a evangelizadora.

ela me disse que queria me levar à igreja. ela disse isso quando perguntei onde poderíamos nos encontrar mais uma vez para conversar. tudo o que eu queria era um bom segundo encontro, um cinema, um lanche, um passeio, uns amassos de leve, uma ou outra tentativa de pegar na bunda dela, de chupar seus peitos – minha mão afastada de suas nádegas pela dela, minha cabeça sem jamais chegar além da área do pescoço, enfim, meras tentativas por pura diversão – nada demais, coisas de primeiros encontros.

eu disse que fazia alguns anos desde que pisei em uma igreja pela última vez, disse a ela, também, que não lembrava da última vez que tinha orado e que, a verdade era: eu tinha medo de queimar, ao entrar em solo santo. essa piada sempre me faz rir, mas ela não riu, permanecendo séria, severa. disse também que, apesar da minha educação católica, não sabia muito bem se poderia me considerar alguém a ser salvo. então ela me falou que não, nada de igreja católica, que ela não se submetia às vontades papais, que a igreja que ela queria me levar era… então ela me disse o nome de alguma dessas ramificações do protestantismo que quase não seguem nenhuma das idéias iniciais do velho lutero ou de calvino. minha experiência com as igrejas conhecidas popularmente como evangélicas, embora todas as igrejas cristãs usassem os evangelhos, era ainda mais limitada. havia visitado alguns cultos na adolescência, pouco antes de decidir que o melhor era se manter distante de toda essa coisa.

disse a ela que talvez a igreja não fosse um lugar tão bom, sugeri uma praia, um barzinho, um sorvete, ela refutou todas as ofertas. estava irredútivel, ou igreja, ou nada de segundo encontro. analisei bem vários fatores, pensei e repensei várias vezes os muito quesitos que me fariam aceitar ou recusar o local por ela sugerido, quero dizer, imposto. no fim, compareci ao templo por ela indicado por ela ter uma bunda linda, pernas grossas e fortes e seios firmes, que caberiam bem na palma das minhas mãos o mais cedo possível.

quando cheguei no lugar marcado, ela me esperava na porta segurando dois grossos volumes em suas mãos, se vestia bem, de uma maneira sóbria e que me deixou extremamente excitado pela possibilidade de corromper aquele ser tão compenetrado. me entregou sorridente um dos volumes que carregava e me puxou pela mão para dentro da igreja antes que eu fosse capaz de dar-lhe o beijo que havia planejado. ela me puxava pelos corredores laterais do templo, até o lugar escolhido por ela. então me apresentou seu pai, sua mãe e seu irmão, cinco anos mais velho que ela, dois anos mais velho que eu, muitos centimetros mais baixo, porém seu tamanho não ameaçador era facilmente compensado com músculos que saltavam até sob sua camisa de linho. sorri timidamente a todos, apertei mãos e dei beijinhos e sentei ao lado dela. suas coxas torneadas grudadas nas minhas me deixavam com uma imensa vontade de apertá-las. ela deve ter notado o quanto eu as encarava, porque ela sorriu para mim e disse que eu deveria prestar atenção que logo o culto se iniciaria.

um homem falava no altar, uma banda tocava quando ele parava de falar, todos na igreja cantavam os hinos de cor, inclusive ela, que parecia sempre cantar com mais empolgação que os outros, como se tudo aquilo tivesse um sentido ainda mais especial para ela. passei o culto todo a observando e sentindo uma imensa vontade de corrompê-la ali mesmo, de rasgar sua camisa, levantar sua saia e arrancar sua calcinha com os dentes, de fazê-la usar o nome do senhor em vão várias e várias vezes. mais uma vez, ela deve ter notado o quanto eu a encarava, porque no meio de uma das músicas, ela parou de cantar e disse no meu ouvido que se eu me comportasse ganharia um prêmio no fim do culto. olhei para ela e ela me sorriu. um prêmio?, pensei. achava que o maior prêmio seria sair dali, já começava a me arrepender de tudo o que estava passando por causa daquele pedaço de carne delicioso que era ela.

depois de cinquenta minutos do início da cerimônia, estava tudo acabado. diferente dos católicos, que dizem graças a deus porque a missa acabou, os protestantes acabam o culto de forma mais elogiosa àqueles que adoram nos céus, nada de dizer que a celebração em que estavam era de alguma forma tediosa, eles pareciam sempre se satisfazerem de alguma forma por estarem ali. acho que tive sorte com a ramificação – seita? – que ela participava, não houve nenhum tipo de depoimento de fiéis dizendo que almofadas o fizeram defecar depois de quatro semanas de prisão de ventre, ou que um espanador que compraram na frente da igreja há sete anos os fizeram se livrar de todos os seus problemas financeiros. posso me considerar um cara de sorte por isso. e por mais.

saimos da igreja, eu, ela e sua família, e ficamos na frente do templo enquanto ela e sua família conversavam com os outros que saíam. sorrindo, ela veio em minha direção e disse que estávamos indo embora. eu e ela. nos despedimos de seus pais e seu irmão e entramos no meu carro que estava estacionado próximo. eu estava calado, havia ficado calado todo o tempo, só respondendo à perguntas realizadas por seu pai e mãe enquanto conversávamos na saída do culto. aquilo não tinha sido nem um pouco agradável e meu rosto demonstrava o quanto eu me arrependia de ter comparecido àquele lugar e perdido uma hora da minha vida ouvindo coisas que só me faziam pensar em críticas e em como seria bom um mundo sem nada daquilo. mas toda minha casmurrice foi-se embora quando entrei no carro e ela abriu minha calça, botou meu pau pra fora e o colocou em sua boca sem dizer mais nada.

naquela hora não havia mais mar, não havia mais terra, não havia mais pessoas. era somente eu e ela, sua boca e meu pau. então entendi por quê ir à igreja: para encontrar o paraíso.

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4 respostas para a evangelizadora.

  1. Nelson André disse:

    texto foda!
    o quinto parágrafo foi espetacular (principalmente a parte de usar o nome do senhor em vão)
    e o paraíso no final foi legendário!
    gostei da cadência do texto entre o que ele pensava e o que acontecia de fato, deu uma dinâmica legal.
    enfim, gostei.

    FH

    • John disse:

      Incrivelmente fantástico, acho que pensaria como ele, mas não tão “elaboradamente”. O texto é muito bom, muito dinâmico e muito engraçado!
      Parabéns Man!!

  2. Lud disse:

    isso chamam de crente do c* quente, né?
    hahahaha.
    sempre ácido, sempre sincero. gosto disso nos seus textos. por que torcer o nariz se é a pura verdade o que vc expõe?

    muito bom, muito bom.

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