68

Ele veio do outro lado do aposento e jogou as duas doses direto no meu copo com gelo, do jeito que eu pedi.
– Muito bem, meu rapaz, agora me trás daquela cebola em conserva.
– Tá OK!
Eu sempre gostei daqui.Tem um clima bem familiar, o pessoal sentado na mesa em frente à minha, duas mulheres, uma loira e uma ruiva, ambas artificiais e um cara.O cara é casado com uma delas, que é irmã da outra.Ele é casado com a loira parece, mas tá comendo a ruiva e todo mundo sabe. Menos a loira, que mesmo se souber não parece se importar muito porque ela estava dando para outro cara, um negão, agora há pouco ali nos fundos. O negão também é conhecido, o nome dele é Vágner,quase 2 metros de altura, forte.Eu sempre jogo uma bolinha com ele aos domingos, grande zagueiro, com o perdão do trocadilho. Ele é casado com a minha vizinha, logo, ele é meu vizinho, ao menos seria se eu não passasse mais tempo no bar do que em casa.Tomo um gole do líquido amarelado, apenas para molhar o bico.
Aquela garçonete ali no balcão é a Carla, a maior ninfeta por aqui.Habita mais o sonho dos homens do que a Cléo Pires, e também é mais gostosa, mais natural. Carla é a filha do Seu Pasquim, um senhor dono de uma sapataria.A esposa morreu cinco anos depois que Carla, a filha única nasceu(a falecida tinha fama pelo bairro e dizem as más línguas que Carla é tão filha dele quanto o Flamengo campeão da Copa do Mundo).Essa menina, vi-a nascer, crescer, e agora virou esse mulherão.Meu Deus, obrigado pelo viagra!Graças a ele Você me deu a oportunidade de comer essa beldade e eu, que não sou nenhum idiota, aproveitei.Não vou contar detalhes, mas digamos que duas doses do 18 anos e ela estava “no ponto”.
Eu sou um cara respeitado por aqui, não tenho inimigos e todos me conhecem como Dr.Cleiton, apesar de não ser esse meu nome e de ter me aposentado há um bom tempo e desde então nunca mais ter pisado num hospital.Qualquer desavença pelo local mandam me procurar, eu tento evitar essas coisas, digo que estamos no interior,mas que não era para parecerem matutos e reportar as coisas direto na polícia.Geralmente eles não me ouvem, mas não custa nada repetir.
Conheci Joana quando ela passou pela cidade num carro esporte.Um daqueles de passeio que, na propaganda, escala até o Everest.Ela era a mulher mais linda que eu já vi na vida.Seus olhos cor de mel, sua pele dourada e pálida, seu cabelo castanho que escorria pelos seus ombros e cobriam seus seios enquanto ela brincava com as pontas duplas.Usava uma calça jeans, que ressaltava sua não abundância de quadris, compensado por sua cintura fina, e uma blusa que colava em seu corpo e faz perceber sua barriguinha perfeita. Seu olhar forte cruzou com o meu, encaramo-nos por pouco mais de 1 segundo, mas foi o suficiente para que ela domasse meu coração (não mais)indomável.Ela ajeitou o cabelo e então vi as mais belas orelhas que já havia visto em toda a minha vida! Que lindas orelhas, aquela mulher era perfeita, e não havia nenhum anel em seus dedos.
Aproximei-me.
– Olá!
– Olá…
– Passando pela cidade, ou veio para ficar?
– Só de passagem…
– Indo para onde?
– Para a capital.
– Mora por lá?
– É.
– Já morei por lá…
– Ah é?
– É.
– Que bom.
– Precisando de alguma coisa pode pedir. Chamam-me Dr.Cleiton.
– Joana.
– Quem sabe a gente não podia sair para jantar hoje a noite hein Joana?Está com pressa para voltar para casa?
– Não, estou com pressa.Obrigada.
– Olha só, pense duas vezes, sou um excelente cozinheiro.
– Ah é?
– É.
– Que bom.
– Certo, vejo que você realmente não quer provar minhas maravilhas gastronômicas.
Fui me afastando.
– Espere!
Virei-me com cara de cão pidão.
– Acho que posso ficar um pouco por aqui.
– Ótimo.O que você quer para o jantar?
– Surpreenda-me.
Mandei que ficasse me esperando às 18:30 na Igreja da cidade. Ela esperou.Jantamos, conversamos, nos divertimos então eu disse a ela tudo o que senti quando a vi. Acho que ela não esperava nada daquilo vindo de um desconhecdio, ainda mais qunado se tratava de um velho.Ela estava na flor da idade, 28 anos recém completados, e eu já estava no murchar da minha, 68. Ela disse que queria pensar um pouco. Dei-lhe todo o tempo que quisesse, desde que voltasse aqui na cidade para mais jantares daquele.A cidade não era longe da capital e ela disse ter gostado da minha comida. Não custava nada visitar um amigo, ainda mais quando o amigo é apaixonado por ela.Ela vinha sempre, até que um dia resolveu ficar.Larguei o amor pelo bar, arrumei-me, voltei a ser gente.Para que tudo isso, se meses depois, numa visita rápida a seus parentes na cidade ela morreu?
Joana só fez estragar minha vida.Por isso hoje estou aqui, observando a vida ao redor, fazendo o que posso e tantando fazer o que não posso.Por causa de Joana. De Mim e de Joana.
– Mais duas doses!

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8 respostas para 68

  1. anonymous disse:

    Luan: Pow vei, texto legal =)))) Sublinar talvez? AhuAEHuAEHuae

  2. tati_voronkoff disse:

    um pouco seco, realista, não faz meu estilo, mas tá legal, triste mas romântico sim =)

    =**

  3. anonymous disse:

    Noossa!
    e tem uma hora que todo mundo é parente, todo mundo se pegaa e a vida é uma fantasiaa! Oo
    éé o amoor! =p
    – Mais duas doses!

  4. anonymous disse:

    cara, ele se arrombou-se!
    e agora?
    o que será de dr. cleiton?
    num sie, num sei…

  5. anonymous disse:

    foudera!!!

    faltou um tchans nele… algo do tipo qnd ele conhece joana… falta algo aih… mas fora isso tah massa!!!

    flw man!!

  6. anonymous disse:

    oie pi…
    bem…espero que tu num fique chateado mas ao ler esse texto mais recente do teu blog tive a sensação que falta algo, sim, falta algo. Como muitos caminhos ainda precisam ser percorridos e bem, em relação de maturidade textual você de certa forma possui o que resta é o sentimento de falta. Mas falta de quê? Falta de experiencia? talvez. Falta de Veracidades Ficticias? Talvez. Mas acima de tudo falta de uma concretudo que aos poucos tu consegue. Seria injusto eu estar falando disso quando o texto em si vai melhorando e cai no disse-que-não-disse, no achismo de lugares comuns ou de eventualidades triviais. Mas o que mais me irrita é a falta de criatividade em certos anti-climax dos seus finais, na poesia tu é bom pra isso mas em textos longos freud coça a cabeça pra dizer “e agora josé”…sei lá…falta algo talvez como dizia a pobre e inveterada fumante de delirios etereos “A felicidade sempre ia ser clandestina para mim”
    ^_^
    abraços pi

  7. anonymous disse:

    Tah com um toque de Fante
    Largou os textos romanticos!
    Nada contra eles, mas agora vc pode colocar esses legais que vc dizia naum bater com o blog!

  8. anonymous disse:

    ‘..e não havia nenhum anel em seus dedos.’
    que sorte a dele! ultimamente só tenho visto pessoas com ‘anel nos dedos’, aquele bambolê de otário!
    auehuaheuhaeuhahueaueh

    cidade pequena tem dessas coisas né, todo mundo sabe dos podres de todo mundo! uma beleza!

    adorei mais esse!

    :*
    carol.

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