A Frase.

existe uma sentença poderosa que, dita por uma mulher, pode dominar os sentimentos de um homem de forma tão selvagem que eles se tornam incontroláveis e incontíveis. algo tão forte que um homem pode chegar a verter secreções depois de ouví-la. a forma como é dita sempre é importante, é necessário prestar atenção quando ela é dita, como ela é dita, todas as expressões, o franzir de testa, o rubor de leve sob as delicadas maçãs do rosto, o leve baixar de olhos que revela uma vergonha e constrangimento que enche qualquer homem de orgulho. os detalhes fazem a cena ser mais importante ainda. para alguns ela pode parecer trivial, mais uma frase de dia a dia, algo banal como “bom dia” ou “acabei de almoçar e agora vou cochilar”, mas todos os homens sabemos que não é bem assim que funciona. muitas mulheres escutam a frase vinda de nós e, para elas, não deve fazer diferença, não desperta nelas os mesmos sentimentos que em nós. quando a tal frase atinge os ouvidos masculinos, significa muito mais que o amor de “eu te amo” dito ao ouvido como num segredo entre o casal de amantes numa noite enluarada ou qualquer desses clichês românticos de amor. o que foi dito, independente da intensidade da voz, se foi gritado com orgulho extremo ou baixinho, com uma vergonha extrema capaz de impedir de olhar nos olhos ou até mesmo de falar qualquer coisa depois disso, ou até mesmo vir escrito num bilhete de papel, dobrado e passado da mão da mulher para a do homem; não importa. o que importa é que é muito mais poderoso que um eu te amo que será repetido à exaustão, com ou sem significado real. já o que é dito por ela a nós é lisonjeiro e euteamo nenhum pode superar uma coisa assim.
eu ouvi alguns eu te amos na minha vida, devo dizer, n’alguns poucos acreditei, na grande maioria não. ainda assim, a maioria dos que quis crer, pensando que eram verdadeiros como a mona lisa do louvre, pareciam-me meras mentiras mal elaboradas se comparadas às sentenças proclamadas por aquelas poucas mulheres que abriam suas bocas e articulavam as palavras de forma não tão sensual quanto deviam ser, mas da forma precisa como deviam ser ditas. lábios se movimentando lentamente, cada fonema sendo pronunciado de forma inconfundível, cada um a seu tempo exatamente como deveria ser.
então, como se por brincadeira de algo maior que nós, a natureza da mulher, sente-se o cheiro dela. não o perfume nem nenhum desses odores artificiais de flores mortas e essências do tipo, mas seu cheiro de verdade, o verdadeiro, que vem da carne e ossos, aquele que quase nos faz sentir o sabor da mulher em questão. não há o que se fazer quanto a isso. apenas fechar os olhos e saborear a atmosfera criada.
não há nenhuma situação específica para se escutar a frase. qualquer momento ela pode ser dita. com ou sem aviso prévio, elas parecem dizer isso quando sabem que estamos indefesos, jantando, passeando, indo dormir… umas mulheres ainda nos dizem isso ao telefone numa voz sussurrada que quase se perde no caminho. outras nos dizem quando estamos deitados com elas, dentro delas, ela se inclinando, alcançando o ouvido e dizendo. não há reação. paramos e entramos em tilt. pane completa. nossos programas realizam uma operação ilegal e precisamos reiniciar pressionando ctrl alt del duas vezes. nossas cabeças explodem. e quando percebemos a importãncia daquilo, logo depois do choque inicial, nossos egos inflam e chegamos tão perto do paraíso que nos achamos deuses na terra.
depois do que é dito atingir a consciência e se fazer entender, o que deveria ser uma confidência é espalhado aos amigos de confiança – e às vezes nem tanta – dos homens em questão, numa busca por respeito por ser exatamente a pessoa que escutou o que escutou. respeito por ser quem é, e esperança de que um dia todos os amigos escutem algo semelhante para sentirem a alegria que é escutar isso das suas mulheres (ou até mesmo não sendo das mulheres deles, mas de qualquer mulher, o que é até melhor, mais inesperado).
e, no exato momento em que elas enunciam as palavras, não importa o que estejamos fazendo, perdemos o rumo. esquecemos o que estamos lendo, que música cantarolávamos, qual o nome daquela moça que você conheceu num bar um dia, como é que faz para se manter em pé e onde fica a boca para que possamos fechá-la. danamo-nos a pensar no momento. não aquele em que ela nos diz, mas o que ela executa o ato. imaginamo-na deitada na cama, sozinha numa noite quente demais para se usar muita roupa. ela usa uma camiseta e uma calcinha de algodão. nada além. imaginamos suas mãos passeando pelo corpo, explorando cada centímetro até que uma delas resolve se enfiar na calcinha, roçando seus pêlos recém aparados, escuros como a noite que a lua não toca, mas que conhecemos bem só com a imaginação, os vemos às centenas, eriçados. os dedos passam de leve por sobre eles, movimentando-os, mas se preocupam mais em alcançar o que os pequenos lábios protegem. conseguimos imaginar cada movimento, inicialmente lentos e ritmados e progredindo na freqüencia e intensidade conforme o tempo vai passando. a respiração que era calma e tranqüila começa a ofegar, sentimos – como se fosse possível na realidade sentir tais coisas – seu pulso acelerar e nos é claro o sangue tingindo sua bela face do vermelho mais intenso. seus dedos estão molhados, os olhos dilatado. ela finalmente sente que pode se acalmar, que a morte veio mas passou. há um sorriso em seus lábios. é exatamente esse sorriso que mais esperamos. é o reconhecimento, nossa recompensa. saber que abria sua boca, mordendo de leve os lábios, gemia e quase proferia palavras naquele silêncio só dela por nós é prêmio que nos é dado. não há um preço para isso. não há amor no mundo que se compare a, na nossa ausência, sem aparente porquê, uma mulher se tocar com nossa imagem em mente.
então, para que a imaginação fique completa, se torne quase real, pedimos detalhes. quando, onde, como, por quê… deus, você quer saber as coisas todas, os motivos que ela talvez não dê valor, não saiba explicar.
no exato momento em que se volta à realidade e a mulher que acabou de nos tornar deuses está na nossa frente, pensamos em como deveríamos restribuir tal gesto. dizer que também havia se tocado pensando nela, ou se ainda não o fez, irá fazê-lo assim que tiver a primeira oportunidade (masturbar-se pensando nela se masturbando enquanto pensa em você, algo completamente egocêntrico, não é mesmo?), não adianta porque as mulheres não dão o devido valor a essas coisas quando vêm de homens. então sentimos uma vontade de amá-la, tomá-la nos braços e jogá-la na cama onde passaremos a noite inteira juntos. e, no final da noite, com o sol quase nascendo lá fora, pediremos a ela para que ela se toque para que possamos assistir a tudo aquilo. ela ri. começa a brincar consigo mesma e com as sombras, quase como duas pessoas, e o que ela tocava as sombras tocavam, erguiam os braços por sobre ela, prontas para segurá-la firmemente. por instantes, pensamentos de que ela jamais conseguirá se desprender dos braços ao seu redor passam na nossa mente. um medo que jamais conseguríamos explicar e que quase nos envergonha. continuamos assistindo àquela bela cena, a mulher que se toca porque pedimos, para que vejamos como ela gosta do que está fazendo. ela nos observa, abre um sorriso sapeca, morde os lábios inferiores, geme de leve, diz nosso nome entre esses leves barulhos excitantes porque somos nós quem ela quer. não há eu te amo ouvido no mundo que supere o sentimento que nos inunda no exato momento em que nosso nome é dito entre gemidos de prazer. é como um presente de natal e aniversário acumulados e entregues num dia só. é como assistir a um universo criar vida em poucos segundos. algo gigantesco e divino.
as mulheres nunca entenderão o poder de tal sentença porque nós homens proferimo-na com tanto descaso e tanta naturalidade que a elas parece desimportante entrar no hall de mulheres pela qual um homem bate punheta, um hall em que atrizes pornôs, artistas da tv e completas desconhecidas se degladiam numa eterna briga no gel. elas jamais saberão o que há de tão especial em coisas assim, se perguntarão, talvez, por que é mais precioso que um eu te amo, se elas podem muito bem se tocar por um cara que não amam. e os homens… nós sorriremos sabendo que explicar não adiantaria, cada um sabe bem o que sente e palavras nenhuma seriam capazes de retratar a verdade. talvez elas ainda consigam relembrar certos aspectos dos pensamentos e emoções sentidas, mas não conseguiriam passar disso.
às mulheres fica o esclarecimento que a frase dita pode dominar homens como nenhuma outra pode fazê-lo. depois dela, os homens vão se derreter antes seus pés. vão te agradecer sem perceber e, pensando que são deuses, tratar-te-ão como deusas, ou ainda mais, como as criadoras dos deuses. mas tudo tem uma validade, até a divindade. depois de um tempo queremos saber se outras se tocam pensado em nós. depois de escutada uma vez, a frase precisa ser repetida, mas por outras mulheres de cabelos longos e negros, curtos e vermelhos, amarelos que batem no ombro, novas vozes, novas depilações. então, talvez, pouco depois do endeusamento, seja bom vocês nos trazerem de volta à terra dos mortais. às vezes é necessário ferir para mostrar que se importa (e só o faça se realmente se importa, se realmente nos amar. se não é o caso, nos abandone no olimpo).
traga-nos de volta à realidade, mulher, com uma mão suave e firme. como quem sabe o caminho de volta para casa, guie o menino que se perdeu. diga palavras gentis e nos mostre que podemos perdê-las se não nos agarrarmos a vocês. façam isso se nos querem, se nos amam. e, se nós as amamos perceberemos facilmente que não vale a pena outras vozes, outros rostos. mas é sempre bom se sentir como um deus.

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6 respostas para A Frase.

  1. nelsonnetto disse:

    bem…
    fato.
    de resto você já sabe.

    FH

  2. Marden disse:

    Falou e disse, man.
    Não há nada mais belo no mundo, nada que sequer possa alcançar o efeito dessa frase.
    É o apice da existencia masculina.

  3. Luan disse:

    O melhor de se sentir um deus, é fazê-la chegar mais perto do inferno.

  4. Sarah disse:

    um ‘eu te amo’ é muito melhor de ouvir!
    hahahahhaha

  5. Lud disse:

    eu gosto mais do ‘eu te amo’ também, mas é interessante esse ponto de vista, se levarmos em conta o quanto pode ser constrangedor fazer isso na frente de um homem. só com mto amor mesmo. :~

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