"No dia mais claro…"

no meio do nada ele disse que precisavam conversar seriamente. Ele disse, que fique claro. “porque às vezes é necessário um pouco de conversa”,  ele se justificou.
“então…eu quero saber o que anda acontecendo.”
“acontecendo? como assim?” ela parecia não saber do que estavam falando. ela convenceria qualquer um disso, ela ganharia o troféu imprensa – melhor atriz –  o oscar até, se a vida de ambos fosse um filme, mas era apenas uma novela brasileira sobre mutante: absurda e pobre.
“bem…se você realmente não sabe do que estamos falando, isso deixa tudo um pouco mais complicado. seria mais fácil se você me dissesse: ‘também quero conversar, acho que é necessário. tem muita coisa acontendo, meu bem. e eu preciso contar para você porque senão…senão eu posso…’ não sei. eu não sei o que você pode e o que não pode fazer e é exatamente por isso que estou perguntando o que anda acontecendo.” ele olhava para ela com calma. não havia sequidão em sua voz. não havia farpas para machucá-la, ele apenas estava sendo sincero.
“eu não estou entendendo o que você quer dizer. eu não entendo o teu ponto. não sei o que você quer que eu diga, de verdade.”
“bem…ponhamos isso de um ponto que você possa entender bem. eu quero saber o que você anda pensando, quais são teus desejos, quero saber dos teus planos para o futuro. porque…bem…porque acho que você já sabe de toda a idéia de futuro que eu tenho, não sabe?”
“sei?”
“bem…meu futuro, meu bem, é você. e eu te vejo aí e penso em como o meu futuro pode ser lindo, mas aí penso em tudo o que meu futuro pode aprontar para me destruir.”
“eu nunca te machucaria, meu bem. eu te amo.”
“você me ama agora, mas até quando? até quando o teu amor será o meu amor? até quando você irá se satisfazer comigo? até que momento você vai me agüentar? até eu fazer uma piadinha que você não gostar envolvendo um pneuzinho ou coisa do tipo? porque eu vou fazer, você sabe que eu não perco uma piada. e, além da piada, seria horrível, até mesmo pior, muito pior, infinitamente, perder você. e só a idéia dessa perda, a idéia de você se cansando por causa de alguma coisa besta. porque só haverão coisas bestas, você sabe… uma privada levantada, uma toalha molhada, um completo caos organizado para mim. porque você sabe…você que vive comigo há anos e anos sabe que eu sou assim, completamente irresponsável. você sabe que tudo o que toco corre o inexplicável rsico de criar fungos e vermes. e eu quero saber…até que ponto você está disposta a ir. porque ter o teu amor agora e perder ele amanhã…isso parece doloroso demais para mim. e acho que para qualquer um isso pareceria igual.”
“eu não digo que vou te amar para sempre. porque eu não sei o que é para sempre…mas eu digo que vai ser lindo enquanto durar. eu digo que eu vou te dar todo o amor do mundo e ainda mais. eu digo que você pode sonhar e sonhar e sonhar, mas aqui, comigo, você vai ter a melhor coisa que a realidade pode te dar. e não só você. eu também terei, e terei muito mais porque estarei com você…”
“você me vem com essa idéia tão vinícius de que seja eterno enquanto dure…é tão epicurista…e isso não é a tua cara. mas tudo bem… e você me diz que não acredita no para sempre, mas me dá uma noção de eternidade que eu nunca tive. você me faz pensar que para sempre é estar com você até o fim, de agora em diante, sempre. para sempre, todo o sempre. e terminar junto de ti uma vida que, por mais dura que tenha sido, valeu imensamente a pena só pelas coisas que conquistei. as pessoas que conheci, as coisas que aprendi e você, a pessoa que amei. não que eu não tenha amado espiritualmente outras pessoas, meu bem, mas é que você…você…bem… você é mais bonita que uma refinaria da petrobrás de noite, e é mais bonita, mais bonita mesmo, não quase, mas mais, que a revolução cubana. (porque convenhamos, eu nunca fui tão chegado ao comunismo quanto você). e esse bonita eu não uso como físico apenas. não não não. eu sei e você sabe e você sabe que eu sei que há mulheres mais gostosas por aí. eu nunca escondi essas coisas de você. muito pelo contrário, eu sempre comentei com você como a bunda daquela mulher era linda ou como os peitos daquela outra eram firmes. eu sempre fui cara de pau. sempre fui sincero. e é só isso que eu quero que você faça comigo. quero que você seja o mais sincera que você pode ser. quero que me jogue a verdade na cara como quem cospe na cara de alguém que se odeia. quero que você me trate bem e mal. quero que você me diga essas verdades que me fazem tão bem.”
“você pede a verdade como se vivesse numa piscina de mentiras. mas você tem que entender que eu não sou de mentir. você tem que entender que eu construí todo um mundo baseado em verdades, e é lá que nós vivemos. é lá, longe de todas essas coisas do mundo que tentam nos corromper com mentiras e mentiras e falsidades e coisas do tipo, que nós vivemos. é lá, acima de tudo que estamos. e é você quem segura minha mão. e segurar minha mão não é para qualquer um. e beijá-las não é para qualquer um. e ninguém além de você o faz. ninguém merece tanta intimidade.”
ela pegou a mão dele, apertou-a e beijou-a. olhava fundo nos olhos dele enquanto fazia isso.
“eu não entendo o porquê disso tudo agora…” e ela falava baixo, muito baixo.
“é porque eu sou um idiota incerto. é porque eu quero que você me faça perceber que eu sou quem ama menos nesse relacionamento, porque é assim que funciona. eu sei, eu já estive aí, eu sei que, no momento em que o homem ama mais, ferrou. eu sei. e eu não quero não te amar. eu quero amar mais e mais e mais. e quero que você ame mais e mais e mais, mas eu não sei os limites. eu não sei os teus limites. eu não sei de nada. só sei que quero passar o resto do tempo com você, lado a lado. só sei que eu quero envelhecer com você. tudo o que eu quero é andar de bicicletas com você, ficar acordado até tarde e assistir a desenhos. você lembra da vovó mafalda? da tv colosso? você lembra da manchete? você lembra das coisa que éramos naqueles tempos? eu lembro de você. você sentava longe de todos. você pintava suas coisas sozinha, desenhava sozinha, brincava sozinha. você é sozinha desde o começo. eu tenho medo que você queira ser assim até o fim. eu tenho medo que você diga não a isso.”
“isso o quê?”
e foi ali que ele ajoelhou. e ela soube. e seus olhos marejaram. sabia que havia todo um juramento. sabia o que isso significava para ele e o que queria dizer para ela. sabia das responsabilidades. ela sabia aceitar as responsabilidades e, conhecendo-o bem como conhecia, sabia que, para ele, todas as responsabilidades que ele estava prestes a tomar por conta própria, aquilo tudo já era, em si, uma prova de amor maior do que qualquer outra que ela possa imaginar.e ela sabia bem o que dizer.
“no dia mais escuro, na noite mais clara…”

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4 respostas para "No dia mais claro…"

  1. ogoid disse:

    mt bom! =D

  2. carol disse:

    gostei tanto! 😀

  3. Lah Leite disse:

    aaaaahhhh!
    mto lindo!
    =’)

  4. Isabelle disse:

    :~~~~~~~~~~~~~~~ Que lindo! seria uma HQ foda!

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