"amor, meu grande amor."

eu não quero te encontrar toda arrumada – vestido, maquiagem, perfume, cabelo arrumado –  na porta da minha casa às sete da manhã de uma segunda feira ou qualquer coisa do tipo. quero te ver na rua, na vida, fazendo o que quer que tivesse que fazer naquele exato momento, se descabelando, suando. quero te ver várias vezes sorrindo distraidamente de alguma piada contada por um dos teus amigos, que por uma maravilhosa coincidência também são meus, e me encantar com a brancura dos teus dentes e com a suavidade da tua voz. quero me alimentar um pouco daquele momento, da tua energia e tua alegria, da tua beleza. quero te notar quando eu menos pensar em notar alguma coisa. então você estará lá e todo o resto que eu percebia sumirá e só restará a tua imagem na minha retina, na minha lembrança, nos meus pensamentos. não quero te achar em qualquer lugar como se nossas vidas fossem cenas de filme, com uma trilha sonora propícia ao primeiro encontro romântico de um casal, porque não é assim que a vida é e eu quero você com as coisas que a vida proporciona. eu quero é encontrar com você bêbada num show, quero conversar com você qualquer besteira e rir porque nos lembramos um do outro de algum momento do passado em que rimos da mesma piada ou qualquer coisa assim. quero ter com você um desses momentos que tantas pessoas têm, mas que na verdade são simples e únicos, porque é assim que acredito que sejam as coisas. então, um outro dia eu quero me encontrar com você e então você já lembrará de mim. não haverá uma coisa resumida de amor à primeira vista ou qualquer coisa dessas irrealidades, essas mentiras que os casais do mundo contam pra justificar a ausência de conhecimento entre eles, a falta de verdadeira intimidade – que se caracteriza pelo que temos hoje: não sentir vergonha de sermos quem somos na frente um do outro.
não quero ter que usar sempre as palavras dos outros pra dizer o quanto o meu amor é grande, mas não terei medo de ser brega quando for a hora certa. você me conhece e sabe que eu não tenho medo dessas coisas. quero que você me encontre como eu vou te encontrar: ao completo acaso, por sorte. nada das velhas desculpas de que o destino nos uniu. nós dois sabemos que o destino não une ninguém, que é completamente alheio à nossa infimez e que o que reina é o caos, o acaso. não quero ir em tua direção esperando que teus braços sejam quentes e estejam sempre abertos, prontos para me acolherem. quero que muitas vezes você não me deseje tão perto e queira teu próprio espaço porque é assim que as coisas são e eu certamente respeitarei isso, mesmo que seja uma noite em que eu preciso que não haja espaço entre nós.
e tudo o que há para te oferecer é meu amor. mas eu me envergonho disso porque pode parecer tão… vergonhoso, tão sem valor. mas acredite que se eu pudesse eu te daria os anéis de diamante, colares de pérolas, vestidos de seda e todas essas besteiras que eu sei que não valem nada, mas que tantas pessoas gostam por representarem algum status besta. e você sabe bem que eu não quero nem um pouco te dar roupas caras e jóias que custam tanto quanto o pib de um pequeno país. você me entende bem demais para saber que, ao abrir um embrulho de presente vindo de mim, não encontrará nada além de algumas palavras. mas, meu bem, se eu pudesse te dar tudo o que te deixa feliz, eu daria. espero que você saiba disso.
não quero você pelo nome que tens ou a família que te criou. apesar da importância dessas coisas para a criação dos nossos caráteres (porque nós dois sabemos que nem só de livros e filmes se faz um bom caráter, mas de uma construção sólida de moral e tradições familiares), não quero você pelo nome do sangue que você carrega em teus vasos ou pela tua carga genética. para mim isso não passa de um detalhe (detalhe importante, porque não tens cromossomopatias ou alterações importantes que te impediriam de ser agora exatamente quem você é).
não quero que você me venha dizendo coisas que são mentiras. não é correto construir qualquer coisa sobre mentiras. o risco de uma fissura fazer com que tudo caia e machuque mais do que deveria é demasiado grande. é um erro acreditar que mentir ou omitir coisas possa ser uma prática saudável. e por mais que eu diga que nós homens devemos proteger as mulheres das verdades, prefiro contar as verdades. machuque a quem machucar e, acredite, boa parte do tempo isso machuca mais a mim que a outras pessoas.
quero que você me tenha por inteiro e se satisfaça comigo e só comigo, porque tentarei me entregar completamente. quero que você sinta por mim todos os clichês de amor que as pessoas possam vir a ter. e quero que você crie novos clichês, assim como quero criar novas situações nunca antes experimentadas por mim e/ou pela humanidade. e quero que depois de mim você não queira ter mais nenhum outro. quero ser teu último e teu primeiro a te fazer pensar coisas que antes nunca havia imaginado.
tudo o que posso te dar, meu bem, é meu calor: minhas roupas, meu corpo; posso te dar o lugar onde vivo, mas acho que tudo o que tenho já está mais cheio de você do que de mim. há você em todos os lugares que vejo: na mesa, na cadeira, na cama, na televisão. e tudo isso são apenas reflexos de tempos passados em que você esteve lá. às vezes me desloco no eixo do tempo dentro da minha cabeça e volto a viver os momentos que tive com você. é uma pena que não chego a sentir teu calor, teu toque, teu beijo. e a saudade só faz crescer todos os dias longe de você.então, meu grande amor, eu quero algumas poucas coisas nessa vida, e a mais interessante é você.

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6 respostas para "amor, meu grande amor."

  1. Isabelle disse:

    *_* ownnn que lindo, Pi. Te amo e sinto por você todos os clichês de amor inimagináveis.
    saudades 😦

  2. Marden disse:

    Bacana, man.

    No fim os clichês são o que a gente espera nessa vida.

  3. nelson disse:

    poxa…
    i like it.

  4. Lívia Vasconcelos disse:

    FOOOOOOOOODA!
    QUE LINDOO AMOR… ^^

  5. obedessa disse:

    Texto perfeito. Gosto dessa data, 6 de março. Queria ter lido isso no mesmo dia, seria um presente de aniversário aleatório. hahaha.
    Mas, mesmo tendo conhecido HOJE, valeu como um presente. =)

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