Quem sabe…

o silêncio reinava entre os dois. mas não havia só o silêncio entre eles, havia a frieza. mas era só o silêncio que amplificava cada um dos passos dados por eles. o silêncio é um rei impiedoso, seu punho de ferro é conhecido por muitos. ele é respeitado e temido. o silêncio diz tudo aquilo que ninguém tem a coragem de dizer quando todos sabem que é preciso dizer uma coisa que será incômoda. o silêncio sabe das coisas, é sábio.

o sol agora estava aqui em baixo e descia mais e mais e mais. logo logo o sol estaria lá, do outro lado, pronto para outra vida, outras pessoas, outros momentos. logo logo ele não estaria mais aqui para os dois. ao pôr do sol, as mãos não mais dadas, braços cruzados, andando lado a lado, ele toma a frente dela.

“talvez as coisas que eu queira dizer não precisem de explicação, talvez tudo o que eu tenha aqui para dizer só possa ser sentido e só possa ser transmitido através desses sentimentos. talvez tudo o que eu verdadeiramente queira explicar seja que quando eu beijo você eu não sinto seus lábios nos meus lábios, eu sinto mundos se unindo, galáxias se juntando, sinto que se o mundo acabasse agora eu estaria feliz, porque sabia que tinha você comigo. eu não tenho que explicar nada, não tenho que saber explicar nada. cada um de nós deve aprender a sentir. você sabe sentir?”

ela olhou para ele bem fundo nos olhos. qualquer um poderia dizer que ela estava prestes a rir. um daqueles risos irônicos que dizem: “se eu sei sentir?”

“se eu sei sentir?. sim, eu sei sentir. sinto que você não sabe de metade do que está falando, sinto que você é feito de sonhos e desejos, sinto que você não percebe o que tudo o que a gente é verdadeiramente representa ou representou ou representará. você não faz a mínima idéia de como eu me sinto com você. não, não sabe. mas não é por falta de explicação. eu sempre expliquei. sempre disse que estar com você me fazia feliz, me deixava querendo sempre mais e mais e mais. à noite eu penso em sempre estar com você. sempre. mas eu vejo que não é impossível explicar as coisas. e eu só queria ouvir você dizer, você explicar tudo o que sente.”

“você não faz idéia do que é para sempre…”

“não sei? então me ensine o que é para sempre.”

“…dá a mão.”

ela não chegou a dar a mão, mas ele a tomou. andaram de mãos dadas novamente. ele na frente puxando ela que se deixava guiar meio na defensiva, desconfiada.

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8 respostas para Quem sabe…

  1. JH disse:

    porra!
    tá melhor que seriado isso aqui vei!
    tomar no cu!
    =~~

  2. Lah Leite disse:

    mas n existe o para sempre…

    e o texto ta super ultra foda, como sempre =)

    =***

  3. nelsonnetto disse:

    “o silêncio reinava entre os dois. mas não havia só o silêncio entre eles, havia a frieza. mas era só o silêncio que amplificava cada um dos passos dados por eles. o silêncio é um rei impiedoso, seu punho de ferro é conhecido por muitos. ele é respeitado e temido. o silêncio diz tudo aquilo que ninguém tem a coragem de dizer quando todos sabem que é preciso dizer uma coisa que será incômoda. o silêncio sabe das coisas, é sábio.”

    esse começo tá muito fooooda!!!

    pra um especialista em finais, vc manda muito bem nos começos!

    força e honra!

  4. Tatii disse:

    oxe que massa esse final
    gostei demais!

    e sobre o silencio, ele é mto macabro, tenho medo.

  5. Mina disse:

    “(…) que quando eu beijo você eu não sinto seus lábios nos meus lábios, eu sinto mundos se unindo, galáxias se juntando, sinto que se o mundo acabasse agora eu estaria feliz, porque sabia que tinha você comigo.”

    Depois disso não tem que explicar mais nada, nadinha.

    A gente aprende a lidar com os silêncios, eles não são tão ruins assim.

    Continue, continue…

  6. Mina disse:

    Não era pra sair essa coisa sorridente aí.

  7. carol disse:

    esse silêncio me dá medo também

    continue siim
    ; ]

    beijos

  8. diogo disse:

    é curioso como tu evidencia o infinito que cada um é, como não conseguimos, por mais queiramos, apreender o outro em sua totalidade. não poder representar o outro com conceitos definitivamente é aquilo que mais assusta, mas que ao mesmo tempo nos fascina. daí a dificuldade em definir o que se sentia naquele momento, porque é uma situação anterior a qualquer tipo de conceituação, é o real em toda sua concretude.
    força e honra man o/

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