o eterno devir.

costumo sempre perguntar a alguns amigos (geralmente aquele mais chegados) o que eles estão lendo. é uma mania boba que eu tenho. serve para puxar assunto, além de ser uma forma de me atualizar em relação a boas literaturas. é claro que nem sempre eles estão gastando seu tempo com boa literatura (diferente de mim, só tenho boas leituras – not), mas é um preço a se pagar por ter amigos – ninguém vai ler sempre só coisas boas, nem mesmo eu. às vezes, no entanto, eu abordo algumas pessoas que não são tão amigas assim e pergunto se elas estão lendo alguma coisa boa. geralmente eu as vejo na rua lendo um livro que já li e gostei e pergunto se estão gostando. as que lêem livros que nunca li e não tenho uma vontade de ler – o que é o caso das pessoas que encontro na rua lendo a série crepúsculo -, essas eu nem falo nada. simplesmente ignoro o fato delas estarem lendo e sigo com minha vida como se nada tivesse acontecendo. (se bem que já perguntei a colegas: e esse livro aí, é bom? e devo admitir que sem nunca ler o livro sei que fala de coisas que brilham quando o sol incide sobre suas peles e que não podem namorar quando as garotinhas estão menstruadas porque sentem fome.) às vezes as respostas que recebo me dão um enorme desgosto. mas foram poucos os que me disseram que estavam lendo um livro do paulo coelho, o segredo ou outras auto ajudas e pseudo auto ajudas do tipo.

dia desses fiquei feliz por um amigo meu ter começado a maravilhosa obra de isaac asimov, a trilogia da fundação. comentamos sobre a leitura e o fato de que o doutor consegue nos guiar para um mundo fabuloso no futuro, explicar conceitos de matemática e psicologia e falar sobre política sem parecer chato e sem apelar para pares românticos ao longo da história. (e não é que asimov seja um cara insensível, muito pelo contrário. o livro, o fim da eternidade aborda a questão de romance muito bem com conceitos de viagem no tempo fabulosos – e olha que eu, pra falar bem de viagem no tempo, não é fácil. é um assunto muito delicado, esse.) falamos também das influências dele no livro, e como podemos ver na história do livro a história de uma das maiores civilizações que já deixaram registro histórico, os romanos. (depois de ler os três livros, fiquei com uma imensa vontade de ler “declínio e queda do império romano”, que foi uma das inspirações para a trilogia.) tanto ele quanto eu ficamos fascinados com o universo e conceitos criados por asimov, um autor que qualquer ser humano deveria conhecer (leis de asimov da robótica, você acha que foi quem que criou elas, hein?). pena que dele eu não li mais muitas coisas, mas seus contos são de fácil acesso e certamente estarão na minha estante algum dia.

uma boa maneira de se saber o que amigos estão lendo ou leram, sabendo assim as coisas que podem tê-los influenciados a serem as pessoas que são são os sites de relacionamento baseado em livros tais como o skoob ou o goodreads, neles você pode olhar as estantes que expoem as leituras e gostos das pessoas e revelam muito mais do que muito “quem sou eu” de outras redes sociais. é claro que esses não são locais supermovimentados onde as pessoas marcam de tudo, mas já é um bom começo de conversas com pessoas que compartilham de gostos semelhantes. alguns dos meus amigos têm cadastros nesses sites e eu aproveito para comparar nossas estantes. aqui, exporei o caso de uma das minhas grandes amigas, que é tão fascinada por livros quanto eu, ou mais, que lê tanto quanto eu, ou mais (acredito que mais) e que escreve ou escrevia coisas que, mesmo não sendo meu estilo de leitura, eram fabulosas. em sua lista de livros favoritos, há alguns que eu dou valor e há muitos outros que não dou. e vice versa. tenho certeza que para ela o guia do mochileiro das galáxias (o Guia) não marcou tanto quanto para mim, assim como eu acho os livros da lispector coisas completamente passáveis e que a profundidade de seus escritos pode ser comparado com um pires. mas não é sobre isso que quero falar. o que quero dizer com essa minha amiga é que mesmo tendo todas as incompatibilidades – cara, ela gosta de kafka, gosta gosta, e diz que o faz pelos mesmos motivos que eu digo que não o faço, porque nada acontece o tempo todo, do começo ao fim – nós dois somos amigos e adoramos, pelo menos da minha parte, discutir nossas leituras e experiências de leitura. além do mais, mesmo que as coisas que ela goste não me atraiam, admiro muitas delas e quero lê-las porque boa parte  desses livros são considerados clássicos obrigatórios da literatura mundial.

há também minha namorada, com quem gosto de brincar dizendo dos livros que gosto e que ela nunca leu que eles são formadores de caráter e que ela precisa lê-los. e não é nem que o meu caráter seja do melhores, mas é que são obras que me influenciaram tanto que uma pessoa de quem gosto tanto quanto ela deveria conhecer para ter o prazer de talvez me entender mais um pouco. ou talvez isso nem seja um prazer, mas eu tento fazer com que seja. pelo menos os livros são, na minha opinião, fabulosos. em dezembro passado eu dei a ela “os vagabundos iluminados”, do beat viajante jack kerouac, a melhor obra do cara para mim. tenho planos de dar outros livros a ela, algo do vonnegut (lê-se Matadouro 5) , já que ela já leu o Guia e, assim como eu, tem o caráter formado por quadrinhos e não vê problemas quando eu a presenteio com eles, visto que quando eu não dou livros, eu dou quadrinhos de presente. (e nossa, isso é tão fabuloso, minha namorada lê quadrinhos… só quem é meu amigo sabe o quão maravilhoso é isso. só quem gosta das hqs sabe o quão maravilhoso é poder conversar sobre quadrinhos sem ter que explicar boa parte das coisas. ela é meu orgulho.)

mas nada do que sou agora em relação a leituras teria acontecido sem a influência de duas pessoas. meu pai e minha mãe. e não é nem que meu pai leia. ele não lê, mas quando eu era criança, era ele quem mais comprava as histórias da turma da mônica para que eu lesse, era ele quem tinha uma conta astronômica por minha causa na banca de revistas do cara que veio a ser meu tio de coração, meu amigo com quem eu compartilhava livros e conversas e meu padrinho de crisma, mesmo sem que eu acredite em deus e essas coisas. meu pai sempre incentivou a leitura. já minha mãe era o exemplo. ela devorava livros. em um fim de semana de trabalho ela lia cinco livros, sempre a via com livros na bolsa ou a encontrava no quarto lendo enquanto eu via televisão. foi observando ela que peguei a paixão pelos livros, foi com o incentivo de ambos que hoje sou o que sou e como sou. e devo muito a eles e a amigos que me apresentaram autores e a autores que nunca conheci pessoalmente, mas que me apresentaram autores ainda melhores e assim vai. devo muito a cada livro que li, cada bom ou ruim, cada quadrinho bom ou ruim que li, graças a tudo isso sei ser um pouco crítico quando devo e sei ser ameno quando devo. hoje em dia sou o que sou graças aos volumes na minha estante e os que estão além dela. e acho que enquanto viver continuarei em crescimento devido a essas leituras. o que leio agora? os irmãos karamázov, clássico do russo dostoiévski e o demolidor do sensacional brian michael bendis. e você, o que lê?

e viva à eterna contrução de caráter!

A História do Declínio e Queda do Império Romano
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5 respostas para o eterno devir.

  1. Chuchu, manooooo…
    é diferente mesmo esse texto, mas eu gostei. Eu já comentei com vc que é muito engraçado perceber o quanto a pessoa que a gente lê tanto mexe com a nossa forma de escrever.É com aquilo que nos identificamos. Perfeitamente normal.

    =**********

  2. Isabelle disse:

    Como fui educada a construir o caráter de uma outra forma, eu diria: e viva à eterna desconstrução de caráter!

  3. nelson disse:

    stardust(\o/) e conceito de poesia(¬¬).

    gostei do texto.

  4. Marden disse:

    Horror recognition guide (muito bom cara).

    Heh, o titulo me fez lembrar da longa lista de disfavores feitos pela devir.

  5. Tony disse:

    tb quero ler fundação.

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