dezessete.

faz tempo desde a última vez que encarei essa tela em branco a me desafiar a escrever qualquer coisa nela. talvez esse tempo seja bom, porque assim posso enxergar minhas qualidades e defeitos na escrita publicada no blog, mas pode ser ruim pela simples razão de que sou um procrastinador exemplar, indisciplinado desde pequeno e, por esse motivo, estou há meses com minha produção de textos resumidas a pouco mais de mil palavras por mês, um verdadeiro drama. por isso hoje recorrerei ao texto pessoal, aquela velha primeira pessoa não ficcional, algo quase opinativo, algo que não faço faz um bom tempo. talvez eu fale das minhas atuais leituras, dos meus problemas recentes, talvez reclame das pessoas, afinal, reclamar é sempre uma boa maneira de se expressar. começemos.

thomas pynchon, don delillo, paul auster, william faulkner, saul bellow, raymond chandler, f. scott fitzgerald, james woods, george r. r. martin. esses são os nomes de alguns dos estrangeiros que nunca li, mas já encontrei tantos elogios sobre suas peripécias em obras que, curioso, criei a vontade de lê-los. dos citados, faulkner e pynchon são os que ocupam lugar físico no meu mundo (e devo confessar que o segundo, particularmente, ocupa bastante espaço com as mais de 1500 páginas), mas todos os dias vejo algo novo sobre algum deles que me faz sentir mais desejo de conhecê-los. o pynchon criou em suas obras uma mitologia que se estende a si, ou seria o contrário?; don delillo só faz receber críticas positivas e é colocado ao lado de pynchon, cormac mccarthy (que estou lendo no momento) e philip roth (e qualquer um que seja comparado a ele, para mim, quer dizer que devo lê-lo); paul auster me atraiu através de críticas positivas, da capacidade de criar personagens que se perdem dentro de si e no mundo, por ser também de newark, cidade do roth, e por ser comparado com ele; william faulkner é um dos grandes nomes da literatura americana, o cara que modificou a forma escrita, tornando-a semelhante ao que era falado, retratando em seus livros a realidade de sua época – ou algo assim, li artigos de wikipédia sobre ele, não estou seguro quanto a isso); saul bellow é um dos amigos de roth e uma de suas influências, mais que motivo para que esse vencedor do nobel figure em minha lista; raymond chandler é o escritor noir que mais vi ser elogiado, minha veia de mistérios pede para lê-lo, e eu também; f. scott fitzgerald é considerado o principal representante de toda uma era histórica, expressando o glamour, a elegância e a decadência, sendo de extrema importância para a literatura estadunidense; james woods me pegou por ser um crítico de literatura que escreveu um livro que explica a ficção do jeito que ela é hoje em dia, desde que flaubert virou flaubert, e se ler um livro sobre livros clássicos não for legal, não sei o que mais é; george r. r. martin e sua fantasia com descrições realistas, um ambiente fantástico cheio de violência e sexo (o homem colocou sexo na fantasia medieval, saudemos o homem!), me parece uma forma divertida de relaxar e deixar a imaginação fluir. e esses são apenas os gringos dos estados unidos.

partindo para a europa encontramos logo ali nos nossos antigos escravizadores antónio lobo antunes, válter hugo mãe, daí pulamos pra espanha e encontramos enrique vila-matas, depois saímos desenfreados e sem ordem geográfica e temos hertha müller, thomas mann, chekóv. o português antónio lobo antunes está aqui porque há muito tempo ouvi falar de uma suposta rixa entre esse e o bom velhinho saramago, fiquei curioso para conhecer esse português que concorria ao posto de melhor escritor de portugal; valter hugo mãe esteve na flip desse ano e foi só elogios em relação a sua prosa e a sua pessoa; vila-matas me pegou por ser um escritor metalinguístico, e não há nada que me faça sentir cócegas no cérebro mais que metalinguagem (por causa disso quase tive uma ereção em “meia noite em paris”, do woody allen); a hertha müller era uma desconhecida para o mundo até que venceu o nobel de 2009, teve sua obra mais recente publicada pela cia das letras e foi elogiadíssima por sua narrativa; thomas mann é um clássico da literatura mundial, a morte em veneza parece ser um livro fácil de se ler, me disseram que era, mas eles não tentaram em alemão, por isso estou na segunda página dele desde março; daí vem o russo chekóv, mas eu diria que quero ler todos os russos só pelo que as pessoas dizem dos russos, da riqueza das descrições, dos perfis psicológicos bem estruturados e de tudo mais.

a verdade é que sou grande admirador da literatura estadunidense (e um pouco da europeia) , mas preciso aprender a valorizar a literatura do nosso país, afinal, dizem que é de qualidade. na lista estão euclides da cunha, jorge amado, joão guimarães rosa, joca reiners terron, edney silvestre,  marçal aquino, joão paulo cuenca, sérgio sant’anna, michel laub. não tenho muitos motivos específicos para justificar minhas vontades em relação a cada um desses autores como com os estrangeiros, mas posso tentar. euclides da cunha figura aqui porque seu livro “os sertões” inspirou mario vargas llosa a escrever “a guerra do fim do mundo”; jorge amado está na lista também por causa do llosa e da amizade que ambos tinham; joão guimarães rosa é citado por alguns como brasileiro que chegou mais perto de ganhar o prêmio nobel de literatura, além de ter uma das obras mais comentadas e respeitadas no país, sempre sendo citado como exemplo de inventividade quando se trata de escrita; os outros foram citados por me despertarem prazer ao ler críticas breves sobre as obras escritas ou por terem títulos que me chamaram atenção (“o único final feliz para uma história de amor é um acidente” é um título que me pareceu sensacional, vamos lá).

até agora, esse tem sido um ano de boas leituras, mesmo depois de ter como primeiro livro lido no ano o terrível (e misteriosamente elogiado) policial “eu mato”. um bom ano para roth, tendo lido seis livros dele esse ano, assim como para coetzee, que foi para minha estante com os livros “desonra” e “homem lento”, ambos elogiados por minha mãe, e será o próximo autor que lerei em seu “diário de um ano ruim”. esse também foi o ano que conheci mario vargas llosa e me encantei por sua escrita, sendo posto a crer que sim, existe literatura de qualidade na américa do sul, e que não, ela não vem do garcía marquez (devo admitir que “o amor nos tempos do coléra” me agradou, mas nada no mundo me fez gostar de “cem anos de solidão”, o que me leva a pensar que talvez seja necessária uma releitura da obra, mas só esse pensamento me traz lembranças ruins da leitura do livro. mas às vezes é preciso fazer alguns sacrifícios e eu, que antes não gostava de kafka, hoje admiro a obra do maldito, mesmo achando o processo o livro mais chato do mundo – mais até que moby dick!-, devo estar aberto à possibilidade de que essa releitura vá me agradar.); foi um ano de mais uma vez me encantar com a sensibilidade fantasiosa, o non sence das situações e as divagações hilárias que kurt vonnegut cria de forma ímpar.

esse está a ser um bom ano para minhas leituras, mas meu medo é que tudo emperre de uma hora para a outra, como aconteceu com a escrita, como aconteceu com os estudos por um tempo, como tem acontecido com várias coisas ao meu redor.

fazia tempo que não escrevia e, devo confessar, está cada vez mais difícil escrever sobre qualquer assunto de forma que me agrade e me faça pensar que é algo que se valha a pena ler. esse texto é diferente, não se encaixa no perfil de nada que acredito que seja lível, mas é o que tenho a oferecer no momento. são mais de mil palavras que foram tiradas de mim em uma hora, o que é algo que não me acontece há anos. por esse motivo devo admitir a falta de qualidade técnica, mas também é por isso que há um pouco mais de sentimento nelas, por ser pessoal, por ser eu quem está dizendo tudo aqui e não um personagem criado por mim. talvez por fazer tanto tempo desde a última vez que escrevi como fazia aos dezessete, escolhi um tema sobre o qual entendo um pouco: minhas leituras futuras e passadas, meu ano, minhas coisas. agora devo me limitar a dizer um até mais e levantar em busca de algo para comer.

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2 respostas para dezessete.

  1. Lud disse:

    muito sincero, muito exato, claro, conciso e me fez me sentir uma anta. Vou ler.

  2. Pingback: o inimigo | a pior metade

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