Carta a um amigo.

caro amigo, já não sei há quanto tempo não escrevo para você, mas acontece que hoje, enquanto escutava a uma antiga música recém descoberta por mim, somente o teu rosto me veio à mente, e não pude controlar o impulso de transformar em palavras os meus pensamentos direcionados a você, era tudo maior que eu, e enquanto a melodia evoluia, teus traços se tornavam cada vez mais nítidos em minha cabeça.

acontece que eu não sei se você conhece o que estou escutando. descobri hoje, acredita? sérgio sampaio cantando “meu pobre blues”. sei que você, assim como eu, gosta do pouco que conhece desse homem, até porque nossas metas de colocar os blocos na rua e nosso conhecimento de que tinha que acontecer não vieram do nada, no entanto, apesar de nossas admiração, não sei se você tinha conhecimento dessa canção. se não tinha, passe a ter, pois é bela e me tocou como há tempos o cancioneiro não fazia, e eu nem faço ideia do porquê disso, mas sei que aconteceu.

é verdade que, talvez, eu esteja mais propenso a ter esses tais sentimentos que arrebatam e nos fazem tomar ações inesperadas, você sabe, desde os acontecimentos mais recentes, a partida da alê, me deixando meio que de coração na mão, sem compreender direito o que eu tinha feito, ou deixado de fazer, mas é aquela coisa, né? “tem que acontecer. se um vai perder, outro vai ganhar”. atualmente, as notícias que tenho dela vêem através do fernando, quando vem me visitar a cada quinze dias. ele está gigante, cara, você devia vê-lo. vive perguntando por você. toda vez que ele está para chegar contrato uma faxineira para dar um trato no apartamento e deixá-lo habitável; no dia anterior à chegada dele três sacolas de lixo são levadas do apartamento, a maioria delas é de papel, comida porcaria e filtro de café usado, ocasionalmente algumas garrafas de cerveja, mas isso tem se tornado cada vez mais raro. não que eu tenha parado de beber, mas acontece que descobri um bar aqui do lado de casa, e termino bebendo por lá. mas já não sou o mesmo de anos atrás. lembra de quando varávamos a noite inteira com garrafas de whisky, cigarros, água de côco e gelo, conversando noite a dentro sobre os mais diversos assuntos, sem nunca achar que aquilo tudo poderia chegar a um fim, e só nos limitávamos porque, quando menos parecia possível, o sol nascia e quem estivesse fora de casa deveria retornar? os tempos mudaram, e estou velho, amigo, e acho que você também.

já faz quanto tempo desde a nossa última conversa? meses, anos? na verdade, não importa, porque sinto, enquanto escrevo essas palavras, que apesar de todas essas centenas de dias que se passaram, e os quilômetros de terra e mar a nos separar, ainda somos tão próximos quanto poderíamos ser, ou quase isso. pode parecer um tanto estranho, hipersensível, e tudo mais, mas é que quando se fala de um irmão, não se pode usar outra palavra se não amor.

eu te amo, cara. saudades.

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Uma resposta para Carta a um amigo.

  1. Laís disse:

    Gostei. Tá simples e bonito. Me lembrou um outro texto seu, em que você começa falando do livro que está lendo. Beijos.

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