Fome

Um corpo foi encontrado ontem a noite num terreno próximo da minha casa. O cheiro de pólvora entrou pela fresta da porta e invadiu todo o apartamento, parecia que o tiro havia sido disparado aqui dentro, mas eu sei que foi lá fora. Eu estava lá. O corpo apresentava sinais de violência sexual, mas não foi nada demais, seus órgãos genitais haviam sido dilacerados. Seus olhos não estavam nas órbitas oculares, mas em seu punho fechado. Azuis como o céu. Suas unhas foram arrancadas, e seus dedos lixados, seu maxilar deve estar queimado em algum lugar longe dali, a língua solta estava sendo arrancada por um desses pássaros carniceiros, que se alimentam da desgraça alheia.
E eu podia imaginar perfeitamente a cena, podia sentir o cheiro podre invadindo minha narina, fazendo até com que eu sentisse o gosto daquela carne pútrea. E eu sinto como se eu tivesse olhado bem fundo nos olhos quando estes ainda eram vivos e visto toda a vida que havia neles, e visto a dor e humilhação que surgiram e visto a vontade de viver ali e eu me senti como se tivesse o poder de escolher se ele viveria ou se morreria. E então eu lhe dei a morte.
Ele só foi encontrado por que os vizinhos estavam reclamando da quantidade de urubus nas redondezas e resolveram procurar a carniça de algum bicho morto. Encontraram um pouco mais que isso.
Seus membros estavam cortados, serrados em partes e dispostos aleatoriamente pelo terreno, seu intestino dava voltas no seu pescoço como se formasse um colar macabro. O mais incrível de tudo: seus pés eram a parte encontrada mais intacta. Foram separados da perna e postos ao lado como se fossem calçados.
Era uma cena linda, digna de pintura.
E tudo isso daria um maravilhoso filme não é mesmo?
Algo Hollywoodiano, cheio de suspense e exploração psicológica, quem foi o assassino? Por que ele fez isso? Quem era a vítima?
Uma pena que tudo isso seja real demais para o cinema.
A magia disso só pode ser transmitida quando se está lá, quando se sente o jato de sangue no seu rosto. Quando você toca o intestino ainda trabalhando, quando você arranca a jugular, quando você vê a morte na sua frente e ela não pode te pegar.
Real demais para ser um sonho.
Real demais para ser real.

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8 respostas para Fome

  1. anonymous disse:

    tchaaaaa
    isso da um cena de filme noir
    quando sair o scrpit me chame.

  2. anonymous disse:

    puts !!!
    por um momento achei que fosse real !!!!
    adorei …

    =D

  3. anonymous disse:

    A magia disso só pode ser transmitida quando se está lá

    sem comentários man…venha pra minha casa jogar play 2 e chame o xoxo, o gus e tal hunf

    ¬¬’

  4. otuku disse:

    Cara… quase um augusto dos anjos só q sem a poesia, só a visseralidade… uma coisa meio Fique-alerta ou outro programa desse q passa na hora do almoço…

    hauhauhauah

    Flw..

  5. anonymous disse:

    por acaso o assassino é vc?
    ou melhor, o autor 😡

  6. anonymous disse:

    macabro não? mas gostei 🙂

  7. anonymous disse:

    Mermaooooo pedro, q texto fodistico!!!!!! =D tu nasceu pra escrever sobre isso!!! deu ate vontade de locar uns filmes! ahuahauhauahauahu
    flw man!

  8. anonymous disse:

    “Real demais para ser real.”

    foda!

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