Sob a luz da lua (Querida, você quer dançar?)

“quer dançar?”
“quero, claro.”
ele levanta da cadeira, vai até sua direção, estende a mão esperando pela dela e dá um sorriso do tipo: “vamos dançar?”
ela sorri meio tímida, olha pros lados, abaixa os olhos, pega a mão estendida e se levanta devagar
andam de mãos dadas em direção ao centro da pista de dança.
“e agora?” ele diz.
“agora você me conduz”
agora ele coloca sua mão na cintura dela e começam a dançar. eles ficam balançando de um lado para o outro. porque música lenta não precisa de nada além disso. nada além de balanços e passinhos.
agora, tudo o que dizem, tudo o que há para ser dito, é dito no ouvido um do outro.

“agora eu vou dizer algo inteligente e engraçado e você vai dar um sorriso daqueles que vêm com um lindo brilho nos olhos.”
passinho pra lá, passinho pra cá. quase no ritmo da música.
ela sorri e mostra os olhos brilhantes.
agora ele elogia seus olhinhos brilhantes e seu sorriso que acabou de fazê-la dar. e diz que parecem olhinhos de noite serena, dois jarrinhos de flor.
e ela adora as referências e elogia seus conhecimentos musicais e depois deita a cabeça no seu ombro e continuam se balançando de um lado para o outro.
e começa everlong acústica.
“essa música é linda demais. hello. i’ve waited here for you…everlong…”
“não, vamos cantar uma que eu sei.”
“come down and waste way with me down with me…”
ela continua deitada, se sentindo uma idiota por não saber cantar com ele.
ele pára de cantar, ignora a música e diz para ela: “é bom estar aqui com você.”

“é bom estar aqui com você também, principalmente pelo fato de eu me sentir mais segura estando com alguém que sabe cantar a música.”
ele sorri.
a música pára no meio. uma moça canta rapidamente sobre uma menina e quadris e sobre colos, rapidamente, e quando a musica volta, é outra
“por isso, cuidado, meu bem, há perigo na esquina”
e essa, ela sabe cantar.
“eles venceram e o sinal está fechado para nós que somos jovens…”
e ele dá um beijo no topo da sua cabeça, logo acima da testa, no cocoruto, talvez até mesmo nuca.
“porque eu gosto de beijos na cabeça.”
e ela fico arrepiada até o último pelo do seu corpo e o chama de bobo, mas morrendo de vergonha.
“contando vil metal…”
“hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude”
“e agora?” ele pergunta baixinho ao seu ouvido “o que fazemos?
e ela, baixinho, quase susurrando.
“não sei, mamãe me ensinou que é o homem quem deve decidir essas coisas.”
e ele sorri. ele realmente solta uma gargalhada.
“eu não sou bom com decisões desse tipo. geralmente eu erro. o que você acha que deve ser feito? porque as músicas lentas já acabaram…”
“eu acho que a gente deve dançar mais e só fazer alguma coisa quando os dois tiverem certeza do que querem fazer.”
então começou jackson 5.
“ABC easy as 1 2 3.”
aí ela pede para ele “me leva pra casa.”
saem da festa.
vão para o estacionamento.
“uhul, gatxénho, você tem um carro.”
e ela ri e, se ele ruborizasse, estaria vermelho agora.
“é da mamãe.” ele diz meio tímido e meio risonho.
e ela tira os sapatos no caminho.
lá, ele abre a porta do carro para ela.

entram no carro.
“a gente não tem som. vamos ter que conversar todo o caminho. espero que você não canse do meu papo até lá.”
“impossível.”
e ela diz que ele deveria comentar algo sobre aquele refrão estranho dos quadris que tocou no meio de sei lá que música.
“hm…e aquele refrão estranho dos quadris que tocou no meio de everlong hein? achei a voz da moça bem bonitinha. parece com a tua.”
“eu achei meio estranha. esganiçada demais. e a moça cantava com uma preguiça. e a música era esquisita também. e você me deixou falando sozinha.”
“é que tem que ficar atento nesses sinais. desculpa.”
ele coloca a mão sobre a mão dela, olha no fundo de seus olhos para pedir desculpas.
ela fico sem saber o que fazer com as mãos, mas segura um dos seus dedos de leve antes de tirar a mão de baixo da dele e sorrir dizendo que tudo bem
ele volta ao trânsito por um momento. dobra uma esquina.
“sabe…estou enrolando…eu não sei onde fica a tua casa. espero que você me diga…”
“bem… você podia ter me dito antes. Afinal, já passa das 3h e minha mãe deve estar me esperando. Mas eu estou gostando tanto de ficar errando pela cidade com você… pode virar à esquerda ali na próxima rua que eu vou te explicando.”
ele vira à direita na proxima esquina.
“uma volta a mais, uma a menos…né verdade? eu gosto da sua companhia e não quero que acabe agora.”
ela ri alto e diz que ele é louco. Depois alerta que é a última volta, porque está mesmo tarde e é perigoso ficar andando por aí a essa hora da madrugada
ele diz que não. diz que a essa hora os ladrões devem estar dormindo.
ela diz que confio nele, mas que tem medo e que está frio, além de tudo.
então, dão a volta pelo quarteirão e chegam no ponto em que ele teria que dobrar à esquerda e dobra.
“explica, então…”
ela aponta uma drogaria e diz pra ele virar à esquerda quando chegar nela. depois, pede para virar à primeira à direita, passar por uma praça e depois parar na quarta casa da rua.
É ali.
ele vira à esquerda na drograria, à primeira direita, passa pela praça e pára na frente da casa. desliga o carro, desce, abre a porta para ela e estende a mão.
ela desce e esquece de pegar os sapatos, dá uns pulinhos que ele acha lindo e ela acha estúpido e diz que está frio.
ele ri. pega os sapatos no carro.
“quer que eu te leve até a porta?”
“os sapatos! Obrigada por lembrar. Quero que me leve até a porta, sim, claro, faço questão da sua compania até o último momento.”
“certo, quer que eu leve acompanhando ou quer que eu carregue até a entrada? o chão está frio. e teu sapato nem tá nos teus pés, tão na tua mão.”
e ele sorri e ri. ri da própria piadinha infame.
ela ri o dobro e diz que seria pedir demais querer ser carregada, mas até que não seria má idéia. depois se surpreende com a sua ousadia e começa a andar devagar, indo na frente enquanto o puxa pela mão.
“sabe…eu adorei esta noite com você…”
eles chegam à porta.
ela pára, fica de frente para ele, pega os sapatos, olha para ele bem nos olhos.
“também adorei, a gente precisa fazer isso mais vezes.”
“precisamos mesmo…”
ele ri, parece que está um pouco nervoso, está desviando um pouco o olhar.
“precisamos mesmo…”
e ele olha fundo nos olhos dela, esperando alguma coisa. um consentimento para qualquer coisa. ou apenas um boa noite.
ela balança a cabeça mordendo os lábios e diz: “então…”
ele dá um passo à frente só para sentir um pouco mais o calor que emana dela antes do boa noite e diz, sorrindo: “então…” um sorriso de “então agora vou repetir o teu então porque não sou bom com essas partes.”
ela dá outro passo, se aproximando, coloca as duas mãos apoiadas nos ombros dele, uma de cada lado, e fica semi-sorrindo.
“eu diria que esse sorriso está dizendo alguma coisa, mas eu não sou muito bom com essas coisas de sinais. mesmo tendo gostado do filme…”
e ele sorri com esse trocadilho broxante. pensa que tudo está perdido. se aproximo e é como aquele cara gordinho de hitch…o que é apaixonado pela loira rica. quando ele sai com ela e ele espera pelo final do encontro quando ele faz aquele beicinho tosco. só que não há o beicinho. ele não faz beicinho. é que a situação parece, não a forma. ele tenta, então, se aproximar mais. e mais. e mais.
ela desliza as duas mãos pelos seus ombros, depois pelo peito e de volta aos ombros.
então acontece o que acontece. o que deveria acontecer nessas situações.
“boa noite.”
“boa noite.”
e ela entra.
e ele vai.
no caminho até o carro pensa em como ele sorriu demais aquela noite toda. e se sente envergonhado por parecer tão nervoso. mas é assim que as coisas são.
liga o carro e vai.
dobra à esquina e a rua fica em silêncio.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

7 respostas para Sob a luz da lua (Querida, você quer dançar?)

  1. Diogo disse:

    man, esse foi o texto mais viajado q tu ja escrevesse ahuahuahuahauhau acho q superou o dos ornitorrincos
    força e honra o/

  2. nelson disse:

    poooooooorraaaaaaa

    q ambiente heim?!

    e q final brochante!!!

    putaquepariu!!!

  3. Luan disse:

    Se tivesse rolado um beijo eu quase ia dizer que você traiu o movimento dos mal-amados man.

    Isso me fez lembrar Bossa pra Nessuno, meu aniversário de 2006, Sol, Fausto, Wherther. Curti, man.

    Força e Honra |,,|/

  4. Mina disse:

    Dude, essa mocinha era um tanto quanto maria-gasolina, hein?

    Cuidado com mocinhas desse tipo… Cuidado.

  5. carol disse:

    que encontro bonitinho, romance meio que infantil. enfim, coisas que raramente acontecem hoje né?!
    gostei do detalhes todos : }

    beijos primo!

  6. Lah Leite disse:

    aahhh ahhh ahhh!! não é, não é brochante!
    é lindo é lindo é lindooo!!

    aahhhh!!!

    eu amei pv, amei tanto qnt amo ’10 coisas q odeio em vc’
    =DDDDD

    =**

  7. Tatii disse:

    hehehe. achei engraçado. e como disseram aí em cima, essa minina é maria gasolina mermo, ahauahuaha =p. eu voei com a referencia de alguma musica com algum quadril sei lá, nem assisti hitch, blé. q comentario mais inutil o meu. foi engraçado qdo começou a tocar jackson 5. hehehehe.

    =*

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s