tudo o que você conhece parte I.

há uma lenda contada de ouvido em ouvido que diz que as coisas não são como nós acreditamos que são. essa lenda é a maior verdade que alguém poderia carregar consigo.

antes de existir tudo o que existe, havia o nada. e o nada reinava sobre a existência, ele era tudo o que havia e existia desde sempre, até o momento em que decidiu que estava cansado demais para continuar existindo como o nada que era e resolveu que já era tempo de deixar de ser. então, o nada, sendo o que era, se tornou tudo o que existe e que se conhece, tornou-se o universo, a vida, e todas as coisas mais, cada uma a seu tempo. não foi uma experiência que se diria divina, não houve um deus que disse para se fazer a luz ou verbos se fazendo carne nem sopros quentes formando tudo. foi apenas o bom e velho nada se transformando facilmente em tudo o que existe por puro cansaço, a mais linda preguiça de existir.

então, como costuma acontecer quando nada deixa de existir, começa a haver alguma coisa. a primeira coisa que surgiu, no entanto, foi um tanto inesperada. quando se esperava que existisse uma estrela, um mundo, uma planta, uma coisa bonita como uma pintura ou até mesmo uma nuvem de poeira, veio uma explosão. não que essa explosão – bem grande, por sinal – tenha sido feia ou qualquer coisa assim, porque, pra falar a verdade, se assistirmos a uma delas de uma distância segura, podemos ver que até conseguem ser bastante bonitas. o que ocorreu, no entanto, significou o nada se tornando o tudo-que-há e espalhou por todo o canto tudo-o-que-começou-a-existir-naquele-momento. com esse fenômeno, foram criados átomos e todas as suas subpartículas. (na verdade foram criadas as subpartículas, que em conjunto formam os átomos, que se juntaram um dia e formaram moléculas, mas não agora, não ainda) um dia, na solidão da existência, átomos de hidrogênio resolveram que eram demasiado solitários em suas vidas e resolveram que ligações covalentes não eram o suficiente para eles. queriam uma união mais estável, um elo mais forte. resolveram que iriam se juntar, ser uma coisa só. e assim surgiu o hélio. a mesma seqüência se repetiu determinado número de vezes por um tempo, até que boa parte do que a população mundial teoricamente conhece como “elementos químicos da tabela periódica” surgiu.

do surgimento dos elementos até a criação das primeiras estrelas e mundos foi um pulo de poucos bilhões de anos. os elementos, em sua natureza pura, são muito solitários e buscam sempre manter-se ligados a alguém, ou outro de seus ou um diferente, formando o que são conhecidos como moléculas. um dia, n’algum ponto de entre-tudo-o-que-há, um elemento conheceu outro e, juntos, viram que eram bons, comunicaram a seus semelhantes que isolados não eram tão bons quanto unidos e que aquela ligação talvez fosse para o bem maior de todos. assim surgiram conglomerados de moléculas, formando então nuvens e terra e mares e planetas, enquanto os hidrogênios continuavam com suas atividades de se unir e formar hélio em massas gigantescas conhecidas como estrelas.

em alguns destes “planetas”, com a influência certa da geografia espacial, da radiação, calor e outras fontes de energia propícias, certas moléculas viram que só se tornariam melhores e importantes se conseguissem se reunir de forma organizada, de um jeito que tornasse possível fazerem cópias de si mesmas ou algo muito parecido, de forma com que passassem adiante no tempo alguma parte de si, ficando de certa forma “imortais”. assim surgiram as primeiras formas de replicadores, se multiplicando feito pequenas pragas invisíveis até que um dia elas se tornaram grandes demais para permanecerem como estavam e saltaram aos olhos de quem os tem. é claro que, na época, ninguém os tinha e ninguém viu tudo isso. ninguém além das próprias moléculas e átomos sabiam o que acontecia no mundo, e foi assim que tudo continuou por muito tempo.

mas é claro que, uma vez que notado o aumento considerável das chances de sobrevivência de todas caso vivessem em conjunto e que, quanto maiores os conjuntos fossem, maiores seriam as probabilidades de continuarem com sua existência como moléculas preservada, começaram a se unir cada vez mais, como nunca antes haviam pensado que ligações poderiam ser feitas, formando conglomerados mais e mais complexos entre si e até mesmo fazendo alianças com aquelas que diferiam de si por causa de suas estruturas, unindo-se numa só cooperativa em prol da sobrevivência mútua. assim, surgiu algo que gostam de chamar por aí de vida.

as primeiras formas de vida, no entanto, não eram muito semelhantes ao que hoje vemos por aí. na verdade ainda não se podia ver muito bem o que elas eram. bactérias e coisas microscópicas – veja bem, antes elas eram invisíveis, não de verdade, mas para simplificar tudo, eram. com o passar dos anos, foram se tornando cada vez mais complexas, incorporando, através de acordos burocráticos envolvendo grupos moleculares e/ou outras semelhantes, novas funções e coisas do tipo. foi numa desses acordos que um grande número delas conseguiu um acordo que faria com que outras trabalhassem para elas produzindo alimento e energia provinda de luz solar, apenas. antes disso todas tinham que gastar o pouco de força que tinham modificando algumas das moléculas que continham para poderem obter o substrato necessário para se manterem vivas e continuarem assim por um bom tempo; agora, no entanto, muitas delas teriam quem conseguisse a energia tão preciosa para elas. a vida era boa e o trabalho era feito por terceiros. só era preciso manter as engrenagens funcionando.

depois que “o grande passo em direção à evolução”, como foi o slogan inventado na época para justificar todo o ocorrido, foi dado, o mundo sofreu uma revolução. as criaturas que não conseguiam transformar luz solar em alimento sofriam com a diferença absurda entre sua quantidade, além de reclamarem com o sistema absurdo que era a produção de substrato daquela forma: a obtenção de comida a partir da energia luminosa se dava através de uma série de reações entre moléculas, liberando muitas delas de um só elemento, que começou a se reunir a outras bactérias prometendo dar muito mais energia a elas caso uma ligação entre as partes fosse realizada, no entanto, a alimentação deveria ser provida por outras formas, já que eles não tinham como fazer isso. era uma prática já conhecida entre as produtoras de alimento, mas foi a primeira vez que tal oportunidade se abriu para aquelas que não o faziam. o número que se uniu aos elementos foi imenso, a existência em alguns cantos de tudo-o-que-existe foi alterada de forma nunca antes vista.

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7 respostas para tudo o que você conhece parte I.

  1. Tony disse:

    “há uma lenda contada de ouvido em ouvido que diz que as coisas não são como nós acreditamos que são. essa lenda é a maior verdade que alguém poderia carregar consigo.”

    FATÃO!

    mto foda, man!

  2. isabelle disse:

    “Our whole universe was in a hot dense state,
    Then nearly fourteen billion years ago expansion started. Wait…
    The Earth began to cool,
    The autotrophs began to drool,
    Neanderthals developed tools,
    We built a wall (we built the pyramids),
    Math, science, history, unraveling the mysteries,
    That all started with the big bang!” (8)

    A ideia tá legal mas o texto tá precisando de uma boa edição, pi. Deixe de preguiça, releia umas 3 x antes de publicar! =x

  3. Sarah Mendes disse:

    eu li, xu. e não sei o que comentar… mas, vou comentar só pra você saber que eu li! 😡

    :*!

  4. nelsonnetto disse:

    a idéia tá muito boa!
    tem um texto que eu tô estacionado a mil anos que ele tem uma relação macro-micro-macro…
    mas n consigo mais escrever nada.
    enfim…
    ele precisa de uma edição porque em muitas horas você fala muito em moleculas-atomos-elementos-subparticulas-ligações e repete bastante os termos. dá pra se perder fácil.
    entendi que vc fragmentou pelo tamanho, mas acho que com a edição dá pra botar tudo junto (e olha que eu nem li a parte II).
    é isso man.
    FH

  5. nelsonnetto disse:

    cara, gostei mais agora. ficou bem mais fluente e é possivel vinslumbrar melhor a própria hitoria da humanidade na “metáfora” da existência (pseudo, não?).

    FH

  6. Isabelle disse:

    concordo com o comentário acima!

  7. Marden disse:

    Gostei agora, man.
    Você deixou o texto bem bacana de se ler, sendo divertido enquanto fala, literalmente, da vida, do universo e de tudo mais.
    Parece até o finado mestre Carl Seagan.

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