finalmente.

“A existência é aleatória. Sem padrão a não ser o que nós imaginamos depois de contemplar tudo por muito tempo. Sem sentido a não ser o que escolhemos. O mundo desgovernado não é moldado por vagas forças metafísicas. Não é deus quem mata as crianças. Nem o acaso que as trucida nem o destino que as dá de comer aos animais. SOMOS NÓS. Só nós.”
Alan Moore

não estamos aqui para culpar ninguém. sabemos que a culpa é toda nossa, dividida igualmente entre todos, como nunca se fez com a comida, com as riquezas. sabemos que não temos a quem culpar se não a nós mesmos. então culpamos as entidades cósmicas.
o diabo quem fez. pobre diabo, os demônios do inferno não devem saber metade das artimanhas que sabem os homens, não imaginam um terço das formas de tortura. eles são crianças tentando ser más, enquanto nós somos o mal encarnado.
não se deve, porém, sentir-se mal por existir. se não fosse você seria outro alguém no seu lugar. então, se você tem “pão na mão e ar nos pulmão” você pode ser considerado uma arma em potencial feliz.
então, há quem diga que deus é o cara que te pôs no mundo. se ele te pôs no mundo ele devia estar tendo uma crise de risos, porque olhe só para você…mais parece uam piada ambulante! uma bela embalagem para um produto inútil. você e mais seis bilhões pensam, um processo igual em praticamente todos. e o que te diferencia da pessoa que você odeia com todas as forças é praticamente nada. e é esse o valor que você tem para qualquer um no mundo. sejamos realistas, daqui a 200 anos ninguém vai se lembrar de você ou desse texto que está lendo agora. você pode nem ligar no momento, já que não tem planos nem para amanhã, mas um dia, quando você estiver percebendo que sua vida inteira passou e que você não fez nada com ela, você vai chorar por ser esquecida. e não haverá deus nenhum para te criar de novo. ele te jogou aqui com uma única chance, que você provavelmente vai desperdiçar.
agora encaremos os fatos, não foi deus nenhum que te jogou no mundo (a não ser que você idolatre seu pai ou sua mãe como deuses, mas eles não são). foi seu pai que numa noite ou tarde ou dia, pegou sua mãe de jeito e ejaculou dentro dela. talvez ela nem tenha gozado, talvez nem ele tenha gozado, aproveitado o prazer, talvez você seja o fruto de uma ejaculação precoce, um coito interrompido mal interrompido, uma rapidinha no elevador, sem compromisso. enfim, você não é nada importante e, por mais que digam que é, estarão mentindo para te consolar.
se tivesse sido deus que te jogou na terra, qual o motivo dele para ter feito isso? fazer você viver sua vidinha de merda, comer suas comidas, transar com suas mulheres e seus homens, encher a cara, trepar ainda mais. e depois o que? depois tomar vergonha na cara e trampar feito um filho da puta maluco por trabalho? não. deus não te fez. deus não te quis. somos filhos do caos.
nós matamos, nós roubamos, nós estupramos, nós guerreamos. nós construimos prédios e os destruímos com nossas bombas. nós pintamos quadros que não dizem nada, que não são nada, e os vendemos por preços exorbitantes enquanto milhares de pessoas morrem de fome ou alguma doença em todos os cantos. nós cantamos música alegres, que exaltam o alcool, o sexo, as drogas enquanto matamos milhares de inocentes em uma guerra contra o que é aclamado nas músicas. o homem filma filmes, onde mostra tudo o que quer, do mais extremo pornô à mais bela e sensível película. e nós escrevemos livros, centenas deles, onde falamos toda a merda que quisermos, onde dizemos estar com medo do amanhã, onde chamamos deus de filho da puta e anunciamos sua morte, onde diz-se que tudo o que existe é sem sentido, onde dizemos que deus nos colocou aqui por nada. escrevemos livros de prosa e de verso. ficção e não ficção. e escrevemos sobre nós mesmos e nossos profundos eus. talvez deus tenha mandado você para a terra para escrever um livro sobre como é se sentir deslocado no mundo. sobre como é triste se sentir sozinho no meio de tantos, ou qualquer coisa do tipo.
não.
deus não mandaria alguem para fazer tanta merda.

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6 respostas para finalmente.

  1. anonymous disse:

    É bem verdade tudo isso, a culpa é toda nossa, mas mesmo depois de tudo isso eu ainda ME AMO tá?! 😛
    hehehe

    :*:**

  2. anonymous disse:

    cara…
    tomar no cu é uma arte!
    a gente sempre sae q vai tomar no cu, mas mesmo assim se surpreende sempre qnd acontece!
    talvez tomar no cu seja mais do q arte…

  3. anonymous disse:

    o anterior foi meu.

    força e honra man!

  4. tati_voronkoff disse:

    aprecio a revolta, e gostei muito do texto até a metade mais ou menos, mas aí perdeu-se um pouco, apelou um pouco, mas enfim, essas coisas não importam né, tem gente passando fome.

  5. anonymous disse:

    pideto talvez não lembre de mim, talvez sim.sou julio, aquele cearense do cursinho do ano passado. Redescobri teu blog fussando outros. isso. e acabei de ler esse escracho texto. esse espacamento social. esse início de crise existencial, enfim.kkk.pois é.
    olha eu tô com um blog tb. depois aparece por lá. vou por teu link lá.
    o site é:
    http://www.donadaparaonada.blogspot.com

    valeu.
    té mais
    senhor

  6. Mina disse:

    Porra!
    Às vezes, eu quero falar tudo isso e não dá, porque eu digo que meu estilo de escrita não permite. Mas ai, Kai, que coisa linda.

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