luz. (para S.)

era uma vez uma garota que fazia as coisas terem sentido. e não só terem sentido, mas brilharem e fazer com que elas transmitissem esse brilho adquirido a outros, fazendo com que o mundo inteiro se iluminasse só pelo fato de ela existir. essa garota existia para iluminar vidas e guiá-las para o melhor. e era só isso que ela queria da vida, tanto para ela quanto para seus próximos e, talvez até, para todo o mundo – já que seus raios chegavam a atingir pessoas que nunca sequer a viram.
essa garota tinha um sorriso lindo, daqueles que mais ninguém no mundo inteiro poderia ter, como é a palavra…único. é isso. ela tinha um sorriso único e nada, aparentemente poderia apagar esse sorriso tão lindo (o que não era bem verdade, como puderam ver uns poucos cidadãos durante poucas horas que eles esperam nunca mais se repetir). quando ela sorria, seus pequenos olhos acendiam com uma chama que…bem…eu falei demais de fontes de luz, mas é que essa garota é como uma estrela. bem…imagine uma estrela no céu. imagine o sol que é a única estrela encontrada até agora que tem um planeta com vida orbitando a seu redor. pois bem. essa garota era o sol. e havia vida que precisava do calor dela, do brilho dela. é por isso que tanto se fala se luz quando se fala nela, porque ela é o sol, só que muito mais importante, porque o sol só tem a terra orbitando, e nela há planetas e planetas e planetas e planetas. cada um com vida inteligente, interessante, talvez até necessária. e a chama de seus olhos era a chama que fervia o núcleo desses planetas, que fazia cada um deles perceber que mesmo quando não valia a pena girar ao seu redor para gerar um dia e uma noite e fazer a vida seguir em frente, valia a pena sempre estar ali perto dela se aquecendo no conforto dos seus braços e palavras e olhares.
essa garota tinha sonhos maravilhosos. sonhos que pessoa nenhuma no mundo seria capaz de dizer que não são belos. até porque pessoa nenhuma no mundo poderia sonhar tão belamente quanto ela. ela sonhava das coisas mais simples – príncipes de reinos distantes prontos para salvá-la desse mundo que ela sabe que não é bom, mas mesmo assim sabe que vale a pena – aos mais complexos de todos – vidas salvas, filhos, casamento -, sonhos e mais sonhos e mais sonhos que têm perdido seu espaço no hall de sonhos mais sonhados, mas que ela mantém em em seus devidos lugares porque ela sabe das coisas que valem a pena, porque ela sabe o que é certo, o que é bom para si, sabe também o que é errado e o que é ruim para si, ela sabe das coisas que muitas pessoas passam anos e anos e anos, e vidas e vidas e vidas sem nunca perceber, mas ela foi capaz de ver e, muitas vezes sentir na pele, todas essas coisas (porque para saber das coisas, deve-se tomar consciência e, às vezes, isso acontece das piores formas possíveis).
essa garota também amava. amava porque sabia que sem o amor é imóssível seguir iluminando vidas, sem o amor é impossível até mesmo escrever esse texto. ela sabia que se não houvesse isso, o amor, tudo o isso não estaria aqui. e era por isso que ela amava, porque queria que as coisas estivessem onde estavam, mas ela também queria que muitas mudassem, ela queria que seu amor fosse o suficiente para que todo o mundo fosse de um jeito bom como ela sempre quis em seus sonhos (porque ela também sonhava, às vezes, com o mundo perfeito), mas ela sabia que, por mais amor que houvesse, por mais forte que ele fosse, não conseguiria agir para mudar tanta coisa num mundo como o que ela vivia. e ela queria, queria muito que todos soubessemos que o que já falaram e já cantaram era a mais pura verdade, ela adoraria que o mundo aceitasse que ele poderia viver bem só com o amor. mas ela sabia que isso era impossível, o amor, por mais eterno, mais forte, mais lindo que seja, não consegue mudar tantas pessoas. porque havia pessoas no mundo dela além dela e das pessoas que a cercavam. havia pessoas demais. e pessoas são diferentes demais. pessoas demais, diferenças demais…no fim de tudo nada nunca dá do jeito que devia.
essa garota, um dia, cansou de as coisas não serem nunca do jeito que ela queria. cansou de seus sonhos serem frustrados por pessoas iguais a ela, que deviam ajudar seus sonhos a se tornarem realidade, mas não o fazem, apenas atrasam e atrasam e atrasam, enquanto dizem que, mais tarde vão ajudar a fazer aquela coisa que ela pediu há séculos e que ela aceitou que ele nunca faria e por isso fez tudo sozinho, porque fora seus planetas, seus amigos de verdade, ela não podia contar com a ajuda de seres que prometiam se unir a ela mas nunca cumpriam a palavra. uma dia ela cansou de tudo isso e resolveu mudar. resolveu que ia ser indiferente a boa parte das coisas, resolveu que ser a boazinha não era bom para ninguém, especialmente para ela, e ela viu que deveria ser do jeito que ela sempre pensou que não deveria ser. arrumou suas coisas, falou a seus planetas de seus planos, falou que nunca iria de fato embora, que haveria ali uma marca, um espaço para ela, quando ela voltasse, em cada um de nós e foi.
eu, que estava perto, fui sentindo aquele calor, aquela luz aumentando, e me abraçou. abraçou-me e tomou-me, atraiu para si os planetas mais próximos, para torná-los parte de si. abraçou cada um de nós, amigos, planetas, sorriu seu lindo sorriso uma última vez e foi prometendo voltar. voltar não se sabe quando, não se sabe como, voltar para que nós todos nos encontrassemos mais uma vez e sorrissemos com as coisas da vida, do universo e tudo mais. ela se foi numa supernova duma tarde de outubro. estaremos esperando e esperando sempre prontos para orbitar ao redor dessa estrela maravilhosa.

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3 respostas para luz. (para S.)

  1. nelson disse:

    “era uma vez uma garota que fazia as coisas terem sentido. e não só terem sentido, mas brilharem e fazer com que elas transmitissem esse brilho adquirido a outros, fazendo com que o mundo inteiro se iluminasse só pelo fato de ela existir.”

    começou foda!

    dps foi indo.

    força e honra

  2. Meus agradecimentos e venerações... disse:

    PARA SEMPRE, OBRIGADA! ^^

  3. Lah Leite disse:

    “e era por isso que ela amava, porque queria que as coisas estivessem onde estavam, mas ela também queria que muitas mudassem”

    aahh, o amor…

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