de novidades musicais.

há uma semana venho escutado somente as obras de mozart. talvez na esperança de ficar mais inteligente. eu deveria comprar baunilha para cheirar enquanto escuto e leio um livro de cabeça para baixo, li numa das minhas antigas playboys que essas são algumas formas de se exercitar o cérebro, criar novas sinapses, estimular as velhas. até agora, creio ter escutado cerca de cinco ou seis sinfonias, seus trios, quartetos e quintetos para piano, seus concertos para flautas, oboé e, agora, enquanto escrevo essas palavras, escuto um duo para violino e viola. devo admitir que é mentira que escutei somente mozart durante todos esses quase sete dias, escutei um pouco de bach, algumas músicas do pop rock mundial e, ao ler bukowski, achei justo buscar qualquer coisa de mahler e brahms, visto que ele citava seus nomes em sua obra. mahler me agradou, no entanto a gravação que tenho da sonata para piano nº1 de brahms não me caiu bem aos ouvidos, soando extremamente artificial e forçado, uma música mecânica, sem alma.

não sou conhecedor ou entendedor de música erudita, nem de qualquer outro tipo de música, na verdade, mas sempre apreciei uma bela execução de instrumentos musicais e tenho muito apreço pela obra de beethoven, cuja nona sinfonia e a ode à alegria me fazem sentir arrepios cada vez que ouço, wagner, que sempre me faz pensar em seres potentes, poderosos, deuses, acima dos homens, subjugando-os, duelando entre si, e chopin, que compôs noturnos que (isso que estou para dizer é engraçado para mim) me fazem pensar em propagandas de margarina e genocídio, guerra, fome, tristeza, no frio e na escuridão se fechando sobre o homem de forma claustrofóbica.

não acredito que mozart me deixará mais inteligente, nem mesmo espero isso como resultado de minhas intercorrências por sua obra. a verdade é que não tenho a concentração necessária para apreciar verdadeiramente a música que toca. não sei seu nome, não sei o que significa e nem seu contexto. apesar de ter assistido à primeira apresentação de ópera no estado de alagoas, no ano de 2006, uma obra de mozart, a flauta mágica, hoje já não me arrisco a isso por não ter domínio da língua alemã e ser incapaz de acompanhar a ação sem esse entendimento.

o que quero, ao escutar as obras eruditas, é ter a possibilidade de novas experiências sensoriais para mim. uma melodia nunca antes ouvida às vezes nos chega aos ouvidos e é capaz de mudar aquilo que achamos de música e de nós mesmos. e descobrir mozart hoje, depois de mais de vinte anos da minha existência e duzentos e vinte anos depois de sua morte, me faz pensar no quão pouco eu sei da vida ao meu redor e na imensidão de coisas que existem, nunca contempladas por mim, nunca ouvidas por mim.

há cerca de três ou quatro anos escutei a obra completa de vivaldi, mas hoje não me recordo de suas melodias e sou incapaz de identificar algum movimento de sua sinfonia das quatro estações ou suas sonatas para violino. além do mais, acho que o italiano não me passa o sentimento que esses germânicos me passam. chego a sentir falta de escutar beethoven depois de algum tempo longe de sua obra, sinto saudade, Sehnsucht, como eles dizem, desejo de mais uma vez escutá-lo, apreciá-lo, escutar suas notas pesadas e poderosas.

apesar de todo o desconhecimento em relação ao assunto, a música clássica está incorporada ao mundo, há poucas pessoas que nunca escutaram um trecho que seja de um dos compositores por mim já citados nesse texto. podem nem mesmo saber o nome – como eu agora, ao descobrir com imensa surpresa que conheço desde que me entendo como gente Eine kleine Nachtmusik, Allegro -, mas já ouviram em alguma propaganda de margarina com uma família feliz e sorridente, ou em uma de sabonete no qual uma estrela da tv passa o sabonete sobre sua pele de forma delicada, ou mesmo em vinhetas de abertura de programas de televisão, até mesmo comerciais de refrigerante que colocam galinhas de computação gráfica destruindo a ode à alegria enquanto figurantes expressam mal o deslumbramento e interesse que deveriam fingir. tomo como fato que boa parte da população de alagoas já escutou carmina burana em algum momento da vida, afinal, trechos da obra sempre eram executados quando estavam prestes a exibir cenas fortes num programa policial dos idos de 2000. por sorte, minha geração foi privilegiada com a exibição de diversas animações que sempre lançavam mão das obras de vários compositores como trilha sonora em seus programas. lembro-me de rir muitas vezes no episódio de tom & jerry em que nosso amigo gato se apresenta em um recital tocando liszt e o rato – quando eu era mais novo eu só torcia para o rato, mas hoje em dia, o tom me parece mai legal – dorme dentro do piano que será utilizado para tocar a rapsódia húngara número 2; recordo-me ainda de um episódio de pica pau em que ele encontra a barbearia do senhor fígaro aberta, mas o dono saíra para almoçar então o pássaro resolve tomar seu lugar e atender a clientela. durante todo o episódio, a trilha sonora é o barbeiro de sevilha, que também está presente em um episódio de pernalonga, onde o coelho massageia o couro cabeludo do hortelino troca letras com suas patas e orelhas. qual animação atual utiliza dos clássicos da música para entreter? temo pelo dia em que as crianças assistirão a desenhos animados cuja trilha será composta por gangsta rap e funk.

há muito para ser conhecido por mim, especialmente, os brasileiros. minha eterna falta de conhecimento em relação à cultura do país onde nasci e fui criado. sou capaz de falar por horas sobre os maiores escritores estadunidenses e alguns da língua inglesa não norte americanos dos últimos cinquenta anos, mas não consigo falar dez minutos sobre qualquer obra contemporânea de literatura brasileira. e uso aqui a literatura porque é um assunto do qual já tenho certo conhecimento e um pouco mais de domínio que a música erudita. a esperança é que da próxima vez que eu resolva falar sobre qualquer coisa de música clássica, eu esteja mais familiarizado com ela. torcer por isso nunca é demais e não fará mal algum.

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2 respostas para de novidades musicais.

  1. Lud disse:

    Ah, a música clássica… Meus favoritos são Bach, Mozart e Beethoven. Mas Vivaldi tem uma questão sentimental por ter sido o primeiro compositor que eu fui capaz de reconhecer e chamar pelo nome quando era criança. Até hoje, a Primavera me traz boas lembranças =)
    É verdade, todos nós, até os mais leigos, já ouviram algo de erudito. Adorei os exemplos dando ‘nome aos bois’. Lembrando também da peça clássica que é executada às sextas, no Bom Dia Brasil, quando eles fazem um breve resumo da semana, e de outra, cujo nome me escapa, que faz parte da trilha de Tom e Jerry. Mas nada, nada mesmo, como assistir Amadeus e ficar com vontade de escutar aquela missa Réquiem completa. É lindimais!

  2. Isabelle disse:

    Acho que foi ano passado que estive procurando por compositores de música clássica atual, esse texto me lembrou que anotei em uma lista e nunca tive oportunidade de baixá-los. Lembro de Karl Hartmann, Eric Satie e só, vou procurar a lista e baixá-los dessa vez. (:

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