caminhando e…

o sol batia em seu rosto cheio de espinhas. ele suava, suava e suava. era meio dia e ele não sabia de onde estava vindo a energia que fazia com que seus músculos se movimentassem. “finalmente esta gordura toda vai ser queimada para me dar energia”. andava com imensa dificuldade, em parte por estar machucado, em parte por ter preguiça, em parte por se sentir cansado, em parte por tentar se dividir em tantas partes que parte nenhuma dele conseguiria se sustentar se não se unisse uma com as outras. ele não era muito unido consigo.

ele tinha fome, sede, sono, preguiça, medo, ansiedade. ele tinha de tudo naquele momento, menos o que ele mais queria ter. ele queria ter a mulher que ele pensa que é a mulher de sua vida em seus braços. ele queria poder beijá-la e abraçá-la e cheirá-la e tocá-la e tê-la e saboreá-la.

mas mal sabia ele que ela, naquele momento não estava onde ele pensava que ela estava, não estava onde ninguém pensava que estaria. não sabia ele e o resto do mundo que ela não passava de algo que ele criou para poder não se sentir tão só quando chegasse em casa. alguém para ser seu objetivo de vida. ele criara uma vida para poder seguir com a sua, de tão insuportável que ela se apresentava.

não, ele não sabia que tinha tais problemas. nunca percebera que as horas que passava falando com ela onde quer que fosse eram horas faladas consigo mesmo. fala que eu te escuto e ele escutava o tom de voz dele pensando que era ela quem falava as coisas bonitas e ele escutava sua própria voz falando as coisas que ele sabia que diria sempre. porque ele dizia as mesmas coisas sempre.

ele não sabia também que enquanto andava para casa, onde sentaria na frente de um computador e ficaria ali por horas e horas e horas sem fazer nada, jogando paciência, ouvindo as mesmas músicas que já ouviu alguma vez, pensando nas mesmas coisas que pensa sempre: a vida, o universo e tudo mais.

ele não sabia de muitas coisas. não sabia que seus amigos todos estavam longe, não fisicamente, mas emocionalmente, e quem se afastou não foram eles, mas ele que os afastou, os jogou para longe com seu muro de impassibilidade.

ele era um homem que se via garoto. era um garoto que não queria crescer, não queria ser homem, queria ter sempre seus 16 anos onde não havia responsabilidades e a vida se resumia a vagabundar e bater punheta.

não que agora fosse muito diferente do que era, mas agora há cobranças. e cada vez menos tempo para a punheta.

Anúncios
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

6 respostas para caminhando e…

  1. diogo disse:

    terminou da forma q eu não esperava q terminasse
    cada vez menos tempo pra punheta ahuahuahuahuahauahah
    força e honra o/

  2. carol disse:

    ”terminou da forma q eu não esperava q terminasse”
    pensei exatamente isso!

    a vida é cheia desses confortos que a gente cria né

    beijos primo! ; }

  3. Lah Leite disse:

    e eu ia dizer exatamente o q já foi dito, então não digo mais não! só digo que eu pensei q dps do título vinha:

    “… e cantando e seguindo a canção…”

    ;***

  4. Mina disse:

    Ô, tristeza… Fique com as goiabas, então.

  5. nelson disse:

    “andava com imensa dificuldade, em parte por estar machucado, em parte por ter preguiça, em parte por se sentir cansado, em parte por tentar se dividir em tantas partes que parte nenhuma dele conseguiria se sustentar se não se unisse uma com as outras. ele não era muito unido consigo.”

  6. nelson disse:

    só esquci d comentar…
    hehehehehhehe
    foooooooda o trecho!
    e realmente terminou diferente do previsto.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s