o banquete.

foi contada uma vez a lenda de um rei há muito esquecido, que em seu tempo se entregara às maiores atrocidades conhecidas. o que foi dito, é claro, não pode ser tomado como verdade pela falta de evidências históricas de que esse reino jamais existiu e pela ausência de descrições do espaço geográfico que servissem para precisar a localização exata desse lugar.

o que foi dito é curto e simples.

havia o rei, líder forte e obstinado, e seus súditos, supostamente leais, que lhe formavam a corte.  havia um outro reino, cujas terras se estendiam além mar, e uma firme aliança comercial fora estabelecida.

no entanto, o rei da lenda cobiçava o outro reino não só por seu poderio econômico, mas pela rainha que lá sentava ao lado do rei.

os dois reinos entraram em guerra após certos infortúnios envolvendo cargas roubadas de navios do outro reino aparecendo nos estoques do rei e sua corte e a descoberta do relacionamento extra conjugal entre o rei e a rainha do lado de lá do mar. a cabeça da rainha viajou em um barco até chegar ao rei. a tensão era grande.

depois de anos em guerra, o rei estava cansado e seu reino perdia quase todas as batalhas. a rainha, com o suposto intuito de evitar um massacre maior do que todos aqueles anos de guerra, implorou  a seu rei que planejassem uma rendição, um ato diplomático na vã tentativa de remediar os conflitos passados.

foi planejado um banquete, onde toda a corte receberia o rei do lado de lá e sua comitiva. os pratos seriam típicos do reino, com muita carne marinada, carne crua e empadões.

quando chegada a hora, o rei fez um discurso onde pedia perdão a seu povo pelos anos de guerra, desculpava-se a sua corte e os agradecia por sua tamanha fidelidade, citando seus mais fiéis homens um a um, e, por fim, pediu perdão ao rei do lado de lá, que agora, esperava ele, seria mais uma vez seu aliado e amigo, pela paz do povo. todos no salão aplaudiram.

o rei do lado de lá, sentado ao lado direito do rei, sorriu, agradeceu a presença de todos, disse que aquele era o banquete mais espetacular que já vira e que mal poderia esperar pelo prato principal.

foi então que o rei viu ao seu redor, e vislumbrou o brilho de lâminas de prata no pescoço de cada um dos súditos de sua corte. sentiu ele também o toque frio em seu pomo de adão e viu sua rainha segurando bem a faca e puxando-a forte, fazendo o sangue jorrar e inundar seus trajes.

então fatiou-se em longas fatias os corpos do rei e sua corte, temperados com ervas e sal e vinho, colocou-se a massa de um empadão e o prato foi servido ao povo numa grande refeição pública no dia seguinte ao banquete.

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2 respostas para o banquete.

  1. Lud disse:

    TEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENSO!

    muito bom. curti. um misto entre sweeney todd (foi inevitável lembrar) e algumas lendas arturianas. foda!

  2. nelsonnetto disse:

    apesar de entender sua escolha, acho que uma narrativa em primeira pessoa deixaria ela foda.

    bem e escrito e faz lembrar que tenho que terminar uma parada aqui pra postar (acredite!).

    FH

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