You're just too good to be true. (ou de como ela é boa demais para ser verdade e me faz escrever e roubar o que escrevi dela.)

“Ele é bom demais pra ser verdade por ir dormir quando eu estou acordando ou por me fazer acordar quando estiver indo dormir. Ele é bom demais por morar num enorme casarão onde os sonhos só têm vez e a vida, não. Ele não é verdade por ditar o ritmo da minha fala e por limitar excentricidades, por não gostar de poodles e ser homem de uma letra só, às vezes duas. Ele é bom demais para ser verdade por perguntar insistentemente como as coisas vão sem querer, de fato, saber. Bom demais por não ser loiro e nem moreno, ser algo como o meio e pertencer a mim. Bom demais por falar manso com vozes enfurecidas e por chegar em casa sempre na hora certa, sempre com ares de pensei-em-você-o-dia-todo e sempre pronto para exigir massagem nos pés. Bom demais por gostar de massagem nos pés.”

E ela é boa demais para ser verdade porque ela tem um sorriso que ilumina meu dia e minha noite. Boa demais para ser verdade, boa demais para ser minha, só porque tem o corpo mais quente, só porque é melhor que qualquer cobertor, que qualquer aquecedor. Ela é boa demais para ser de verdade porque não há verdades como ela no mundo. O mundo é mau. O mundo é mentiroso e ela é simplesmente boa, boa em essência, boa demais simplesmente para existir. Por isso, às vezes, penso que ela não existe. Só porque ela é muito boa.

“Ele é bom demais pra ser verdade por despreocupar-se com todas as coisas que não merecem preocupação, tipo a bolsa de valores ou a quantidade de sal da comida. Ele é bom demais por viver de clorofila, chás, sucos, folhas e toneladas de carne vermelha. Ele não existe por ser contradição, por ser o inverso do que realmente é e por apaixonar pessoas sendo do avesso. Ele é bom demais por ser alto alto e muito alto e por ter o poder de não me machucar sempre que me abraça e me obriga a olhar pra cima, pros olhos dele. Ele é falácia por ter olhos pequenos e ameaçadores, assim como os meus e por sorrir demais em noites de valsa.”

Ela é boa demais pra ser verdade simplesmente por existir. E mesmo que ela resolvesse deixar de fazer isso continuaria sendo. Porque ela tem aquele jeito só dela de dizer as coisas que quer dizer, com vergonha, sem vergonha, do jeito que bem entender. Ela é boa demais para ser verdade porque tem todas as manhas e todas as manhãs. E tem todas as horas só para ela. Ela é boa demais para ser verdade porque ela lê para mim os livros que lê, canta para mim as músicas que ouve, fala comigo as palavras que pensa. E o mais importante de tudo é que ela é boa demais para ser verdade porque ela gosta de mim.

“Ele ainda gosta de valsa. Ele prefere as danças fáceis que exigem apenas proximidade e nenhuma habilidade excepcional com assuntos de baile. Mas ele dança, ainda que pouco. Ele dança e faz piadas inteligentes enquanto isso. Tem sempre as melhores referências e sempre guarda um bom comentário na segunda gaveta do criado-mudo. Ele me faz perceber o que é leveza e me faz usar construções estranhas como bom de estar junto, bom de ouvir, bom de ver, bom de assistir, bom de obedecer, bom de seguir, bom. Ele é bom, bom em essência. Ele é base, ele é o começo de todas as coisas boas que Deus sequer pensou em botar no mundo.

Ela gosta do que eu gosto e gosta do que ela gosta e me atura mesmo eu não gostando do que ela gosta. Ela é boa demais para mim ou para o mundo porque ela senta na frente da janela para olhar a chuva cair e me liga pra dizer que a chuva está caindo de uma maneira engraçada e que, se você se distrair por um momento, você poderia pensar que está chovendo de baixo para cima. E ela tem essa imaginação fantástica que me faz querer sorrir e só. E é por isso que ela é boa demais para ser verdade, porque ela me faz querer sorrir sempre. Sorrir apesar de tudo, apesar do mundo. E, além de sorrir, ela me faz cantar, dançar, pular, correr. E ela mora em cada um dos detalhes de tudo o que há. Por isso eu a vejo em todo o lugar. Ela é boa demais para ser verdade porque ela existe em todo o lugar só para mim.

“Ele é modesto, sincero e esconde tudo atrás de uma descontração e uma falta de compromisso apaixonantes, viciantes. Ele é de uma naturalidade inacreditável, ele é do tipo de homem que te assiste andar de pijamas pela casa pensando que você é linda, que você pe indiscutivelmente a melhor mais linda do mundo. Ele não liga se te encontrar despenteada e mesmo que faça alguma piada sobre o assunto, fará a piada mais inocente e mais doce que você já ouviu. Ele é bom demais pra ser verdade por se permitir chegar perto de mim, por se permitir não ter medo e por aceitar participar de cada etapa humilhante desse eterno jogo que eu adoro jogar. Ele é bom demais pra ser verdade porque é quase melhor com hipérboles do que eu e porque é insuportável. É insuportável como quando algo brilha demais e fechamos os olhos por não suportar, é insuportável como quando algo é simplesmente bom demais para existir.”

Ela é boa demais por ser ela e ninguém mais.

“Ele é bom demais porque me faz querer ser cada vez mais, o tempo todo, em mais e mais lugares diferentes.”

Ela é boa demais porque sempre me deixa sem palavras depois do 4º parágrafo.

“Ele é bom demais porque sempre quer deixar os finais pra mim.”

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6 respostas para You're just too good to be true. (ou de como ela é boa demais para ser verdade e me faz escrever e roubar o que escrevi dela.)

  1. Ju disse:

    =]

    sim.

    meUs parabénS!

    Sem dúvida, o melhor dos textos aki já escritoS ; )

    pq Amar e ser amado é TudO. é bOM DEMAIS

    faz a vida ficar doce como o mel e os sonhos serem sempre os melhores de todoS

  2. carol disse:

    simples e lindo!
    : }

    :*

  3. Tatii disse:

    ouxente preaí fiquei toda confusa 0o. vc escreveu tudo, ou os inclinadinhos sao de outra pessoa? ou o contrario? ahhhhhhhhh

  4. Ju disse:

    ah ja leu “a menina que roubava livros” de markuz suzak?

    eu acho q vc acharia interessante. a descritividade lá do autor nas coisas. os detalhes.

    percebi q vc é detalhista nas tuas narrativas aki.

    e critico tb.

    o livro traz um tanto disso.

    sugestao: read it

  5. nelson disse:

    man…
    força e honra.

  6. Leal disse:

    Sabe quando algo é bom, bom mesmo, e você tem que ler de novo?
    Pois é.
    Gostei desse texto duas vezes 🙂

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