"detalhes tão pequenos de nós dois…"

porque eu ouço e reouço a mesma música que me faz pensar em como seria tudo aquilo que deveria ser e como seria se tudo aquilo que poderia ser, que deveria ser, acabasse assim do nada. e eu tenho medo dessas coisas de acabar porque tudo acaba e acabar é tão triste. e eu não chego a ter medo da morte. a morte é o fim, eu estou pronto para os fins, mas sempre dói saber que o fim de alguma coisa que você gosta tanto está tão perto… olhar nos olhos de uma pessoa pela última vez e ver que ela está chorando e fechando os olhos para você não vê-la chorando…

eu tenho problemas com a morte. tenho problemas com finais e despedidas. é sempre ruim demais para mim. prefiro não dizer nada, simplesmente seguir em frente. eu não gosto da idéia de dizer um adeus, de saber que amanhã aquela pessoa e eu não nos veremos mais. é difícil explicar tudo isso e eu não vou chegar nem perto de tentar qualquer coisa do tipo, mas quando ela vem para tirar coisas de você…dói mais do que arrancar órgãos sem anestesia. lembrar todo dia daquela pessoa ali dói, mas perceber que nunca mais, nunca mais na sua vida inteira, de agora em diante, você poderá novamente sentir seu cheiro, ouvir sua voz, sentir sua pele…

e eu acabo de lembrar do sinal que havia. aquele sinal no braço. eu não lembrava dele até agora. eu lembro que eu brincava com o sinal, que olhava para ele. lembro do cheiro perto do fim, lembro e não era bom. mas valia a pena por estar ali. e lembro do som que seus passos faziam pela casa, lembro das mudanças que sofremos para nos adaptar lembro de muitas coisas e tudo veio agora por causa da tristeza que o fim causa.

mas eu não estou triste agora, não…eu me sinto feliz por lembrar de tantas coisas. e, mesmo tendo sido vítima do choque da realidade – que é como um carro a 300 por hora batendo de frente num avião a 700 por hora -, eu me sinto bem em saber que eu tenho todas as lembranças.

eu nunca tive futuro. nunca tive o futuro nas minhas mãos, nunca soube como seria amanhã. e eu posso até saber quais são meus planos para amanhã, mas eles nunca serão exatamente como você pensa que serão. os detalhes, sempre eles, fazem tudo e você não tem controle sobre eles. você nunca tem o futuro. nunca tem o presente que passa tão rápidinho. é a velha coisa óbvia de sempre, o agora passa e se torna ontem. eu tenho repetido isso desde que eu percebi isso e isso já faz um bom tempo. a única coisa que eu tenho é meu passado, minhas lembranças. e eu fico triste com isso. fico triste por saber que só tenho elas e que elas me falham às vezes, que me fazem esquecer um timbre, um cheiro, uma cor, um olhar, os detalhes…os detalhes…

porque o que faz a vida de verdade são os detalhes que você não planeja, os detalhes que você não lembra. os malditos detalhes que são vistos depois de muito tempo observando. mas você nunca tem muito tempo para observar a vida. ela passa voando mais rápido do que os olhos possam ver.

e chega por agora. chega por hoje.

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3 respostas para "detalhes tão pequenos de nós dois…"

  1. Tatii disse:

    que massa esse texto, gostei mesmo :]
    mas alguem morreu??

  2. Lah Leite disse:

    sabe, eu chego a gostar do fim, pv. o fim é tão reconfortante, às vezes. saber q a vida tem um fim me leva a qrer vivê-la mais, a esperar o fim sempre, como se ele estivesse bem aqui pertinho, como se tudo eu devesse fazer antes dele finalmente chegar bem alegre. pq o fim chega alegre, nós é q ficamos tristes com ele. mas, sim, o futuro é uma merda. o presente tenta ser mas n é nada. e o passado é o único que serve pra algo, mas acaba por nos fazer sentir que nós somos uns merdas por só termos a ele, e não ao futuro. e os detalhes são bons. traiçoeiros, mas bons. eles levam a gente a ter certeza de q alguma coisa vale a pena. ou não.

    eu gostei do txt =D

    =***

  3. elisa disse:

    eu gosto dos seus textos, cara.
    e olha que eu sempre leio quase tudo o que tem aqui.

    pelas coisas que tu escreve, me lembra demaais um livro chamado ‘O amor é uma dor feliz’, leia, se possível =}

    ;*

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