos o aviso que estava tarde demais para ficarmos aos cantos e berros na área comum do prédio, tivemos que nos retirar, mas sem a menor vontade de acabar com aquela noite, afinal, éramos jovens, estávamos de férias, era quase um novo ano e o sono poderia ser reajustado outra hora. resolvemos que o que quer que estivéssemos a fazer seria continuado no apartamento do meu amigo. 703. por volta de meia noite, demos início a uma sessão de filme que foi interrompida, lembro bem, pela mãe do anfitrião, a dona da casa, que surgiu saída de seu quarto para nos mandar tirar aquele filme da tela e ligar em qualquer canal de televisão, a história estava sendo feita: saddam hussein havia sido executado a uma hora da manhã do dia 30 de dezembro. assistimos ao vídeo de saddam pouco antes de ser enforcado, conversando com as pessoas ao seu redor, tranquilo, vimos seu corpo pendurado pelo pescoço, seu rosto inchado, sem o capuz negro tipicamente usado em enforcados.</p>
<p style="text-align:justify;">éramos jovens, o mais velho de nós completava 19 anos naquele dia, o dia da morte de saddam hussein. a guerra do golfo foi, para nós alguma coisa que aconteceu quando tínhamos 3 anos, enquanto aprendíamos as vogais, saddam hussein cometia alguns crimes contra a humanidade para pode enriquecer através do petróleo. crescemos e vimos o homem de bigodes constantemente presente em noticiários, sempre abalando a já abalável área do oriente médio, acusado de concordar com as ações tomadas por terroristas e protegê-los, primeiro ministro de um país que supostamente teria armas químicas não declaradas escondidas das nações unidas, deposto de seu cargo através de guerra, a primeira que minha geração pôde acompanhar do início ao fim com senso crítico e um melhor entendimento do que se passa.</p>
<p style="text-align:justify;">lembro de, poucos dias depois desse dia, escrever um poema que dizia que saddam hussein estava morto. lembro de caminhar no sol às seis da manhã em direção à parada de ônibus e do carro dos pais de um amigo ir embora com ele, que não dissera onde passaria a noite e estava prestes a receber sua punição. então, cheguei em casa, dormi, e vivi minha vida de alguma forma. o ano mudou e, no segundo dia de 2007, <a href="http://crapsiloqui.blogspot.com/2007/01/sh-morreu.html" target="_blank">escrevi que saddam estava morto</a>, que eu tinha visto tudo. o poema não tem nenhum significado, só achei que seria algo importante a ser registrado de alguma forma e não consegui deixar de achar que a notícia de que um dos homens mais caçados do mundo àquela época estava morto era um fato de certa forma poético, o fim de algum ciclo desses tantos que formam a vida.</p>
<p style="text-align:justify;">passei o dia 1 de maio de 2011 em casa. esses quase cinco anos que espaçaram a morte de saddam e a data escrita serviram para dar vazão a inúmeros acontecimentos na minha vida e na daqueles que me rodeiam; o mais marcante para mim talvez seja a mudança de cidades. foi um domingo e, depois de dois anos com o mesmo botijão de gás, ele final e infelizmente acabou na hora do almoço. naqueles dias, minha televisão ainda transmitia imagens desfocadas, descoloridas e cheias de chuviscos &#8211; hoje ela vive desligada exatamente por nem isso conseguir fazer. por volta de meia noite do dia 2 de maio, fui informado através de outra as invenções do tempo, o twitter, que o presidente dos estados unidos, barack obama, faria um pronunciamento ao vivo informando a morte do terrorista responsável pelos atentados do dia 11 de setembro, a completar 10 anos, na tarde daquele dia primeiro. era o segundo grande vilão da história que eu vi morrer, mas esse foi o primeiro que vi surgir, afinal, por mais que ele já existisse e cometesse seus atos de terrorismos antes de 2001, foi somente naquele ano que o mundo criou a mítica figura de osama bin laden e o terror ao seu redor. o homem que feriu os estados unidos em sua própria casa, torando-se o homem mais odiado no mundo pelas mortes de cerca de 2.200 pessoas em um dia, levando o &#8220;país da liberdade&#8221;  a uma guerra contra o terror e fazendo com que tropas fossem enviadas ao afeganistão e ao iraque, para trazer a democracia e acabar com o terror que essas nações traziam ao mundo. nos três primeiros anos da guerra do afeganistão,  entre 3,100 e 3,600 civis foram mortos em bombardeios das tropas americanas, mais 1,700 morreram nos idos do quinto ano de conflito, que durou mais cinco anos e elegeu um presidente com a promessa de que retiraria suas tropas dessa guerra, que se tornou indesejada pela maioria da população estadunidense.</p>
<p style="text-align:justify;">o presidente falou e eu ouvi. ele disse que as tropas americanas souberam há pouco da localização exata do esconderijo do homem mais procurado da terra, e invadiram sua casa, executando-o e dando um passo importante no caminho da paz. o mito morreu e eu só me disse: &#8220;é, amigo, osama está morto, o obama se deu bem.&#8221;, não fiz nenhuma elegia, não escrevi nenhum poema.</p>
<p style="text-align:justify;">quase cinco anos se passaram desde que saddam morreu e hoje ele e osama estão mortos. ultrapassando a barreira que pensei existir entre aquilo que está aqui e o que foi escrito, a história está acontecendo ao nosso redor e, como disse roth, todos nos tornamos parte dela, querendo ou não.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aposavirgula.wordpress.com/828/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aposavirgula.wordpress.com/828/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aposavirgula.wordpress.com/828/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aposavirgula.wordpress.com/828/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aposavirgula.wordpress.com/828/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aposavirgula.wordpress.com/828/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aposavirgula.wordpress.com/828/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aposavirgula.wordpress.com/828/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aposavirgula.wordpress.com/828/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aposavirgula.wordpress.com/828/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aposavirgula.wordpress.com/828/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aposavirgula.wordpress.com/828/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aposavirgula.wordpress.com/828/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aposavirgula.wordpress.com/828/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=828&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>a rua.</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 03:08:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>v.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[há vários homens trabalhando na rua agora. são quase dez e meia da noite de uma terça feira e eles, não sei exatamente quantos são, se três ou quinze, sei que estão usando ferramentas pesadas, algo que me soa como &#8230; <a href="http://aposavirgula.wordpress.com/2011/08/24/a-rua/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=826&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">há vários homens trabalhando na rua agora. são quase dez e meia da noite de uma terça feira e eles, não sei exatamente quantos são, se três ou quinze, sei que estão usando ferramentas pesadas, algo que me soa como uma serra elétrica, para consertar qualquer coisa que esteja errada com o asfalto da rua. se estão com os equipamentos de proteção individual adequados eu não faço a menor ideia, mas o mais provável é que não. há cerca de um mês, eles, ou seriam outros?, estavam a fazer um serviço semelhante em outro ponto da rua, a cerca de 20 metros do ponto atual, em frente a onde vivo. o som que fazem é o mesmo e, como da vez anterior, é provável que o trabalho siga até altas horas da noite e isso implique em muito barulho durante o sono. (recordo-me de levantar uma noite para ver o que diabos era aquilo que fazia tanto barulho e o motivo e me deparar com quatro homens vestidos de laranja, dois deles manuseavam uma britadeira, outro deles era responsável pela sinalização do local e outro conduzia um veículo pesado, algo para prensar o asfalto, talvez, a memória me falha e talvez esteja danificada devido às noites mal dormidas daquela época)</p>
<p style="text-align:justify;">a rua nunca é quieta. ela jamais se cala de verdade e ter esperança que ela se silencie é tolo como esperar um nobel de literatura para o dan brown, inimaginável como o completo desenvolvimento técnico-científico da áfrica e o fim da mão de obra barata. lá fora, a vida é expressada através do som ininterrupto de carros acelerando, freando, a disparar seus alarmes anti-furto, caminhões de lixo fazendo a coleta pela madrugada, caminhões de carga passando acima do limite de velocidade permitido para sua carga a soar pela rua, além de animais latindo, miando, gritando bêbadas, gritando drogadas; tem prostitutas falando entre si sobre seus problemas, sobre seus clientes, sobre os shows que frequentam para se divertir, para trabalhar, conversam sobre suas famílias, seus cafetões, seus filhos, suas coceiras, seus corrimentos, seus problemas, suas doenças, suas vidas; há vida na rua por toda a noite e juro que já ouvi vozes chorosas implorando, dizendo que não, não, depois uma porta de carro batendo e o motor do automóvel aumentando sua contagem de giros, soltando a fumaça do combustível pelo escapamento e deixando as marcas de pneu no asfalto e minha espinha fria, um suor brotando na minha testa ao pensamento que se eu colocasse minha cabeça para fora da janela da cozinha ou do meu quarto eu terminasse por ver qualquer coisa que me comprometeria, como vi tantas vezes nos malditos filmes que terminaram por moldar meu caráter.</p>
<p style="text-align:justify;">sempre passa ônibus na rua, não importa a hora que seja, sempre há um passando, mesmo que a partir de meia noite a passagem diminua a frequência e só passe de hora em hora, tem-se a certeza que um deles fará seus sons de chegada, ao longe, que aumenta conforme se aproxima do prédio onde moro, fazendo o chão tremer ao passar em frente e irá embora deixando atrás de si os resquícios dos ruídos de seu corpo pesado a se arrastar pelos buracos da rua, pelas elevações, as má formações, sempre fazendo o som inconfundível de um ônibus pesado com três ou sete pessoas dentro.</p>
<p style="text-align:justify;">os carros mais leves e as motos tendem a ser mais silenciosos, mas as exceções se fazem muitas vezes com motoristas que pesam a mão em buzinas à uma da manhã, ou que resolvem explorar o potencial de seus automóveis em plena madrugada, já que a rua está livre à sua frente como nunca acontecerá durante o dia, já que os semáforos estão todos prontos para serem ignorados, já que todos eles sentem que estão com o moral elevado o suficiente para não serem atingidos pela realidade: acidentes de trânsito acontecem a toda hora, por mais improvável que a hora esteja, sempre haverá um outro automóvel cruzando a avenida sem olhar se vem alguém, sempre haverá um caminhão que queimará a luz vermelha e atingirá um carro cujo motorista estava distraído e viu que estava verde para ele e seguiu, e então fugirá do local sem prestar socorro, deixando um homem sangrando entre ferragens.</p>
<p style="text-align:justify;">por cinco minutos a cada hora, há uma quase quietude lá fora. são os momentos em que acontece a introspecção da rua, quando ela resolve dar vazão à criação de seus pensamentos, sua autocontemplação, sua melancolia, enfim, o que quer que explique esses cinco estranhos minutos em que posso ouvir meus próprios pensamentos sem ser atrapalhado pelo som cortante de um motor.</p>
<p style="text-align:justify;">os homens da rua se foram, quase uma hora depois do início do trabalho, no entanto os sons da vida lá fora continuam, sem serras elétricas agora, mas com martelos se chocando contra pedras, dessa vez um pouco mais distante que esses 20 metros. eu poderia colocar uma música para mascarar tudo o que vem lá de fora, mas ela acabaria por se mesclar aos sons mais fortes e eu perderia as doces melodias para o som da vida real, o som do massacre que acontece lá fora a cada segundo, a me lembrar que estou aqui dentro, ouvindo, olhando, nunca participando.</p>
<p style="text-align:justify;">mas não me queixo de nada daqui de dentro, onde posso ouvir as histórias que a rua me conta, conversar com ela como se fala com uma velha amiga, como fazem os conhecidos de tempos. sento e ponho meus ouvidos atentos, ouço os assobios, os ruídos de passos se arrastando no asfalto, ouço as portas se fechando de maneira estrondosa em algum lugar da noite. a rua fala comigo toda noite, sempre a contar suas novidades, seus segredos. de dia sou só mais um entre tantos lá fora, mas, à noite, quando ninguém mais se dispõe a ouvir o que ela tem a dizer, sinto que sou o ouvido para quem fala a rua. às vezes ela fala mais do que eu gostaria, às vezes mais alto do que o ideal, mas ou se aceita ela do jeito que é, do jeito que vem, ou se tapa os ouvidos e dorme.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aposavirgula.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aposavirgula.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aposavirgula.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aposavirgula.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aposavirgula.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aposavirgula.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aposavirgula.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aposavirgula.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aposavirgula.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aposavirgula.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aposavirgula.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aposavirgula.wordpress.com/826/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aposavirgula.wordpress.com/826/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aposavirgula.wordpress.com/826/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aposavirgula.wordpress.com&amp;blog=20439901&amp;post=826&amp;subd=aposavirgula&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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