do lua e da sol.

olhando a foto dela. aquela foto que ela fez só para ele. olhando ela e pensando em como ele seria feliz com ela ali a seu lado. pensando nas coisas que fariam entre paredes e fora delas. pensava em como seria pouco todo o tempo que teriam juntos pensava em como ele poderia estar com ela ali, com ele, segurando sua mão, ajudando ele a sobreviver. mas não, ela não estava.
a cama balançava levemente com os movimentos que ele fazia, rangia baixinho, quase inaudível. o único som que se ouvia era o barulho de carros. carros buzinando, carros cheios, carros vazios, carros que sozinhos são silenciosos, mas que são uma bomba de som nas mãos de homens.
ele estava com saudades. sentia um imenso vazio em si e, por causa disso, enchia o mundo de saudades. sempre e muito. o mundo inteiro estava cheio das saudades dele. seu quarto estava escurecendo, suas coisas jaziam no chão sujo. suas coisas sujas de tanto tempo, porque o tempo suja as coisas. o tempo deixa mais marcas que ferro em brasa na pele nua. tudo ali naquele quarto estava sujo pelo tempo. o tempo fedia, no quarto dele, parecia começar a apodrecer. entre cuecas sujas, calças sujas, camisas sujas, meias sujas estava a alma suja dele pensando nela.
ela que não estava com ele. ela que nunca sairia de onde estava. ela que nunca estaria ali.ela que nunca existiu, nunca existiria, nunca existirá. ela que nunca deixaria de existir. ela que não era real, não era de papel, não era digital.
olhando a foto dela o tempo todo. a foto que ela tirou só para ele. aquela foto dela sorrindo um sorriso lindo que nunca existiu. branco como o mais puro branco. e ele encarava o pedaço de papel onde havia a foto de coisa alguma, a foto do vazio e, contemplando sua imensidão, derramava lágrimas e lágrimas de saudade no lençol sujo, manchado de tudo o que pode manchar. ele fechava os olhos e a via em sua cabeça. e via toda a perfeição de tudo aquilo antes de haver o tudo. e ele, então, via ela.
ela que era a utopia da utopia. a prefeição criada por alguém perfeito. ela que era a personagem mais querida de um livro há muito escrito. ela que já via visto de tudo com olhos que nunca viram nada. ela que…ela que… ela que deixa todos sem palavras, sem pensamentos, sem amores que não ela.

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3 respostas para do lua e da sol.

  1. diogo disse:

    poxa, man, ficou massa \o/

  2. nelson disse:

    “suas coisas sujas de tanto tempo, porque o tempo suja as coisas. o tempo deixa mais marcas que ferro em brasa na pele nua. tudo ali naquele quarto estava sujo pelo tempo. o tempo fedia, no quarto dele, parecia começar a apodrecer. entre cuecas sujas, calças sujas, camisas sujas, meias sujas estava a alma suja dele pensando nela.”

    essa imagem ficou mto foda!

    tipo um olhar raro sobre o tempo cara! ficou foda demais!!!

  3. carol disse:

    fotografias são boas lembraças.
    lindo! : ]

    beijos primo!

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