tudo o que você conhece parte II (ou, tudo o que você continua conhecendo.)

em outros cantos de tudo o que há por aí, muitas coisas aconteciam. moléculas conviviam entre si em harmonia, isoladas de muitas outras diferentes, mas sem grandes conflitos. os elementos básicos, hidrogênio e hélio, que não queriam se unir a outros, permaneciam isolados em suas conhecidas comunidades, alguns deles, entretanto, aqueles que antes haviam tomado a decisão de formar planetas, disseram que precisavam de umas férias e um passeio por aí seria bom, então resolveram dissolver algumas de suas ligações, fazendo com que os corpos do qual faziam parte já não fossem mais tão unidos, indo cada um para seu canto da existência, prontos para conhecerem tudo o que pode ser conhecido até cansarem e resolverem se assentar em algum outro lugar bom para eles e se reunirem mais uma vez a outras moléculas.

nos planetas em que as associações moleculares eram estáveis, como vimos anteriormente, as alianças formadas se tornavam cada vez mais complexas, com bactérias englobando suas semelhantes e se tornando cada vez maiores e desenvolvidas, com novas funções cada vez mais difíceis de  se imaginar que um dia seriam capazes de ter, mas as pequenas danadas se mantinham bem. é claro que muitas delas falharam, e as evoluções ocorriam em períodos bem espaçados de tempo. mas a história sempre pode ser resumida a poucas palavras, como estou fazendo agora para a compreensão dessa grande lenda contada por aqueles quem têm boca e querem falar a todos que têm ouvidos e querem ouvir. e, por mais que alguém pense que esses são muitos espalhados por tudo o que existe, eles são a incrível, absurda e indignante minoria.

as já famigeradas bactérias, que agora se uniam umas às outras para um bem cada vez maior e não queriam mais ser chamadas por seus nomes, mas se designavam “células no tecido da vida”, estavam prestes a assinar um dos contratos mais arriscados da história até então: a saída de seus organismos para fora da água, já que a vida ali dentro estava oferecendo riscos demais. os organismos, que eram formados por inúmeros conjuntos desses “tecidos da vida”, responsáveis por funções que antes pareceriam mera fantasia (dividir criaturas em dois gêneros, onde já se viu? bem, agora isso era a realidade e a reprodução agora gerava maior variabilidade, algo bom para todos), competiam entre si de forma desigual e um pequeno grupo de células, responsável por novas adaptações e as grandes revoluções, começou a trabalhar nos projetos para tornar viável o plano audacioso. depois de algumas milhares de tentativas e centenas de milhares de falhas, viu-se que tudo estava pronto para ser executado. o mundo subaquático engoliu as risadas quando o primeiro ser pisou no solo fora dos oceanos. pequenos passos, diriam depois, mas importantíssimos para o que até então se conhecia como vida.

logo após o ocorrido, vários outros dos amontoados celulares resolveram se unir à nova adaptação. refinaram suas linhagens até o ponto em que estivessem todas aptas o suficiente para que as aventuras pelo desconhecido mundo, onde a luz incidia diretamente sobre eles e não sofria a refração que a água lhe causava, fossem possíveis. houve um enorme impacto sobre todos os organismos, que passaram subitamente de seres pacatos e acostumados à vida aquática a exploradores de primeira grandeza, sonhando com a desbravação da superfície iluminada do planeta que observamos com tamanho afinco. mas é claro que a novidade não agradou a todos, os tradicionais e céticos, descrentes que a evolução do planeta estaria acima deles, na sujeira da terra e barro, diziam que o melhor para todos era continuar onde estavam. escolhendo para si outras adaptações para o futuro, outros utilitários que não fossem aquelas coisas que serviam para se arrastar pela imundície, permaneceram nos mares. diziam que aquela moda estúpida não os levaria a lugar nenhum e todos eles acabariam se arrependendo daquilo tudo algum dia. eles não poderiam estar mais certos.

desse momento em diante, acompanharemos de uma distância tranquila e segura tudo o que acontece com aqueles que resolveram se arriscar no mundo seco e iluminado, onde passaram de seres pegajosos e úmidos recém saídos do oceano, para criaturas escamosas e secas, ganhando tamanho e se alimentando agora das grandes plantas que se desenvolveram na superfície do planeta sem que a observássemos, já que a ação, na botânica, não é das mais instigantes (e quando falamos anteriormente das bactérias que se alimentavam de luz, você acha que não estávamos falando exatamente de como as plantas começaram?). havia samambaias gigantescas e líquens e muitas outras coisas verdes fotossintetizantes que serviam de alimento para os pequenos organismos que começavam a diferir entre si entre pequenos, médios e grandes. depois de algum tempo alguns deles conseguiram até um pouco de pêlos e se tornaram minúsculas bolotas peludas que lutavam para se esconder já que não queriam terminar sendo a refeição de seres ligeriamente maiores. e era assim que o mundo seguia, aumentando cada vez mais a variedade de vida sobre sua superfície.

houve uma época da história da vida como ela tem sido em que, sobre a terra, reinou um tipo espetacular de organismo; assustadoramente grandes – gigantescos mesmo -, magníficos e monstruosos. foi um período difícil para os seres pequenos – que tinham, em sua grande maioria, a estranha mania de roer coisas – já que a qualquer segundo poderiam ser facilmente pisoteados ou sua vida se esvairia de seus corpos entre os dentes afiados de alguns dos animais, vamos chamá-los assim de agora em diante, de maior porte. já os gigantescos animais – viram como essa palavra funciona? – competiam entre si pela comida. havia, entre eles, aqueles que comiam somente a carne de outros e os que devoravam toneladas das plantas que os cercavam. as antigas alianças em prol das boas evoluções quase inexistiam entre os habitantes. é claro que houveram inventos revolucionários, como as asas, mas em sua grande maioria, todos pareciam se concentrar apenas em caçar uns aos outros, matar tudo que encontrarem e arrancar suas carnes de seus ossos para encher suas barrigas. instinto de sobrevivência do mais básico que foi elevado a níveis danosos, como veremos adiante.

como todo grande reinado, houveram tempos bons, de enorme riqueza e ascenção, onde o temor e o respeito é facilmente notado. mas é dos períodos ruins que devemos nos precaver sempre, coisa que não fizeram. caíram em terra por não saberem organizar sua alimentação – caçavam mais do que precisavam, deixavam sobras demais – aliado à decisão de se assentarem nesse planeta tomada por um dos nossos já conhecidos aglomerados-de-elementos-unidos-que-viajam-pela-existência-à-procura-de-um-local-bom-o-suficiente-para-descansarem. então, depois de centenas de milhares de anos como donos do planeta, eles sumiram da superfície, deixando – depois de alguns meses de escuridão e cinzas causado pelo grande pedaço de matéria-exploradora-do-tudo-o-que-há que se uniu ao planeta – tudo livre para que aquelas pequeníssimas criaturas, as quais sobreviveram roendo pequenas sementes e coisas do tipo e que antes eram assustadas demais para sair à luz do dia e explorar a vastidão ao seu redor, se arriscassem em passeios nunca antes feitos.

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