anna lois.

quando ela tinha seis anos, seu avô a levou a um passeio num parque de diversões. ela lembrava muito bem de todos os detalhes daquele dia. de como comeu algodão doce e se encheu de orgulho ao  perceber ser capaz de colocar três cachorros quentes na boca. o avô achava isso uma incrível falta de educação, mas se assombrara com aquilo. e a lembrança que ficou naquele dia foi a da cavalgada nos cavalos do carrossel. ela lembra de ter escolhido um cavalinho rosa, enquanto seu avô ficou do lado de fora, observando-a. ela o chamara para dar as voltas no brinquedo, mas ele apenas disse “querida, o vovô está velho demais para o carrossel. se ele for, quando sair ele cai tonto. vou ficar aqui te olhando, tá bom?” ela disse que estava tudo bem. foi no meio da sétima volta que seu avô caiu no chão, na oitava a multidão se amontoava e fazia barulho, na nona gritaram por uma ambulância, na décima ela pôde ver, finalmente, o motivo de tudo aquilo. o brinquedo não parou, ela não podia fazer nada a não ser cavalgar o brinquedo enquanto seu avô era levado numa maca para uma ambulância. ela gritou por ele e foi aí que a máquina parou e ela conseguiu correr até o carro onde ele estava. perguntaram quem era ela, então disse que aquele homem era seu avô e que estava no brinquedo e queria saber onde ele estava e se ele estava bem. lembra de ter explicado o endereço da casa onde morava com os pais e os avós maternos. levaram-na para lá e conversaram com seus pais. o enterro foi no outro dia pela manhã. estava nublado.

quando ela tinha onze anos, enquanto brincava com o vizinho, sangrou entre as pernas e teve que parar a brincadeira porque, de acordo com sua mãe, havia se tornado uma mocinha. ela não havia pedido por aquilo, ela não queria ser uma mocinha, não agora. naquele exato momento ela só queria ir para a porta de sua casa continuar a brincar com seu amiguinho. sua mãe lhe explicara tudo o que precisava sobre como utilizar o absorvente e sobre o que aquele sangramento viria todos os meses. daquele momento em diante descobriu sobre a responsabilidade que carregava e, apesar de não ver o sangue novamente por uns três meses depois daquela primeira vez, entendeu que agora não era apenas uma criança que brincava inocentemente no jardim enquanto seu vizinho, que corria com ela, tentava espionar debaixo de sua saia. estava se desenvolvendo e se tornando uma mulher de verdade, uma daquelas com pêlos no púbis, gordura nas ancas, mamas desenvolvidas para que fossem capazes de lactar quando tivessem a necessidade de fazê-lo.  foi nesses tempos que entrou em contato com sua sexualidade, que descobriu o prazer que seus dedos poderiam lhe proporcionar. e entendeu que para olhar debaixo de sua saia seu vizinho tinha que lhe oferecer muito mais do que simplesmente algumas horas de risadas e brincadeiras de pega e esconde esconde na rua vazia.

quando ela tinha treze anos, arranjou um namorado com o qual passava horas beijando na sala da casa dele enquanto a mãe dele cuidava da casa e seu pai estava no trabalho. ela fazia primeiro ano do colegial, ele fazia cursinho pré-vestibular. um dia chegou para visitá-lo depois da aula, ele ainda não havia chegado, quem abriu a porta foi seu pai que disse a ela que ele tinha uma consulta com o dentista marcada, mas que logo chegaria e que não havia problema em esperar por ele ali. explicou também que aquela era uma tarde diferente das outras, já que ele estava de folga e a mulher estava na casa da mãe porque houveram alguns problemas. ela sorriu timidamente e disse que esperaria na sala. ele ligou a televisão, entregou o controle para ela e disse que ia tomar um banho. pouco tempo depois ele volta à sala enrolado numa toalha verde musgo, pergunta se está tudo bem. ela diz que sim, sorri timidamente. ele senta ao lado dela no sofá, a toalha se solta do lado, mas não revela nada. ele olha para ela bem fundo nos olhos, enquanto ela desvia o olhar para a televisão que passa alguma propaganda de ralador de verduras. então ele começa a dizer que ela é uma garota muito bonita, que seu filho é um garoto de sorte por ter encontrado uma belezura daquelas e que ele mesmo, nos tempos antigos, gostaria muito de ter encontrado uma moça linda como ela. ela baixou os olhos, disse um obrigada baixinho e se afastou um pouco dele. então ele disse que a queria tanto, que desde que ele a viu entrando na sua casa pela primeira vez ele a desejou e que o filho dele não merecia ela. então a agarrou e enfiou a língua em sua boca, a toalha abriu e revelou o pênis ereto. ela ficou impressionada com aquilo. impressionada e assustada. o medo tomava conta dela e quando o homem veio para cima dela, para baixar suas calças e calcinha e enfiar o membro em seu sexo virgem, ela se surpreendeu quando, ao invés de um grito sair de sua boca, ela apenas disse sim e sim e sim.

quando ela tinha dezessete anos, fez uma viagem para o exterior. passou cerca de um mês passeando, aprendendo sobre novas culturas, enriquecendo sua alma e seu conhecimento quanto a diferentes e inúmeros prazeres. descobriu novos sabores e experimentou coisas que antes só havia visto em filmes, comidas, pessoas, posições, de tudo. seria uma viagem para ser quem ela era verdadeiramente e ainda mais, extrapolar os limites do auto conhecimento e se tornar algo maior que si mesma, estava prona para se tornar quem ela nunca havia sido antes perto de todos que, de certa forma, deixavam-na acanhada e um tanto desconfiada, apreensiva de se soltar. na primeira noite subiu para seu quarto com um homem que havia conhecido no início da noite no clube em que iriam comemorar aquele início bem sucedido de férias. ela voltou para a festa uma hora e meia depois, onde encontrou outro homem, um mais novo, dessa vez, um que lhe apetitou os olhos e subiu novamente ao quarto. fez sexo com mais um desconhecido além desse segundo naquela noite. dividindo quarto com ela havia uma amiga, pronta para encobrir tudo o que fosse preciso para que não desconfiassem das coisas que fazia. nas semanas seguintes, seguiu com a média de três parceiros por noite, algumas vezes simultaneamente – experimentou anal e, um dia depois, d.p. -, às vezes separados, às vezes subia também com alguma garota. quando retornou e seu pai perguntou sobre a viagem ela disse que foi uma boa viagem, que pensou muito neles e passou boa parte do tempo orando pela saúde de seus pais, de quem sentia muita saudade.

quando ela tinha vinte e dois anos, estudava psicologia numa das melhores faculdades do país, suas notas eram as melhores da turma e já havia publicado um artigo acadêmico sobre o comportamento sexual de jovens adultos e adolescentes e a influência da pornografia na sexualidade do ser humano. se formaria com louvor e já planejava sua tese de mestrado. havia se tornado uma mulher fabulosa não somente intelectualmente, mas fisicamente. suas medidas eram capazes de fazer as mulheres que saem em revistas masculinas se sentirem meras crianças perto dela, sua pele parecia ter sido tratada num programa de computador e colocada sobre sua carne, seu caminhar era firme e sensual, seu cabelo emanava um cheiro bom, sempre, de canela e mel, sua boca era carnuda e sua voz era delicada etranquilizadora. era querida por todos: seus professores a admiravam, seus colegas e amigos idolatravam, suas colegas e amigas a invejavam, sua mãe e seu pai morriam de orgulho. ela era uma garota de futuro, seria uma das grandes referências da psicologia dentro de anos, seria famosa e rica e tudo isso graças a sua inteligência.

quando ela tinha vinte e três anos, tirou um ano sabático, um período de tempo em que todo o seu trabalho acadêmico estacionaria e ela se dedicaria, finalmente, a seus projetos deixados na gaveta por tempo demais. ansiava por tudo aquilo. já havia feito as ligações e falado com as pessoas certas, tinha conhecido alguém do meio que queria trabalhar. agora ela sentia os holofotes quentes da iluminação do estúdio ofuscando seus olhos, estava sentada no chão de um set de gravação, o ar condicionado ligado no máximo fazia os bicos dos seus peitos nus se eriçarem, mas isso era desnecessário. havia cerca de vinte homens ao seu redor, sendo cinco da equipe de gravação e os outros quinze atores com seus membros em suas mãos prontos para serem engolidos por ela, um de cada vez, dois por vez, três, quantos conseguisse. montara cada um deles como se fosse uma amazona poderosa, a rainha de todas elas, cavalgara cada um como as valquírias fazem nas batalhas quando vão curar os guerreiros. ao seu redor todas as lanças apontam para ela, desarmaria todos e se alimentaria deles, tornar-se-ia mais forte. então, ao sentir o primeiro jato quente tocar sua língua, ela sorriu lembrando da primeira vez que saboreou daquele líquido espesso, sorriu de prazer, sorriu para os quinze que gozariam sobre ela, sorriu para os cinco da produção, sorriu para a câmera e para o mundo que a via do outro lado das lentes. sorriu para seu pai, sua mãe e seu avô. sorriu com alegria, com gozo, com desdém, sorriu porque precisava e porque amava tudo aquilo. sempre se perguntava como alguém poderia não amar aquilo.

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4 respostas para anna lois.

  1. Isabelle disse:

    achei que podia ter desenvolvido mais e ter relacionado os fatores da vida dela com essa produção final. >.<

  2. Marden disse:

    Heh.
    Bom texto, man.
    Gostei muito das pistas sutis na parte da infancia.
    3 cachorros quentes na boca…
    Poxa, né.

  3. Isabelle disse:

    agora ficou bom

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