Tudo aquilo que poderia ter sido e não foi.

esta é uma postagem diferente. não é um texto, mas alguns textos que nunca aconteceram. os motivos de não terem acontecido foram inúmeros, mas em um bom resumo foi pura incompetência desse que vos escreve. o mais antigo deles, pelo que me recordo, é de janeiro de 2010, o mais recente foi descartado antes de ontem. espero que vocês vejam toda a droga que eu poupo vocês da leitura. acredito que o último trecho já esteja em um dos meus textos desse blog, mas ele não é creditado a mim, mas a um personagem criado por mim num dos meus textos. é o único verso meu que já foi publicado no meu blog de prosa. me desculpem pela postagem, mas dos últimos quatro textos que iniciei, três vieram parar aqui. sinto cada vez mais dificuldade em conseguir desenvolver assuntos que me prendam e que me façam ter vontade de escrever mais e mais sobre. espero um dia voltar a escrever fluidamente, como um dia fiz em sonhos.

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no início havia o verbo. foi mais um menos assim: faça-se a luz! e a luz se fez. logo, no início, realmente havia o verbo. e do verbo se fez carne, mas a carne só se fez depois que a energia – que foi criada antes da carne, como podemos notar pela ordem dada. então a energia se converteu em massa quando sua velocidade foi absurdamente e inacreditavelmente diminuída. outra coisa: no início, as coisas se misturavam sem que ninguém precisasse distingui-las. isso acontecia principalmente porque, no início só havia o verbo e ninguém para testemunhar o que quer que tenha ocorrido naqueles tempos conturbados em que nem o tempo sabia ao certo se a existência se aplicava a ele ou não. então, no início, ser verbo ou não ser verbo não era tão importante assim. a própria linguagem era algo que não existia antes que tudo passasse a existir. e tudo só passou a existir depois do verbo, o que nos faz pensar que talvez haja algo errado nessa afirmação de que no início havia o verbo. mas isso talvez não seja assim tão importante.

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sempre olhar para o lado claro da vida e da morte e de toda essa relação humana. sempre sorrir porque a outra opção é chorar e muitas vezes, por melhor que seja, chorar quer dizer sofrer e sofrimento demais nunca faz bem ao coração. e é exatamente por causa do coração que estamos aqui hoje. esse órgão com quatro cavidades, que serve tão bem como bomba de sangue e envia esse viscoso e precioso líquido para todas as partes dentro de nós que precisam dele. vocês sabem, para alimentar o corpo inteiro, da cabeça aos pés, cada célula das centenas de trilhões de células que temos em nosso corpo.
a verdade é que supervalorizamos esse órgão. claro, ele é essencial, mas… ele não faz nada das coisas que achamos que ele faz.

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eram seis da manhã e o sol estava no meio do caminho para nascer, algum desavisado poderia muito bem pensar que se tratava de um pôr do sol. levantou-se da cama devagar, sem acordar a esposa de anos, caminhou até o guarda roupas, abriu-o, tirou uma cueca samba canção e uma regata branca e foi para o banheiro. colocou as roupas no porta chapéus que havia no banheiro. urinou um jato forte, colocou a lâmina no barbeador e pôs-se a fazer a barba com tranquilidade, sem se cortar e deixando o bigode branco no rosto moreno. tomou um banho, vestiu-se e se pôs novamente à frente do espelho. puxou um dos espelhos, que servia como armarinho, e tirou creme dental e escova. fez sua higiene oral, e guardou os itens retirados, pegando um tubo que se assemelhava bastante à pasta de dente. olhou seu reflexo, encarou-o bem, girou a tampinha do tubo, espremeu o conteúdo na mão, pouca quantidade, fechou-o, esfregou as duas palmas e passou-as pelos poucos cabelos que tinha. quando estava tudo muito bem espalhado, pegou um pequeno pente e se pôs a pentear. o ritual durou pouco tempo. saiu do banheiro, abriu novamente o guarda roupas, vestiu uma bermuda jeans. sua mulher já havia acordado e falou com ele que logo logo estaria pronta para tomarem café. ele concordou e disse que ia lá fora olhar o dia. saiu do quarto.

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esses dias pensei: “se música é o combustível da alma, com certeza não sou total flex.”

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era-lhe impressionante como seu lixo podia ser uma das coisas mais importantes da vida dos outros.

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depois de um certo tempo observando os humanos, percebemos que eles não se sentem confortáveis quando se revelam os verdadeiros motivos de suas ações. freud disse que a pulsão era a libido e tentaram negar e ridicularizar como se fosse um erro grotesco.

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agora entendia o que significava tomar notas, coisa que, para ele, somente escritores de verdade faziam. estava finalmente se tornando um ou apenas não tinha mais memória?

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não são raros os momentos em que a vontade de tê-la entre os braços é gigantesca, mas ela se acentua nos momentos de insersão na massa. é qunado ele tenta, por pura convenção, se misturar ao meio, que sente mais sua falta ao seu lado, sua disposição e, acima de tudo, seu sorriso. o sorriso dela o fazia pensa que tudo no mundo valia a pena.

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ao vê-la dançar cada uma das músicas tocadas na noite, doía-lhe o coração saber que aquele ser simplesmente não tinha salvação.

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ela se movia com a facilidade de um peixe fora d’água.

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sabia que, há alguns anos, eu só conseguia falar coisas que enaltecessem as belezas de uma mulher que não se importava nem um pouco comigo? e passei muito tempo assim. sério. eu simplesmente não conseguia aceitar que ela não dava a mínima para o que eu sentia, porque, naquela época, eu me sentia especial. eu não sei quem me deu essa ideia idiota de ser um ser melhor que outros ou até mesmo de achar meu sentimento tão nobre. eu me deixava cegar para as coisas que todos falaram para eu ver. olhando para trás, acho até engraçado.

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lembro da noite em que o vi pela primeira vez, a noite em que o tive pela primeira vez em meus braços. achei-o extremamente estranho, completamente desconhecido, um mistério e um desafio. tive medo de quebrá-lo, confesso, medo de cometer qualquer erro naquele momento crucial do nosso futuro relacionamento. ainda assim, soube que seríamos amigos, provavelmente. a partir daquele momento pensei ter encontrado o meu melhor amigo. era uma quinta feira, se isso interessa, e o dia começou com uma chuva por volta das duas da madrugada, durando até por volta das seis, quando acordei o cheiro de terra molhada me dizia que seria um dia bom, porém trabalhoso. acordei pensando que seria mais um dia como os outros que o antecederam.

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está deitado em sua cama, quando ela entra bruscamente no quarto, sem bater, grita com ele como se faz com um cão. ladra ordens sem explicá-las e o faz ainda mais alto quando ele questiona qualquer coisa. ela não entende que ele ainda esteja atordoado pelo sono, confuso por ter sido arrastado das terras de morfeus como se seu corpo jogado no chão fosse puxado pelos pés e seu rosto arranhasse no asfalto, prestes a levar a pior surra da sua vida, levar chutes no abdome, tentar proteger, em vão, sua cabeça. cada grito que ela dava agia como espinhos em sua cabeça. não porque estivesse de ressaca, mas porque sua voz estridente e irritante o deixavam nos limites com um leve e melódico bom dia.

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ele espera, encostado na parede fria de mármore, livro em mãos. o calor faz com que gotas de suor brotem em sua testa. espera por ela há cinco minutos, a chave do carro pendurada em sua bermuda, o vento é quente e não alivia a temperatura. a sensação térmica é a mesma que se tem quando se está em pé numa frigideira, ao menos é isso que ele imagina que seja ser frito.distrai-se um pouco com a leitura e mais cinco minutos passam, levando algumas páginas embora, quando ele a vê atravessando a rua e chegando ao seu lado. ela sorri ao vê-lo e ele sente seu coração acelerar. era assim desde que começaram e continuava assim. a verdade é que ele não queria parar de ter essa sintomatologia nunca. suas mãos começaram a se inquietar e não havia mais motivos para ter um livro em mãos. teve vontade de jogá-lo longe para recebê-la em seus braços, mas não o fez. quando estava ao seu lado, ela o abraçou e o beijou. o cheiro dela, ele achava, era de suor e flores. seus lábios se tocaram e permaneceram em contato por um bom tempo, suas línguas exlorando cada uma a cavidade oral do outro, se provando, se tocando, tentando conhecer uma à outra; suas salivas quentes se misturando de tal forma que não se pode saber em qual dos dois ela foi produzida. ela tinha gosto de chá de canela.soltaram suas amabilidades, se perguntaram como estavam, como foi o dia e que planos tinham para o longo dia. entraram no carro dele e seguiram.pegaram a estrada e terminaram numa praia relativamente deserta. crianças e adolescentes brincavam na areia, jogavam bola, alguns se arriscavam a nadar no mar violento. os dois se afastaram o máximo possível das outras pessoas, sentando na areia e encarando o oceano.conversaram sobre a vida entre beijos e mãos bobas, tomaram banho de mar juntos. a noite começava a comer o dia, a escuridão a tomar o céu, o sol a perder suas forças, se punha deixando um amontoado de cores no céu, cores que não pareciam possíveis de se encontrar olhando para o horizonte. então levantaram da areia da praia e voltaram para o carro. as mãos dadas, os dedos a se entrelaçar. ele a puxa para perto de si e a aprerta contra seu corpo, sentindo seu calor, imagina o sangue correndo dentro dela, esquentando-a, e então pensa em como gostaria de se esquentar para sempre em seu corpo. ele a beija apaixonadamente, os olhos fechados conseguem ver mais do que quando estão abertos, vizualizam o futuro que se abre a seus pés, as possibilidades e os caminhos infinitos que podem ser trilhados daquele ponto em diante. seguem o caminho que os leva até o carro.entram no carro e uma troca de olhar diz o próximo lugar ao qual rumarão. entram num pequeno motel na beira da estrada, a entrada é adornada por um arco de plantas, por onde o carro passa. há uma guarita, onde uma mulher entrega uma chave com o número 13 gravado no chaveiro. ela pega a chave e fica brincando com ela até que ele estaciona o carro na vaga relativa ao quarto alugado. ela é a primeira a descer do carro, abre a porta do quarto e o espera na porta, sorrindo. ele a abraça e beija seu pescoço, levantando-a e a carregando até a cama, fechando a porta atrás de si com um leve chute.

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parece que quanto mais tentamos

quanto mais juramos nunca trairmos aquilo que amamos,

mais afundamos,

mais nos enfiamos nas sombras da cidade prateada.

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Uma resposta para Tudo aquilo que poderia ter sido e não foi.

  1. Lud disse:

    pensei em comentar cada um dos trechos, mas são muitos e as ideias se perderam quando passei de um trecho a outro…
    well, well. muitos deles não mereciam ser abandonados. a maioria, talvez. mas esse ar de suspensão até que é bem agradável… mistério perpétuo ou que durará até que o autor resolva retomá-los. duvido dessa hipótese, hahaha.

    foi uma leitura prazerosa. ^^

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