a luta.

todo dia eu me pego pensando: eu devia ler mais brasileiros. devia buscar os novos e ler os mais velhos, reler alguns para ver se mudei minha opinião em relação a eles (machado de assis, estou falando de ti, homem!) e analisar se, de alguma forma, eles podem me ajudar com os problemas que estou tendo no mometo: não consigo escrever. nada! há um bom tempo me apresento assim, mas o quadro vem se agravando nesse último mês e nem mesmo sinto a paciência necessária para escrever mais de algumas centenas de palavras por vez. e mesmo o pensamento de que algumas centenas de palavras a cada dia fazem um texto em uma quinzena não me ajuda, já que nada do que escrevo parece se conectar, ainda. talvez um dia, quem sabe, mas hoje não. também acho que estou escrevendo pior. estou errando mais, transformando tudo em curtas frases, o meu mau uso da vírgula parece ter se exacerbado aos meus olhos e já não sei se devo ligar as orações coordenadas apenas por uma conjunção ou se a conjunção deve ser precedida de uma vírgula. nesses últimos dias tive dúvidas em relação ao uso da vírgula quando se separa o vocativo. mas ela já passou e fui capaz de superá-la com sucesso, devo admitir. (essa vírgula me causou dúvida, por favor, se você sabe que seu uso é errôneo, corrija-me).

em relação aos meus erros, sei que haverá quem me corrija. sempre existem algumas nobres almas a quem recorro e que revisam os textos com boa vontade, mas e em relação ao meu assunto? só posso dizer que não tenho tido as mais brilhantes das idéias e que contar as velhas histórias de amor narradas em primeira pessoa já não me apetecem mais. gostaria de exercitar mais minha terceira pessoa, meu poder de criar situações que pareçam verossímeis sem a necessidade de um contador necessariamente presente em toda história, no entanto, desde que tomei essa meta para mim, poucos textos têm fluido e menos ainda são aqueles que vêem o ponto final. nada do que pensou ou escrevo me parece algo que eu leria, e se nem eu me leria, como fazer com que outras pessoas o façam? não tenho tamanho desprezo pelos outros quanto digo ter, além do mais, sempre prezo por uma boa história e uma maneira de contá-la que seja natural, orgânica, fluida, me pareceria demasiado ruim se eu fosse aquele a apresentar ao mundo algo qualquer, um texto que não me pareça dentro desses padrões por mim estabelecidos. há outros motivos para a minha não escrita, além da vontade de contornar a primeira pessoa do singular e querer explorar mais a terceira pessoa onisciente ou quase isso. tive muitos problemas com os eu líricos por eles não parecerem tão líricos assim, inclusive disseram as palavras calúnia e difamação, que causaram um medo terrível ao meu bolso e uma ligação ou outra para um dos meus defensores legais. mas nada digno de comentários além dos já tecidos.

todo dia que penso que deveria arranjar para mim alguma leitura desses novos escritores brasileiros elogiados (oi, mutarelli, estou falando de você e do meu pensamento constante de ir à livraria e comprar o teu “o cheiro do ralo”), mas então realizo que já tenho livros demais para ler na fila. e por mais que acredite que o livro nacional flua como nenhum outro (esse ano li apenas 4, sendo um deles de péssima poesia, os outros três de prosa boa, quiçá ótima, que foram consumidos em menos de três dias, um tempo que considero excelente para os meus padrões), acredito que é melhor dar prioridade sempre ao que já está a ocupar minha bancada, entretanto há um livro de jorge amado nela, será o próximo que lerei, talvez esse fim de semana, talvez o depois desse, ainda não sei, mas certamente “a morte e a morte de quincas berro d’água” será lido esse ano. fico tentado também pelos clássicos nacionais do século XX, guimarães rosa, que me tenta toda vez que vejo seu grande sertão: veredas, e nelson rodrigues (eternamente confundido por mim com nelson gonçalves), cuja reedição, em formato pocket, de “a vida como ela é” me tentou por ser um livro esgotado no catálogo, além de se apresentar num preço acessível e não ter um papel lixo como a edição de estudante do livro guimarães.

no momento me ocupo de um gringo, george r. r. martin, no primeiro livro da sua série de fantasia. os próximos dois livros da lista são dele, também, por coincidência ou não, depois seguimos com outros muitos gringos, que vivem aparecendo em minha vida em traduções e no original – recentemente a cia. das letras lançou herzog e uma linda edição de henderson, o rei da chuva, ambos do saul bellow e a cosac naify está prometendo pra novembro a tradução direta do russo de “guerra e paz”, e logo logo chegarão os livros do roth, do vonnegut e do foster wallace que encomendei pela amazon, além do dickens que me espera desde janeiro para ser lido na língua em que fora escrito, é muito livro e pouco tempo, como sempre. procurarei um tempo entre esses livros para encaixar algumas obras dos compatriotas, mas não garanto nada, já que a maioria dos meus pensamentos morrem antes de alcançarem o mundo real. às vezes por não serem boas idéias, às vezes por pura preguiça de executá-los, mas é desse mal que venho padecendo, como já puderam notar, há mais tempo do que me agrada.

há três meses, acho eu, dei inicio a um texto num caderno. escrevi uma folha inteira, dei início a uma segunda, mas não continuei, preciso voltar a ele, mas me falta a coragem para relê-lo e dar continuidade. sempre tive essa preguiça de me ler, mesmo achando que aquilo escrito pode ser bom. em maio ou abril tive a idéia para um texto que só começou a assumir forma real, mais de cem palavras, em agosto e somente agora, há dois ou três dias, passou das 500. há mais idéias mortas e morrendo ao meu redor do que pulsando em minha mente e não sei o que fazer para salvá-las. gostaria de fazer alguma coisa além de falar sobre isso, gostaria de escrevê-las, mas a mão cansa, a mente fica em branco e a vontade de fazer qualquer coisa que me tome mais de 10 minutos me exaure só ao pensamento. estou sendo derrotado nessa luta que não queria ter começado e, certamente, não gostaria de perder.

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Uma resposta para a luta.

  1. Marden disse:

    A luta anda tensa para nós todos.

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